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"Guerra Traduzida", da Rádio Observador. Eu sou o Ricardo Conceição e comigo tenho a jornalista Diana Rosa. Bem-vinda, Diana.
Boa tarde.
Vais começar pela imprensa russa no dia em que arranca o julgamento no âmbito do ataque à sala de concerto Crocus em Moscovo, um ataque terrorista que foi levado a cabo no início do ano passado e que deu muito que falar.
Sentam-se no banco dos réus 19 pessoas. Lembro que o Estado Islâmico reivindicou o ataque que matou perto de 150 pessoas, deixou mais de 600 feridas, quase metade das vítimas morreu por inalação de fumo, na sequência de um incêndio, é o que adianta a agência TASS. Quatro dos arguidos, identificados como cidadãos do Tajiquistão, estão acusados de executar o ataque. À exceção de um, os outros três declararam-se culpados. Há ainda 15 pessoas acusadas de cumplicidade com os agressores. O julgamento está a ser realizado no Tribunal de Moscovo por um colectivo de juízes do Tribunal Militar Ocidental. Decorre à porta fechada esta sessão. A investigação adianta que o ataque foi realizado a pedidos da Ucrânia, com o objectivo de destabilizar a Rússia, uma alegação que é rejeitada por Kiev. Os supostos atiradores tentaram fugir para a Ucrânia depois do ataque, mas foram capturados perto da fronteira.
E os militares ucranianos têm uma nova ferramenta poderosa contra os ataques de drones russos. Diana, estamos a falar de uma poderosa ferramenta que, no fundo, são redes de pesca?
É verdade, é um artigo do jornal Meduza. Nada melhor do que ver as imagens, claro. Os túneis feitos com estas redes que aparentemente reduzem, de forma significativa, o sucesso dos ataques com drones. No leste e no sul da Ucrânia, há redes a serem estendidas sobre as cidades, estradas, postos de controlo e também posições de artilharia. É o caso de Zaporíjia, por exemplo. Algumas destas redes são feitas à mão por ucranianos, outras foram enviadas por empresas europeias. Só que, Ricardo, em vez de capturar peixes, capturam drones russos. Os militares ucranianos chamam-lhes corredores antidrones. Dizem que são baratos, eficazes. O exército está a planear estender estes corredores ao longo de rotas importantes em toda a linha da frente. São imagens que estão, como dizia, no jornal Meduza.
Entretanto, em Kursk, na fronteira da Rússia com a Ucrânia, foi aberto um processo judicial sobre um caso de alegada tortura de crianças num jardim de infância.
Alegadamente, os educadores espancavam crianças e obrigavam-nas a lutar entre si. A informação foi divulgada pelo serviço de imprensa do Comitê de Investigação da Rússia para a região de Kursk. A polícia foi contactada pelos pais, que se aperceberam das marcas no corpo dos filhos. Neste momento, decorrem as investigações. Há, no entanto, relatos de educadores de infância que chegaram a agredir crianças enquanto dormiam a sesta. Está por saber se este estabelecimento foi encerrado ou continua a funcionar. É a informação que consta do artigo do Komsomolskaya Pravda.
Neste episódio, estamos a olhar para o que se escreve na imprensa russa e precisamente a imprensa russa dá destaque ao conflito no Médio Oriente, até porque a embaixadora israelita em Moscovo afirma que as probabilidades de haver um acordo entre Israel e o Hamas, diz a embaixadora, Diana, são quase zero.
Ainda na semana passada, a delegação israelita voltou ao Catar, onde estão a ser mediadas as negociações, e foi transmitido que é extremamente improvável que se chegue a um consenso. No entanto, a representante da missão diplomática israelita considera que até ao final do ano pode haver uma solução adoptada entre os dois lados. Sabemos que há vários países ocidentais que se preparam para reconhecer o Estado palestiniano. Portugal é um deles. Vamos ver o que vai acontecer a partir dessa altura, se há ou não mudanças. A pouca esperança de um acordo não é só de Israel, é também do Hamas, a partir de o momento em que o líder do grupo extremista em Gaza diz que as negociações são inúteis, tendo em conta o bloqueio israelita de ajuda humanitária com pessoas a morrer à fome. É uma notícia da TASS.
A jornalista Diana Rosa, com o que se vai escrevendo na imprensa russa. No outro episódio do dia, da "Guerra Traduzida", olhamos para o que se escreve na imprensa ucraniana.