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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.

Boa noite, Matilde.

Começamos com a imprensa da Ucrânia e com as negociações de paz, juntamente com a Rússia e os Estados Unidos. Volodymyr Zelenskyy diz que as reuniões devem retomar no domingo.

Num discurso publicado no site da presidência, o líder da Ucrânia disse ter recebido o relato da primeira ronda, que aconteceu na semana passada em Abu Dhabi. Diz que conseguiram discutir uma série de questões, principalmente militares, aquelas relacionadas com medidas para acabar com a guerra e com o controle e monitorização dessa mesma pausa ou desse mesmo término das hostilidades. Há questões que precisam ser preparadas para a próxima reunião, afirma Zelenskyy. Para o presidente, seria bom se esse novo encontro pudesse ser antecipado. "A Ucrânia estará o mais possível preparada em todas as questões que precisam ser discutidas e acordadas", diz o líder ucraniano. Acrescenta que o país sempre esteve e vai continuar do lado da paz. "A única razão pela qual esta guerra continua é a Rússia", acrescenta Zelenskyy, que apela à continuação da pressão sobre Moscovo.

Quanto ao acordo de segurança dos Estados Unidos, Zelenskyy diz que está 100% pronto.

Sim, foi durante uma visita à Lituânia. Zelenskyy afirmou que a Ucrânia está à espera que os seus parceiros definam a data e o local para a assinatura desse que é outro documento, que tem a ver com as garantias de segurança num pós-cessar-fogo.

As autoridades norte-americanas que lideram as negociações estão convencidas de que os negociadores russos adoptaram um tom mais brando à porta fechada.

E mais pragmático no que sugere a retórica dura pública de Moscovo. O Kremlin tem usado consistentemente declarações públicas antes e depois de cada ronda de negociações para reiterar e, por vezes, intensificar as exigências maximalistas em relação à Ucrânia, incluindo concessões territoriais e políticas. Querem a ocupação daquela zona leste do país, querem a capitulação do regime ucraniano. Um dos membros da delegação dos Estados Unidos diz que os russos geralmente apresentam as maiores exigências e em seguida permitem que as respectivas equipes de negociação, em privado, trabalhem com mais flexibilidade, afirma que é algo que já acontece há muito tempo.

Este artigo do Kyiv Independent diz também que a estratégia russa voltou a ficar evidente depois da visita dos enviados norte-americanos a Moscovo na semana passada.

Depois das reuniões, o assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, disse que não havia sentido esperar por uma solução para a guerra da Rússia contra a Ucrânia, a menos que Kiev cumprisse as exigências territoriais de Moscovo. Outros responsáveis russos fizeram declarações semelhantes em público, por vezes utilizaram uma linguagem mais intransigente. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, por exemplo, Sergei Lavrov, que recentemente até foi marginalizado das negociações, exigiu de forma repetida a destituição de Zelenskyy, já aqui falámos sobre isso, e reacendeu os apelos pela chamada desnazificação e desmilitarização da Ucrânia. Alexander Filinkenkot, especialista em relações Estados Unidos-Rússia, disse ao Kyiv Independent que o lado americano tem tendência a ser enganado ao negociar com Putin, que é um ex-oficial da KGB. Esta especialista mencionou a cúpula de 2001, quando o presidente dos Estados Unidos era George W. Bush, e ele disse que olhou para Putin nos olhos e sentiu a sua sinceridade. É o momento que mais tarde passou a simbolizar o julgamento equivocado do Ocidente sobre as intenções da Rússia.

As importações de gás russo estão formalmente proibidas na União Europeia.

Foi hoje formalmente adoptada essa medida. A proibição vai ser implementada de forma gradual até 2027 e depois prevê sanções a infratores. Com os votos contra, como já tem sido habitual, da Hungria e da República Checa, e neste caso também a abstenção da Bulgária, o Conselho da União Europeia decidiu que as importações pelos Estados-membros de gás canalizado russo vão ficar interditas no outono do próximo ano. A proibição das compras de gás à Rússia começa a aplicar-se dentro de seis semanas, contempla um período de transição para os contratos que já existem, depois do qual os 27 Estados-membros vão ter de verificar onde é que é produzido o gás que importam. Até 1 de março, os países da União Europeia devem preparar planos nacionais para diversificar o abastecimento de gás e identificar potenciais desafios na substituição desse fornecedor. As empresas vão ser obrigadas a notificar as autoridades e a Comissão Europeia sobre quaisquer contratos de gás russo ainda em vigor.

Fica por aqui a primeira parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com a imprensa russa.