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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Diana Rosa, vamos agora aos destaques da imprensa de Kiev. Volodymyr Zelensky deverá anunciar eleições presidenciais e um referendo ao acordo de paz no próximo dia 24 de fevereiro, precisamente o dia, Diana, em que faz quatro anos do início da guerra.

Essa notícia de que falas, João, foi avançada por vários meios de comunicação social estrangeiros. Naturalmente, a Ucrânia pegou também nessa notícia, nomeadamente a Ukrinform confrontou há poucas horas o presidente ucraniano com essa informação e ele fez-se de despercebido. Disse que não faz a mínima ideia do que se está a falar, ainda que as eleições sejam, de facto, um ponto em discussão nas negociações trilaterais que decorrem com os Estados Unidos e a Rússia. Disse Volodymyr Zelensky à Ukrinform que para que essas eleições aconteçam, e esta é a única garantia que dá, têm de acontecer em segurança, portanto, têm de ser disponibilizadas todas as condições para que a população vá às urnas. Se essas condições vão ser ou não garantidas, nomeadamente pelos Estados Unidos, nos próximos três dias, que é quando faz quatro anos de guerra, não sabemos. Estaremos cá para ver e falaremos aqui na "Guerra Traduzida". Certo é que as eleições presidenciais decorrem a cada cinco anos na Ucrânia, tal como em muitos outros países. Zelensky foi eleito em 2019. Essa eleição seguinte deveria ter ocorrido há dois anos. Não aconteceu, como sabemos, porque está em vigor a lei marcial. Quando é assim, não há eleições. Este prolongamento do mandato tem sido criticado por parte da Rússia, mas Donald Trump também acabou já por chamar um ditador sem eleições, sendo que Donald Trump, se for preciso, muda de opinião no dia seguinte. No entanto, a imprensa não só ucraniana, mas também norte-americana, diz que o governo ucraniano estará agora a planear a realização de presidenciais em simultâneo com o referendo destinado a validar um eventual acordo de paz com a Rússia.

A União Europeia está a avaliar um plano de cinco etapas, Diana, para integrar a Ucrânia no bloco até 2027.

Um plano, João, sem precedentes, que permite à Ucrânia um assento na mesa da União, mesmo antes de o país concluir todas as reformas de adesão. Então, como é que isto funcionaria a acontecer? É uma ideia que representaria um afastamento significativo do processo tradicional de alargamento, surge num momento em que a Ucrânia pressiona para que uma data concreta de adesão seja incluída num qualquer acordo de paz. E aquilo que o bloco comunitário promete é que não vai haver atalhos. Consiste esta ideia em quê? No cerne do plano está uma ideia apelidada de alargamento reverso, que permite à Ucrânia entrar primeiro na União Europeia politicamente e depois, posteriormente, ir obtendo todos os direitos e claro, obrigações. Neste modelo, a Ucrânia participaria, por exemplo, em processos decisórios da União Europeia, antes de concluir todas as reformas no respectivo país, em vez de esperar até ao final do processo. Ou seja, a Ucrânia designa uma equipa, tal como todos os outros países, para estarem à mesa da União Europeia, sempre que há discussões, sempre que tem que se aprovar alguma medida, e enquanto isso, a Ucrânia vai fazendo, a nível interno, as reformas que precisa de fazer. O país tem que estar a funcionar a 100%. Estes alertas sobre a corrupção no país, que é um grande problema da Ucrânia, têm de ser resolvidos, as infraestruturas que o país tem de ter e por aí fora, são muitos os requisitos, como sabemos, que os países têm de ter para aderir na União Europeia. No entanto, as autoridades europeias acreditam que esta ideia de que a Ucrânia estivesse representada politicamente para dar também o seu contributo, poderia enviar um forte sinal político a não só a Kiev, e impediria qualquer afastamento do Ocidente.

Vamos olhar para o que se passa no terreno, Diana. A Ucrânia está a realocar as subestações da rede elétrica para o subsolo de forma a protegê-la a longo prazo de futuros ataques russos.

É o que noticia o Kyiv Independent. Para já, a Ucrânia conta com uma subestação num bunker subterrâneo em betão e há já uma outra em construção. É o que garante ao mesmo jornal Vitaliy Zaitsev, o CEO da Ukrenergo, uma empresa estatal responsável pela operação elétrica do país. O custo de cada subestação atinge as dezenas de milhões de euros. Kiev não tem condições para suportar sozinha este projeto, mas pode ser um dos elementos importantes para a segurança e resiliência energética no futuro do país. É o que garante este responsável ao jornal ucraniano.

Ainda sobre este tema, a Rússia atacou infraestruturas energéticas na região ucraniana de Odessa.

Três vilas na região ficaram parcialmente sem eletricidade depois de um bombardeamento russo. É o que noticia a Ukrainska Pravda, que cita o chefe da administração regional. Foram registados danos numa instalação de energia no sul da região. Foi desencadeado um incêndio. Um edifício de escritórios também foi afetado. Não há, felizmente, registo de feridos.

Os Países Baixos aumentaram o apoio ao setor energético da Ucrânia para, Diana, 100 milhões de euros.

Anúncio do ministro da Energia da Ucrânia, Denys Shmyhal, que adianta que parte da contribuição vai ser usada para instalar sistemas de energia solar nos telhados dos edifícios, com o objetivo de garantir o fornecimento de eletricidade na sequência dos ataques russos. Na semana passada, tinha sido revelado que os Países Baixos iriam contribuir para este setor com cerca de 86 milhões, sobe assim para os 100.

É o ponto final da "Guerra Traduzida". Está de regresso, Diana, amanhã.