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Mais um episódio de Guerra Traduzida. Olhamos agora pra imprensa da Rússia neste dia 29 de novembro, dia 644 da invasão. Trabalho do jornalista Rui Casanova, com a colaboração da Larissa Tovmazian. E Rui, começamos com o canal KP, que dá destaque a um aviso do secretário-geral da NATO.

A Ucrânia e a NATO devem preparar-se para longas e difíceis batalhas com a Rússia. Foi o que disse Jens Stoltenberg numa conferência de imprensa em Bruxelas, no final de uma cimeira da NATO para discutir o conflito na Ucrânia. De acordo com Jens Stoltenberg, aqui citado pelo canal estatal russo KP: "A Rússia tem muitos mísseis disponíveis para serem utilizados neste inverno". É aqui um destaque interessante da imprensa estatal russa. Também de acordo com o canal KP, Jens Stoltenberg afirmou que a NATO está a enviar à Rússia um sinal claro da sua intenção de proteger cada centímetro do território dos países da aliança. De resto, já ontem tínhamos dito, e destacamos isso aqui na Guerra Traduzida, que o porta-voz do Kremlin descreveu a NATO como um instrumento criado para confrontar a Rússia. São agora declarações aqui em destaque de Jens Stoltenberg no jornal KP.

O canal KP, que cita também declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria.

Que diz que atualmente a Ucrânia não se pode tornar membro da NATO, porque isso levaria a uma Terceira Guerra Mundial. Foi um alerta deixado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, precisamente no final desta cimeira da NATO. Péter Szijjártó afirma que também a Ucrânia viola os direitos das minorias nacionais e lembra que, acima de tudo, a Ucrânia não pode aderir à NATO porque atualmente está em guerra e um país em guerra não pode aderir à Aliança Atlântica. São declarações-alertas do ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, aqui citados também pelo KP.

Rui, olhamos agora pras declarações do porta-voz do Kremlin sobre a Finlândia.

Sim, uma vaga migratória na fronteira leste levou a Finlândia a fechar temporariamente todos os postos fronteiriços com a Rússia. Já na semana passada tinha fechado a grande maioria, deixou aberta apenas uma entrada. Ontem, o primeiro-ministro da Finlândia anunciou o fecho total das fronteiras com a Rússia, pelo menos até ao final deste ano. Helsinque acusa ainda Moscovo de facilitar a passagem de migrantes. Ora, perante estas declarações do primeiro-ministro da Finlândia, o porta-voz do Kremlin reagiu. Dmitri Peskov afirma que é uma medida excessiva, declarações de Peskov aqui citado pelo jornal Izvestia. Ouvimos aqui as declarações do porta-voz do Kremlin no briefing diário que faz todos os dias. Afirma o porta-voz do Kremlin que nada nem ninguém está a ameaçar a Finlândia e que se trata de uma medida de segurança absolutamente redundante, porque não há nenhuma ameaça nem tensão nas fronteiras com a Rússia. Deixa também um aviso, Peskov à Finlândia: os finlandeses devem estar claramente conscientes de que este fecho de fronteiras representa uma ameaça para a Rússia.

E vamos terminar com os destaques da imprensa livre da Rússia. O canal Meduza diz que Putin não vai parar com a guerra, pelo menos até conhecer o resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Estão marcadas para novembro do próximo ano. É o que diz uma fonte do Departamento de Estado norte-americano, citada pela Reuters e também aqui pelo canal Meduza. Esta fonte falou sob anonimato, diz que Vladimir Putin não vai avançar para um acordo de paz com a Ucrânia, pelo menos até conhecer os resultados dessas eleições. São declarações que surgem numa altura em que também Donald Trump é candidato e já afirmou que está contra um apoio alargado dos Estados Unidos à Ucrânia nesta guerra. De resto, como tem acontecido sob a administração de Joe Biden, é aqui uma notícia em destaque no canal independente russo Meduza.

E é com essa notícia trazida à antena do Observador pelo Rui Casanova que fechamos mais um episódio de Guerra Traduzida. Estamos de regresso amanhã.