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Está na hora de traduzir a guerra. Vamos analisar a imprensa ucraniana de hoje e pra isso contamos com o jornalista Miguel Cordeiro. Boa tarde, Miguel.
Boa tarde.
Um programa que é feito-- bom ano. Bom ano também pra ti. Um programa que é feito em colaboração com a Tânia Olinyk, natural da Ucrânia. E Miguel, para começar esta primeira guerra traduzida do ano, o discurso de Ano Novo de Zelensky.
É um discurso com uma forte mensagem de agradecimento aos ucranianos, que olha para o que aconteceu em 2022 e lança 2023. Diz Zelensky: "2022 foi o nosso ano, o ano da Ucrânia, o ano dos ucranianos". O presidente recorda que a 24 de fevereiro, milhões de ucranianos fizeram uma escolha. Não querem uma bandeira branca, uma bandeira para tréguas, mas sim uma bandeira azul e amarela. Não querem uma fuga, mas sim um encontro com o que os desafia. Querem enfrentar o inimigo, resistência e luta. Zelensky explica que 2022 pode ser considerado como um ano de perdas pra Ucrânia, para toda a Europa, para o mundo inteiro, mas que isso está errado, que não devemos falar assim. Diz Zelensky: "Não perdemos nada, foi-nos tirado. A Ucrânia não perdeu os seus filhos e filhas. Eles foram levados por assassinos. Os ucranianos não perderam as suas casas. Foram destruídas por terroristas. Não perdemos as nossas terras. Foram invadidas por invasores. O mundo não perdeu a paz. A Rússia destruiu a paz". O presidente ucraniano diz que 2022 foi o ano em que a Ucrânia mudou o mundo e o mundo descobriu a Ucrânia. Diz ele: "Disseram-nos rendição, nós escolhemos contra-ataque. Disseram-nos para fazer concessões e compromissos. Estamos a juntar-nos à União Europeia e à NATO". Zelensky olha depois para 2023 e diz: "Quero desejar a todos nós uma coisa: vitória. E isso é o principal. Um desejo para todos os ucranianos: que este ano seja o ano do retorno, o retorno do nosso povo, soldados para as suas famílias, prisioneiros para suas casas, imigrantes para a sua Ucrânia, a devolução das nossas terras. Queremos voltar à vida normal, aos momentos felizes, sem qualquer toque de recolher obrigatório, para termos alegrias sem ansiedades aéreas. Queremos que nos devolvam o que nos foi roubado. Queremos a infância dos nossos filhos, a velhice tranquila dos nossos pais. Que o Ano Novo traga tudo isto. Estamos prontos para lutar por isso. É por isso que cada um de nós está aqui. Estou aqui, estamos aqui, vocês estão aqui, todo mundo está aqui, somos todos Ucrânia. Glória à Ucrânia", mensagem de Zelensky.
Indiferente à mensagem do presidente ucraniano, a Rússia não abranda e ataca a Ucrânia com drones durante o primeiro dia do ano, Miguel.
Os russos lançaram um grande número de drones sobre a Ucrânia. As forças ucranianas e os meios de defesa aérea garantem que destruíram 100% dos drones inimigos lançados pelos ocupantes russos no território da Ucrânia. Yuriy Ignat, porta-voz do Comando das Forças Aéreas das Forças Armadas da Ucrânia, falou sobre isto esta manhã à imprensa ucraniana. Ele explica que as forças de defesa destruíram todos os drones Shahed e também drones Orlan-10 e X-59, drones lançados pela Rússia. Ignat também disse que durante o último ataque, os russos lançaram um número maior de drones sobre a Ucrânia. Ele explica que o último ataque não foi diferente, foram destruídos 100% dos drones e agora exatamente o mesmo, 100% dos drones foram destruídos nas diferentes regiões do país.
A Ucrânia diz, entretanto, que a Rússia começou o ano com a perda de 720 militares.
Isso mesmo. No primeiro dia de 2023, os defensores da Ucrânia mataram aproximadamente 700 invasores russos e destruíram 44 drones inimigos. A Federação Russa também perdeu outros seis sistemas de artilharia e nove veículos blindados de combate na guerra. É assim que começa o artigo da Pravda ucraniana, que cita os cálculos do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, divulgados esta manhã. Está escrito que o inimigo sofreu as maiores perdas nas direções de Lyman, Bakhmut e Avdiiv. Com isto, o número de militares russos que já morreram desde o início da guerra ascende a cerca de 107 mil. Isto, claro, de acordo com as contas da Ucrânia.
Em Kiev, a capital ucraniana, foi detido um homem por ter usado fogo de artifício durante a passagem de ano.
A polícia teve esse homem de Kiev que desrespeitou a proibição da utilização de produtos pirotécnicos durante a lei marcial. Ou seja, em período de guerra, com lei marcial completamente proibida a utilização de produtos pirotécnicos, este homem decidiu lançar fogo de artifício. Claro, foi detido. Na véspera de Ano Novo, apesar dos repetidos avisos das agências de aplicação de lei, das autoridades, sobre a proibição do uso de produtos pirotécnicos durante a lei marcial, este morador de Kiev decidiu na mesma lançar fogo de artifício. Foi relatado no serviço de imprensa da Polícia de Kiev o vídeo de Ano Novo no distrito de Podilskyi. E esse vídeo onde se vê o fogo de artifício a ser lançado foi distribuído em vários canais Telegram. Depois de receber denúncias de cidadãos sobre a violação da proibição do uso de produtos pirotécnicos, os policiais imediatamente iniciaram as buscas pra perceber quem seriam as pessoas envolvidas. A polícia estabeleceu que o fogo de artifício foi lançado num pátio residencial na Rua Kostiantynivska. Os investigadores recuperaram um lançador utilizado no local. O suspeito foi identificado como um homem de 47 anos, um homem de Kiev. Uma busca de emergência foi realizada no apartamento deste homem. Foram encontradas as provas. Os policiais do departamento de Podilskyi iniciaram um processo criminal. Este homem enfrenta agora pena de prisão por um período de até cinco anos, foi dito pelo serviço de imprensa da polícia.
Com data anunciada, o inverno rigoroso chega esta semana à Ucrânia.
A temperatura começa a baixar de forma acentuada já no dia 4 de janeiro, quarta-feira. Esperam-se fortes geadas, também nevões na Ucrânia. Isto foi dito ao portal TSN pelo meteorologista nacional Stanislav Shchedrin. Ele diz: "A partir de 4 de janeiro, quarta-feira, as temperaturas vão baixar para um a cinco graus positivos, com muita chuva e às vezes com granizo em todo o país. A partir de 6 de janeiro, sexta-feira, a temperatura do ar vai cair significativamente nas regiões de nordeste. À noite, podem chegar a 17 ou 20 graus negativos. No oeste da Ucrânia vai ser um pouco mais quente, e um pouco mais quente é de 10 a 13 graus negativos. No resto do território da Ucrânia, a temperatura vai variar entre os 10 e os 16 graus negativos a partir de sexta-feira". Frio, muito frio para começar o ano na Ucrânia.
É de casaco, luvas e gorro que terminamos esta guerra traduzida com análise à imprensa ucraniana de segunda-feira, 2 de janeiro.