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"Guerra Traduzida", 27 de fevereiro de 2025. Falamos nos próximos minutos do que dizem hoje os meios de comunicação russos e ucranianos. Conosco está a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.
Boa tarde, Miguel.
Vamos começar hoje pela imprensa russa e pela segunda ronda de negociações entre os Estados Unidos da América e a Rússia. Decorrem hoje estas negociações na Turquia.
A delegação russa chegou esta manhã à residência do Cônsul-Geral dos Estados Unidos, em Istambul. Os representantes dos dois países tinham-se encontrado há alguns dias em Riade, na Arábia Saudita. Mais uma vez, a Ucrânia não foi convidada a participar na reunião. De acordo com a Agência TASS, este segundo encontro não vai incluir discussões sequer sobre a guerra. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo afirmou que a conversa vai focar-se nos trabalhos das embaixadas. A reunião vai ser realizada à porta fechada. O chefe da diplomacia de Moscovo afirma que a delegação russa vai incluir diplomatas e especialistas de alto nível, sem, no entanto, indicar quaisquer nomes. Em discussão vão estar problemas sistémicos que se acumularam como resultado das actividades ilegais da administração anterior dos Estados Unidos, nas palavras da Rússia, para criar obstáculos artificiais às actividades da embaixada russa, levando Moscovo a responder na mesma moeda. É certo que a administração Biden cortou a maioria dos contactos oficiais com a Rússia depois do início da guerra, numa tentativa de isolar Vladimir Putin no cenário global. Estou aqui a citar Sergei Lavrov.
Sobre estes encontros entre os Estados Unidos da América e a Rússia, Vladimir Putin diz que a renovação do contacto entre os dois países traz esperança e um desejo mútuo de restabelecer a cooperação.
Em declarações esta manhã numa reunião do Serviço de Segurança Federal, o presidente russo sublinha que é visível a velocidade como o mundo está a mudar e a esse respeito acredita que é um bom sinal para todos a forma como os Estados Unidos estão a aproximar-se da Rússia. Para Putin, há uma dedicação mútua para trabalhar no sentido de restaurar as relações interestatais e resolver gradualmente o enorme volume de problemas estratégicos acumulados na arquitetura global. Putin reitera, de resto, que foram justamente esses problemas que provocaram tanto a crise ucraniana quanto outras crises regionais.
Nesta mesma reunião com as forças de segurança, o presidente russo ordenou novas medidas para proteger a fronteira da Rússia.
Putin diz que está preocupado em garantir a segurança dos cidadãos, principalmente nas áreas de fronteira, protegê-los de terroristas, como é o caso, diz Putin, da Ucrânia.
O mais importante, como sempre, é proteger os nossos interesses nacionais, a soberania, a vida e a liberdade dos nossos cidadãos de qualquer ameaça. Por isso, o FSB precisa de trabalhar de forma contínua, antes de tudo, na luta contra o terrorismo internacional. Noto que, no último ano, a quantidade de crimes terroristas aumentou e mais de metade foram planeados e organizados pelos serviços especiais e pelos apoiantes da Ucrânia. O FSB, com a coordenação do Comitê Nacional Antiterrorista, deve usar o máximo de forças possível. Deve ser dedicada especial atenção a meios preventivos e aumentar a defesa antiterrorista, principalmente nas regiões do Donbass e da Novorossia. Temos de combater o extremismo e prevenir qualquer tentativa de desintegrar e dividir a nossa sociedade.
Nesta reunião, Putin descreveu o FSB como um elo forte e confiável na segurança nacional. O chefe de Estado destacou o alto nível de trabalho do departamento no cumprimento das tarefas exigidas no ano passado e agradeceu aos funcionários das secretas pelo profissionalismo, determinação e dedicação. É um registo do Izvestia.
Passamos para uma sondagem publicada pelo Moscow Times. Mais de metade dos russos acredita que a vida piorou desde que começou a guerra na Ucrânia.
O estudo foi feito pelo projeto independente Chronicles. A pesquisa foi realizada durante este mês. Cinquenta e quatro por cento dos entrevistados relataram efeitos adversos do conflito, enquanto apenas 9% disseram que a guerra trouxe benefícios. Um terço das pessoas disse que não notou nenhum impacto significativo. O que se destaca desta sondagem, Miguel, é a crescente insatisfação pública com as consequências económicas e sociais da guerra na Rússia. Não da guerra na Rússia, mas das consequências na Rússia. Quase 40% das pessoas viram a carteira ser afetada com a continuação do conflito. Muitas foram forçadas a trabalhar mais horas para sustentar a casa, até porque, como sabemos, grande parte do orçamento da Rússia neste momento vai para a defesa. E relativamente aos russos que apoiam a invasão, neste momento são 52% que apoiam. O resto não apoia, os restantes 48%. É um país que, portanto, está praticamente dividido ao meio nesta matéria. Um dos principais pontos de discórdia é se as forças russas devem retirar-se da Ucrânia sem atingir os objetivos estabelecidos pelo governo. Mais de 40% apoiam, sim, uma retirada.
Destaques da imprensa russa.