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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, dia 11 de julho. Vamos olhar pra imprensa russa com a ajuda da Larissa Tovmazian. Hoje, Larissa, começamos com uma informação que surgiu este fim de semana. O Ministério da Defesa da Ucrânia avançou que quer agora reconquistar o sul do país, e isto está a merecer destaque na imprensa russa.
Os militares das Forças Armadas da Ucrânia receberam uma ordem do presidente Zelensky para reconquistar o sul do país. Isso foi anunciado no domingo, dia 10 de julho, pelo ministro da Defesa da Ucrânia, Alexey Reznikov, numa entrevista ao jornal The Times. Ao mesmo tempo, ele também observou que os países ocidentais devem ajudar os militares ucranianos a cumprir as suas tarefas. Anteriormente, também no dia 8 de julho, Reznikov informou que cerca de 1 milhão de militares das Forças Armadas da Ucrânia garantem a defesa e a segurança do território ucraniano. O número de mobilizados é de até 700 mil pessoas. Segundo ele, hoje, até 100 mil pessoas servem na Polícia Nacional, até 90 mil pessoas na Guarda Nacional e até 60 mil pessoas são guardas de fronteira.
Apesar desta intenção do Ministério da Defesa já anunciada, foi Zelensky que deu essa ordem ao Ministério da Defesa, essa intenção de reconquistar o sul do país, a Duma Estatal russa já quis reagir a esta situação.
Exato. E Izvestia avança com a notícia de que o desejo do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de reconquistar as regiões do sul do país atesta a situação de desespero do governo ucraniano. Esta declaração foi feita no domingo, dia 10 de julho, pelo deputado da Duma Estatal, pelo governo da região de Crimeia, Mikhail Sheremet. Diz ele que tais ordens são uma agonia política do regime de Zelensky, que não vai durar muito. Estas declarações indiscriminadas não têm nada a ver com a realidade. Isto foi dito numa entrevista à Ria Novosti. O deputado também enfatizou que Kiev não tem hipótese de assumir o controle dos territórios libertados pelas tropas russas novamente e, segundo ele, mesmo os suprimentos impressionantes de armas ocidentais pra Ucrânia não irão impedir Moscovo de alcançar os principais objetivos da operação especial.
Avisos, neste caso, da Duma Estatal, sobre essa intenção da Ucrânia reconquistar a zona sul do país. Entretanto, o dia de hoje fica marcado pelo corte do Nord Stream. Vai ser cortado hoje, já está cortado, e é uma situação que se vai manter durante os próximos dias.
O principal gasoduto da Federação Russa pra Europa, Nord Stream, está interrompido para manutenção programada a partir de hoje até 21 de julho. Isto é relatado pela Ria Novosti também. Os participantes do mercado europeu temem que esta interrupção do Nord Stream agrave o déficit de gás na Europa. O operador do gasoduto Nord Stream afirmou anteriormente que a empresa irá interromper ambas as fontes do Nord Stream para manutenção preventiva, incluindo testes de componentes mecânicas. Se os volumes de gás da Nord Stream não forem enviados pras rotas, nomeadamente Europa, e se a taxa de consumo atual for mantida, poderá enfrentar um aumento acentuado no valor de troca do combustível.
Vamos ver o que acontece. Para já, está em vigor este corte no Nord Stream. Entretanto, explica-se hoje também na imprensa russa que a Duma Estatal decidiu realizar uma reunião de urgência. Isto acontece numa altura em que os deputados já estão de férias.
Hoje, dia 11 de julho, o Conselho Estatal da Duma irá analisar a questão de uma sessão plenária extraordinária, que será realizada no dia 15 de julho. Isso está declarado no canal de Telegram do próprio Parlamento. Dizem eles que a necessidade desta sessão plenária extraordinária deve-se ao fato de existirem questões que exigem uma solução urgente. Em particular, serão consideradas as iniciativas do governo, diz a mensagem. Mas também uma fonte próxima do governo diz à Kommersant que esta reunião não está totalmente relacionada com a operação especial, mas causada pela necessidade de adotar iniciativas governamentais introduzidas anteriormente e resolver algumas questões de pessoal.
