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Guerra traduzida na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana em tempo de guerra com a jornalista Diana Rosa. Diana, boa noite. Vamos começar com a imprensa da Rússia e com uma promessa do Kremlin: Moscou vai devolver todas as terras historicamente russas ao seu lar legítimo.

Essa expressão utilizada pelo ministro russo dos negócios estrangeiros é o que garante e promete o diplomata, que sublinhou que os direitos linguísticos, culturais e religiosos dos que permanecem sob a autoridade de Kiev devem ser restaurados. Sergey Lavrov falou no âmbito do Dia do Trabalhador Diplomático na Rússia. Diz que os povos da Crimeia, do Donbass e Novorossia expressaram a vontade de pertencerem à Rússia através de referendos, que sabemos como é que funcionaram. Lavrov diz que conclui-se que o processo de devolução destas terras historicamente russas ao seu porto natural, em plena consonância com as aspirações desses povos. Diz ainda que é preciso proceder à erradicação de outra causa fundamental do conflito: a ameaça militar à segurança nacional da Rússia, uma ameaça que diz que é proveniente da Ucrânia.

E a Hungria, Diana, considera que a intenção da União Europeia de aplicar um novo pacote de sanções à Rússia é um ultraje.

Sanções essas contra o setor energético russo. Péter Szijjártó não acredita que as sanções ocidentais possam influenciar a Rússia. Diz o ministro húngaro dos negócios estrangeiros que a Europa está assolada pelo fanatismo militar e pelas sanções. Defende que as empresas em causa, a Rosatom, a Gazprom e a Lukoil, são empresas energéticas russas cuja cooperação é crucial para a Hungria, tanto em termos de segurança energética como para a manutenção de preços baixos dos serviços públicos. De acordo com Péter Szijjártó, essas sanções têm como resultado uma Hungria impossibilitada de comprar combustível nuclear da Rússia para a central de Paks, na Hungria, assim como continuar a construção da nova central ou até receber petróleo e gás da Rússia, praticamente a partir do dia em que tal decisão for tomada. É, de resto, esse o objetivo, supostamente, mas a Hungria diz que não pode permitir.

Seguimos com uma garantia do Kremlin. As relações entre a Rússia e a Coreia do Norte atingiram um novo patamar.

Na voz do encarregado de negócios russo, Vladimir Topeka sublinha a cooperação com o que diz ser o principal parceiro. As relações com Pyongyang assumiram, de facto, uma nova natureza. A Coreia do Norte foi o único país, diz a Rússia, que ofereceu assistência fraterna e aliada, em conformidade com o tratado de parceria estratégica, com ações concretas e não apenas com palavras. E isto ajudou a Rússia a libertar a região de Kursk dos militares ucranianos e contribuiu significativamente para a criação de condições para que a região voltasse à normalidade. É o que afirma o diplomata, que lembra que Moscou e Pyongyang têm posições idênticas ou muito próximas em questões de agenda global e regional. Estão ligadas por uma confiança mútua comprovada pelo tempo.

E é assim que fechamos esta primeira parte da guerra traduzida. Voltamos já a seguir para saber o que conta a imprensa ucraniana.