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É a Guerra Traduzida na Rádio Observador, o espaço onde olhamos em detalhe para a imprensa russa e para a imprensa ucraniana em tempo de guerra. Eu sou o João Gama, comigo, de regresso, está a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde, tudo bem? Contigo também?

Também estou ótima. Estive muito bem estas férias.

Ainda bem. Vamos olhar para o que dizem, Diana, os jornais russos. Vamos começar esta guerra traduzida pela Rússia. O Kremlin diz que a NATO está a lutar contra a Rússia ao dar uma ajuda direta e indireta à Ucrânia.

Sim, Vladimir Putin e a respectiva equipe consideram que a Aliança Atlântica está envolvida neste conflito, envolvida diretamente, como disseste. A mensagem foi hoje reiterada pelo porta-voz da presidência russa. Em declarações à TASS, Dmitry Peskov salienta que o país não vai deixar sem resposta esta medida que prevê a apreensão de bens do país. É a reação do Kremlin à proposta de Ursula von der Leyen, que quer que a União Europeia encontre uma nova forma de financiar a defesa da Ucrânia, utilizando o saldo em dinheiro associado aos ativos russos congelados na Europa. Moscovo acredita ainda que o sistema financeiro ocidental vai ficar prejudicado com a expropriação dos capitais russos congelados pelos Estados europeus.

E na mesma linha, Diana, o antigo presidente da Rússia deixa uma ameaça ao Ocidente.

Dmitry Medvedev avisa que a Rússia vai atrás de qualquer Estado que tente apoderar-se dos ativos financeiros russos. O ex-chefe de Estado, que desempenha atualmente funções de vice-presidente do Conselho de Segurança do país, diz que a Rússia vai atrás, e atenção, para sempre, do que chama de "degenerados de Bruxelas" e dos países que tentem apoderar-se de propriedades do Estado russo. De todas as formas possíveis, diz ele numa publicação no Telegram, acrescenta que sem extinguir as reclamações contra eles por prescrição ou limitação aquisitiva, bem como sem prazo de prescrição para a responsabilidade criminal por crimes internacionais em todos os tribunais, quer internacionais, quer nacionais, eles vão atrás de quem quer que seja do lado da Europa.

E Diana, a Rússia foi ontem a eleições regionais, cantaram vitória os governadores pro Kremlin.

Que admiração, não é, João? Foi de facto uma vitória arrebatadora por parte do partido Rússia Unida, o partido de Putin. A própria imprensa russa diz que este resultado foi pouco surpreendente. É o caso do artigo que podemos ler no Moscow Times. Mais de 45 mil lideranças foram a votos em todo o território, incluindo 19 governos estaduais, 11 legislaturas regionais e 25 autarquias. O resultado desta ida às urnas vai servir quase como uma sondagem para as eleições legislativas do próximo ano na Rússia, nas quais o presidente do Rússia Unida, que neste caso é Dmitry Medvedev, espera que o partido comece a preparar-se imediatamente para esse ato eleitoral e alcance os melhores resultados. Nas regiões que fazem fronteira com a Ucrânia, onde os ataques ucranianos e russos são mais frequentes, venceu este partido com uma ampla margem. Dou-te o exemplo da região de Kursk, que foi há pouco mais de um ano invadida pela Ucrânia. O governador obteve 87% dos votos. É uma autêntica razia, podemos dizer assim. O Rússia Unida, partido de Putin, perdeu representação em algumas localidades com menos importância estratégica, como a Sibéria e o Extremo Oriente do país. Vinte e seis milhões de pessoas votaram potencialmente, um milhão e meio votou online. O Kremlin diz que as eleições foram um sucesso, claro está.

Outra das notícias em destaque nos jornais russos, Diana, é que o tribunal condenou à revelia os membros da banda Pussy Riot. Vão ter de cumprir penas de prisão que vão desde os oito aos 13 anos de prisão.

Sim, foram condenadas pelo tribunal de Moscovo. As integrantes das Pussy Riot foram consideradas culpadas de difundir informação falsa sobre o exército russo durante a invasão à Ucrânia. Elas que têm sido umas ativistas contra o governo, contra a presidência do próprio país. As cinco elementos da banda punk russa estão, no entanto, fora do país, ou seja, se lá voltarem, já sabemos o que acontece. O tribunal proibiu ainda as cinco mulheres de administrarem páginas na internet durante um período entre quatro e cinco anos, acabaram-se as redes sociais, embora todas tenham sido condenadas à revelia, sem estarem presentes em tribunal.

E a Ucrânia mostrou aos Estados Unidos os depósitos minerais que podem servir como potencial condição para um acordo de recursos entre estes dois países.

Sim, e em troca, a administração norte-americana compromete-se a ajudar na reconstrução da Ucrânia. As duas delegações visitaram vários locais, foi o que anunciou hoje o ministro ucraniano da Economia, Meio Ambiente e Agricultura. Alexey Sobolev diz que a primeira visita com parceiros americanos às instalações de Kirovograd serviram para avaliar as oportunidades de investimento em minerais. Os representantes dos dois países estiveram também a inspecionar a planta de mineração e processamento de Birzhulovsky, onde estão a ser feitas, João, as extrações de titânio.

Não sai daí, porque voltamos já a seguir para saber o que dizem os jornais ucranianos.