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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador e seguimos com a imprensa ucraniana, com a jornalista Diana Rosa. Os Estados Unidos vão disponibilizar até 100 milhões de dólares para restaurar a proteção de Chernobyl, danificada por drones russos.
E apelam aos parceiros do G7 que façam o mesmo. Em fevereiro do ano passado, a estrutura de aço instalada em 2016 para proteger o sarcófago que isola o reator nuclear situado na atual Ucrânia, e que explodiu em abril de 1986, foi perfurada por um drone russo. França, que este ano preside ao grupo dos sete países mais industrializados do mundo, indicou que o custo da reparação seria de cerca de 500 milhões de euros. Em comunicado, o Departamento de Estado norte-americano acredita que sem obras de reparação, a estrutura já não consegue assegurar uma proteção suficiente, o que faz pairar a ameaça de uma perigosa fuga de matéria altamente radioativa na Europa.
6 mil dos 90 mil milhões de euros do pacote de apoio à Ucrânia destinam-se, Diana, à compra de drones.
Informação dada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Depois do financiamento de 90 mil milhões ter sido desbloqueado, von der Leyen refere que a primeira metade, 45 mil milhões, vai ser desembolsada este trimestre, dois terços dos quais se destinam à defesa ucraniana. Diz von der Leyen que enquanto a Rússia duplica a sua agressão, a Europa duplica o apoio à Ucrânia.
Entretanto, as autoridades bielorrussas decidiram impedir a saída de cidadãos russos em idade de recrutamento, já notificados, Diana, para se apresentarem também ao serviço militar.
A decisão, revelada pelo meio independente Belsat, implica que a Bielorrússia e a Rússia partilham agora bases de dados de recrutamento, permitindo aos serviços de segurança bielorrussos identificar e deter pessoas que constam dessas listas. O Comitê Estatal de Fronteiras confirmou à Belsat que qualquer cidadão russo que tenha recebido uma convocatória não pode deixar nem a Rússia nem a Bielorrússia. Se o nome estiver na lista de restrições, a saída é automaticamente bloqueada. Se não constar, a passagem é autorizada, desde que a Rússia não tenha emitido uma proibição específica e a documentação esteja em ordem. As organizações de direitos humanos russas já tinham relatado casos em que recrutas impedidos de sair do país foram igualmente travados ao tentar sair através da Bielorrússia. A medida preocupa também ucranianos que vivem em territórios ocupados pela Rússia e que usam o corredor humanitário pela fronteira bielorrussa para fugir. Há especialistas que lembram que forçar civis de territórios ocupados a obter um passaporte russo e a registarem-se para o serviço militar viola as Convenções de Genebra e pode configurar um crime de guerra.
Tempo agora para falarmos de uma acusação por parte da Ucrânia. O visado é o ator de Hollywood Steven Seagal, acusado de receber armas de uma rede russa de tráfico ilegal.
Rede essa que as autoridades ucranianas dizem ter desmantelado. Fornecia armamento a figuras públicas e políticos pró-Rússia, entre eles o ator norte-americano Steven Seagal e o líder norte-coreano Kim Jong-un. A Polícia Nacional da Ucrânia explica que o esquema era obter armas em territórios ucranianos temporariamente ocupados pela Rússia e através de importações ilegais a partir da Eslováquia. A lista de destinatários inclui altos responsáveis russos e líderes estrangeiros, Kim Jong-un, Bashar al-Assad, Dmitry Medvedev, ex-presidente da Rússia, Sergey Lavrov, Steven Seagal, como dizias, a cantora Yulia Vycherova e outras personalidades conhecidas também naquela região do globo. Seagal, estrela de filmes de ação nas décadas de 1980, 1990, continuam a passar em repetição nos Hollywoods da nossa TV a cabo, tornou-se, entretanto, cidadão russo, aproximou-se de Vladimir Putin e tem defendido publicamente a invasão da Ucrânia. Esta investigação, aberta em janeiro, aponta para um grupo criminoso organizado, envolvido no contrabando, na modificação e na distribuição dessas armas, num circuito que ligaria zonas da Ucrânia sob ocupação russa a países da União Europeia.
E fica por aqui esta edição de "Guerra Traduzida", hoje com a jornalista Diana Rosa. Já sabe, se não ouviu desde o início em FM, pode ouvir-nos também em podcast. Amanhã há uma nova edição.
Até amanhã.