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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com a jornalista Laura Figueiredo. Boa noite, Laura.
Boa noite, António.
Vamos então começar pela imprensa russa. Vladimir Putin não reconhece que existem falhas de combustível e filas para abastecer na Rússia.
A economia de guerra russa está agora a enfrentar novos entraves operacionais neste sector dos transportes. O jornal russo Kommersant revela que várias companhias aéreas do país estão a ser forçadas a aumentar significativamente o número de aviões parados nas pistas. O motivo prende-se com o impacto cumulativo e severo das sanções internacionais que estrangularam o acesso a peças de substituição originais e que impossibilitam assim os serviços de manutenção técnica regular exigidos pelos fabricantes ocidentais. A situação começa agora a comprometer seriamente as ligações aéreas domésticas dentro da Federação Russa, ilustrando o preço que o país continua a pagar pelo prolongamento do esforço de guerra em território ucraniano.
Laura, um homem foi preso por ameaçar Vladimir Putin.
Alexander Lunin, um ex-combatente russo de 39 anos, foi condenado a uma pena de 15 dias de prisão por ter exibido símbolos considerados extremistas. A decisão foi divulgada por um tribunal da região de Voronezh, citado pela imprensa internacional. O homem publicava nas redes sociais vídeos em que denunciava alegados atos de violência por parte do exército russo e pedia consistentemente uma audiência com o presidente Vladimir Putin. Nestes vídeos, o ex-combatente garantia saber de casos de extorsão e violência dentro do exército e chegou mesmo a falar em consequências graves se não conseguisse falar diretamente com o chefe de Estado. Já de acordo com a esposa de Lunin, a casa do casal foi revistada depois de o marido ter partido para Moscovo. Ora o Kremlin, através do porta-voz Dmitry Peskov, recusa comentar estes vídeos, mas afirma que Vladimir Putin não viu o conteúdo. Segundo Peskov, o ex-combatente fazia declarações com formulações bastante estranhas.
E seguimos agora com o Museu Hermitage, que cancelou todas as expedições na Crimeia por motivos de segurança.
O prestigiado Museu de São Petersburgo anunciou o cancelamento de todas as expedições arqueológicas previstas para a península da Crimeia. Esta decisão, amplamente reportada pela imprensa russa, deve-se ao agravamento da situação de segurança na região ocupada. A Crimeia tem sido alvo de crescentes ataques aéreos e de drones ucranianos, o que levou as autoridades locais a declarar estado de emergência para gerir a escassez de combustível e também os cortes de energia. O cancelamento destas actividades culturais e científicas reflecte o impacto directo da guerra na vida quotidiana e também institucional da península, num momento em que a infraestrutura logística da região enfrenta uma pressão sem precedentes.
São estas então as principais notícias dos jornais russos. Voltamos a seguir com a imprensa ucraniana.