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6 de Maio, sexta-feira. Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos olhar para a imprensa da Rússia com a ajuda da Larissa Tovmazin. Larissa, bem-vinda. Hoje começamos com declarações de Lavrov, diz que nenhuma sanção vai quebrar a Rússia.

Hoje a nossa primeira notícia é estatal. Vesti cita a ministra dos Negócios Estrangeiros, Lavrov, que diz que o castigo e as sanções não conseguem nem vão quebrar as vontades do povo russo nem do governo russo. Acrescenta ainda que a Rússia não aceitará que nas fronteiras do país surjam ameaças para a segurança nacional. Lavrov considera que neste momento está a decorrer uma guerra propagandista contra a Rússia, que se relaciona com todos os russos, mesmo os que não residem em território russo.

São declarações de Lavrov a olhar para essas sanções. Diz que nenhuma sanção vai quebrar a vontade do povo russo nesta intervenção militar, a deixar essa garantia que a Rússia consegue dar resposta às sanções. E é precisamente disso que vamos continuar a falar, porque de facto hoje temos várias notícias sobre como a Rússia está, de certa forma, a contornar as sanções. E vamos olhar, por exemplo, para telemóveis, neste caso os telemóveis da Apple, os iPhones, estão a conseguir ser vendidos na Rússia num sistema meio paralelo.

Telemóveis e não só. Os empresários russos começaram a importar para a Rússia produtos de marcas ocidentais que anteriormente tinham sido expulsas do mercado russo. Já está à venda, como disseste, o iPhone SE de 2022. A marca Samsung também está de volta, pouco a pouco a entrar no país. Por sua vez, o portal da Ria avança com a notícia de que o Ministério da Indústria e Comércio aprovou a lista de mercadorias para a importação paralela.

Sim, isto acontece porque já no mês de março o governo russo conseguiu legalizar a importação de mercadorias sem autorização do detentor dos direitos, ou seja, sem autorização das marcas. Portanto, através de importações paralelas de outros países que não aplicam sanções à Rússia, a Rússia está a conseguir ter acesso a vários produtos. Estamos aqui a falar de telemóveis, mas há muitos outros produtos que chegam à Rússia através desse sistema.

Esta ordem é publicada no site do governo. Trata-se de marcas e produtos que não necessitam da autorização do autor, ou seja, não violam direitos de autor. Entre outras coisas, a lista inclui peças de reposição para carros estrangeiros, equipamentos fotográficos e cinema, instrumentos médicos, relógios, instrumentos musicais, produtos de cosmética, etc. E o portal Argumentos e Factos avança com a mesma notícia. Isto tem sido a principal notícia e penso que uma grande felicidade para alguns russos.

Sim, uma maneira de contornar. Ainda assim, vamos olhar aqui, por exemplo, para a Google, que de forma a contornar um pouco isto, porque sabendo que isto está a acontecer, estes serviços, estas operadoras podem ainda tentar tornar os equipamentos obsoletos. E vamos olhar, por exemplo, para a Google, que vai proibir a utilização de aplicações pagas, ou seja, vai impedir que sejam feitos pagamentos na App Store a partir da Rússia, o Google Play desaparece da Rússia, portanto, apenas ficam disponíveis aplicações gratuitas.

Ou seja, os donos das aplicações pagas são proibidos de descarregar as suas aplicações na Rússia, bem como as suas atualizações. Ou seja, as assinaturas e subscrições que já foram pagas vão ser válidas até o final do período que a aplicação tinha especificado e de seguida vão ser canceladas. A empresa acrescenta que as aplicações gratuitas vão estar disponíveis por enquanto. E tal como disseste, no âmbito destas restrições, o Ministério do Desenvolvimento Digital criou um programa análogo que se chama NashStore. É realizado pela empresa VK, que é uma rede social russa, e o lançamento da primeira versão está previsto para finais de maio.

Portanto, vamos ver o que acontece também com essa nova espécie de App Store. Para já, temos a Google a impedir tudo o que é a utilização de aplicações pagas, porque o Google Play desaparece da Rússia. Avançando, temos uma reação do Kremlin, está hoje na RT, na Russian Today, essa agência russa estatal, claramente estatal. O Kremlin responde a Lukashenko, que ontem, numa entrevista, falámos disso aqui, disse que a guerra estava a demorar mais do que seria previsto. Ora, o Kremlin quis responder.

E responde de uma forma muito breve. Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, disse que a operação está a decorrer conforme planeado. Ponto. E é isto. Talvez tenham guardado a opinião para uma outra ocasião, mas neste momento estas foram as palavras acerca da entrevista dada por Lukashenko.

Portanto, Peskov diz que não há demora nenhuma, está tudo a correr como estava previsto.

Exactamente. Só que, contudo, Peskov mostra-se mais falador na notícia seguinte. Temos aqui uma notícia da Ren TV que diz que o Kremlin diz que tem provas de que a tragédia de Bucha foi uma coisa encenada.

Sim, olha, basicamente para aquilo que são as imagens que chegaram a partir de Bucha, principalmente numa fase inicial, o discurso do Kremlin logo nessa altura foi de que tinha sido encenado e agora, já passando praticamente um mês, diz este porta-voz do Kremlin que tem mesmo provas, que já conseguiram recolher provas concretas de que tudo isto foi encenado.

Diz ele aos jornalistas que muito brevemente o Kremlin irá apresentar provas de que os acontecimentos na cidade de Bucha são nada mais do que uma encenação. E diz ele também: "Está certo e bem argumentado que se trata de uma invenção e encenação propositada." E temos aqui um pequeno excerto do comentário de Peskov. É precisamente isto que ele diz, que é uma invenção e uma encenação propositada. A Ren TV diz ainda que na entrevista que Lukashenko deu e que acabamos de mencionar, ele indicou que os cidadãos do Reino Unido gravavam a encenação em Bucha e depois inseriam nas plataformas digitais.

Reação de Peskov ainda sobre a situação em Bucha. Temos o porta-voz do presidente, o porta-voz do Kremlin, a reagir a esses eventos e a reforçar e dizer que o Kremlin tem provas de que aquilo que aconteceu em Bucha, as imagens que chegaram de Bucha, terão sido encenadas. Terminamos assim a Guerra Traduzida de hoje com um olhar para a imprensa russa, com a ajuda da Larisa Tovmasian.