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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Passamos agora em revista os destaques da imprensa russa com o Martim Madeira. Vladimir Putin garante que o Estado russo tem condições para gerir o défice público.

É uma informação do jornal The Moscow Times, que dá hoje destaque às declarações de Vladimir Putin sobre a estabilidade das contas públicas da Federação Russa. O presidente russo afirmou que o défice do orçamento federal registou uma subida de 40% no primeiro semestre deste ano, fixando-se agora em cerca de 2,8% do Produto Interno Bruto do país. Apesar de os gastos militares estarem a colocar uma enorme pressão sobre a população, Putin assegurou que o governo dispõe de todos os mecanismos financeiros necessários para equilibrar a oferta e a procura. Moscovo insiste que a economia russa mantém a resiliência e que as autoridades russas vão continuar a implementar medidas para apoiar o mercado interno sem sobressaltos.

Martim, Putin avisa as empresas de que devem proteger as instalações de ataques de drones ucranianos.

Segundo avança a agência oficial estatal TASS, durante a participação no Fórum Económico Oriental, em Vladivostok, o presidente Vladimir Putin confirmou que as empresas russas são agora legalmente obrigadas a proteger as próprias infraestruturas de ataques ucranianos. Putin explicou que, dada a frequência das incursões de drones ucranianos contra o território da Federação Russa, o setor privado deve agora investir ativamente em sistemas de defesa e segurança interna para blindar as instalações. Ao mesmo tempo e também no plano diplomático, o líder russo reiterou no fórum que qualquer processo sério de negociação para pôr fim ao conflito deve ser alcançado de forma direta entre a Rússia e a Ucrânia, sem imposição de mediadores externos.

E seguimos com a notícia de que a Rússia ordenou o encerramento de todas as filiais do Instituto Goethe no país.

A agência estatal TASS relata as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, sobre as novas sanções diplomáticas e culturais aplicadas à Alemanha. O governo de Moscovo determinou o encerramento formal de todas as delegações do Goethe-Institut em território russo, uma resposta direta à decisão anterior de Berlim de encerrar a Casa da Rússia e o Consulado-Geral russo em Bona. Isto porque a Alemanha acusou a Rússia de uma tentativa de ataque no aeroporto de Leipzig. Lavrov criticou de forma muito contundente as medidas aplicadas pela diplomacia alemã, sublinhando que Berlim tomou esta decisão de forma consciente e com a perfeita noção de que isso ditaria o fim inevitável do intercâmbio cultural e da presença diplomática alemã na Rússia.

E um general russo associado a bombardeamentos foi baleado na região de Saratov.

De acordo com o jornal The Moscow Times, um general da divisão das Forças Aeroespaciais Russas foi baleado e ferido com gravidade na região de Saratov. Apesar de o Ministério da Defesa russo não ter revelado formalmente a identidade da vítima, alguns canais locais e relatórios independentes confirmam que se trata do major-general Nikolai Varparkovich, comandante de uma divisão de bombardeiros estratégicos. Varparkovich tinha sido recentemente associado por fontes ucranianas ao planeamento de ataques de longo alcance contra infraestruturas civis na Ucrânia. As autoridades russas estão agora a investigar o caso como uma tentativa de assassinato cirúrgico contra o alto comandante militar russo.

Martim, o governo de Moscovo assume o controle administrativo da fabricante Ventprom.

O jornal The Moscow Times noticia que o governo russo emitiu um decreto de emergência para assumir o controle administrativo direto desta empresa, Ventprom. A Ventprom é uma fabricante estratégica que fornece os sistemas de ventilação para as redes de metrô e subterrâneo de várias cidades russas, além de prestar serviços cruciais a gigantes privadas do setor energético e mineiro, como por exemplo a Lukoil e a Rosala. Esta expropriação enquadra-se no esforço que o Kremlin tem vindo a fazer para colocar as empresas e os setores industriais fundamentais sob a alçada do Estado, garantindo assim a continuidade operacional sobre algumas regras rígidas da economia de guerra.

Fica por aqui mais uma edição da "Guerra Traduzida", hoje com o jornalista Martim Madeira.