Vamos ver, efetivamente, o que acontece nessa reunião de emergência agendada para sexta-feira. Entretanto, o antigo presidente polaco teve algumas declarações este fim de semana, a imprensa russa dá conta disso também, porque uma dessas declarações, este ex-presidente polaco, o Wałęsa, diz que a Rússia precisa ser desmembrada.
De acordo com o político, isso é necessário para garantir a segurança no mundo. Wałęsa acredita que a Rússia anexou os territórios de 60 povos, portanto, é necessário elevar a revolta desses povos e assim fragmentar o país. O ex-presidente da Polônia acredita que agora existem dois sistemas no mundo: as democracias ocidentais e a NATO, que têm o direito de se expandir porque o fazem de uma forma democrática, e temos a China e a Federação Russa, que usam velhos métodos de anexação. No entanto, o artigo diz-nos que no Ocidente, a Crimeia é considerada o território ucraniano que a Rússia anexou, embora em 2014 tenha sido realizado um referendo na península, no qual a maioria votou pela unificação com a Federação Russa. E neste momento, quando a Rússia está a conduzir esta operação especial, várias regiões libertadas das tropas ucranianas e formações nacionais também abrem esta hipótese de se juntar à Federação Russa.
Entretanto, fica esse aviso e pedido do antigo presidente polaco, Lech Walesa, apontar para um desmembramento da Rússia para conseguir garantir a paz no mundo. Avançando na imprensa independente, na Meduza, um artigo sobre um homem que foi multado por ter escrito um artigo num jornal em que colocou aspas na expressão "operação especial".
O ativista de Nizhny Novgorod, Alexei Pornybesne, contou a um site que foi multado a 30 mil rublos devido a uma publicação nas redes sociais onde citou a expressão "operação especial". Mas qual foi o problema? O problema foram as aspas que ele usou. O Tribunal Distrital de Avtozavodsky, da região de Nizhny Novgorod, multou Alexei no dia 23 de junho e agora o ativista recebeu uma decisão judicial. Diz que nesta sua publicação, o jovem ativista escreveu a expressão "operação especial" em aspas, o que, na opinião do tribunal, certamente indica o significado irônico, oposto e depreciativo. Alexei foi responsabilizado administrativamente por causa desta publicação, na qual ele afirmou que o dinheiro gasto pela Rússia num dia desta operação especial na Ucrânia seria suficiente para fornecer abastecimento de água quente a todas as casas em Nizhny Novgorod, que é a cidade dele.
Entretanto, ele recebe essa multa por ter utilizado aspas na expressão "operação especial". Para fechar, Larissa, temos música russa que passa a estar proibida na Ucrânia.
No dia 19 de junho, a Verkhovna Rada da Ucrânia adotou uma lei que proíbe a reprodução de música russa nos media e em locais públicos. Agora será impossível reproduzir música em público se se trate de um trabalho de um cidadão do país agressor, ou seja, a Rússia. Meduza conversou com alguns participantes, trabalhadores e estrelas do mercado musical russo sobre o que poderia acontecer a seguir. Houve muitas celebridades que se recusaram a comentar. No entanto, as celebridades ucranianas falaram. E aqui, por exemplo, a artista popular na Ucrânia, Tina Karol, falou publicamente neste apoio à proibição da música russa e felicitou os músicos ucranianos pela adoção desta nova lei. Segundo ela, este é mais um passo em direção à independência da Ucrânia, com a ajuda da qual o país desenvolve a identidade da nação. Por exemplo, o produtor da banda polêmica de Pussy Riot diz que a demonização e a desumanização dos russos só contribuem para um incitamento ainda maior ao ódio e aprofundamento da crise. E o produtor acredita que em vez de se concentrarem na luta internacional contra o regime que desencadeou a guerra, o centro de gravidade acaba por ser deslocado para a luta contra todos os russos, o que acaba por ajudar Putin e a sua propaganda.
Reportagem da Meduza sobre essa proibição ucraniana, proibição da música russa, por causa claro deste conflito. Terminamos assim a guerra traduzida com olhar para a imprensa russa e com a ajuda da Larissa Tovmazin.