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Guerra traduzida na Rádio Observador, o espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Diana Rosa, muito boa noite.

Boa noite, João.

Começamos pela imprensa de Moscovo. Moscovo precisamente acusa Kiev de criar riscos no setor nuclear e aponta para centrais que estão alegadamente sob ameaça.

A Ria Novosti abre o dia com declarações duras do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que acusa a Ucrânia de ser quem cria riscos na esfera nuclear e não a Rússia. A porta-voz Maria Zakharova reage aos alertas de Kiev e de aliados ocidentais sobre a segurança das centrais nucleares, devolvendo as críticas. De acordo com Moscovo, são as ações ucranianas em torno das instalações, como a central de Zaporíjia, que aumentam o perigo ao lançarem ataques de drones e incursões nessa zona. A imprensa russa sublinha que o Kremlin se apresenta como o garante da segurança da central, acusando a Ucrânia de explorar o tema nuclear para mobilizar mais apoio internacional e sanções contra Moscovo. Analistas citados por jornais como o Kommersant reforçam a narrativa de que qualquer incidente grave poderia ser responsabilidade direta de Kiev, numa tentativa de inverter a percepção internacional sobre quem coloca a Europa em risco.

O Kremlin aponta a corrupção em Kiev como justificação para ceticismo europeu na hora de travar a adesão da Ucrânia à União Europeia.

Outro tema forte na Ria Novosti e em jornais próximos do Kremlin é a leitura de que a Europa não quer a Ucrânia na União Europeia por causa da corrupção em Kiev. A Ria cita o Economist para dizer que vários Estados-membros têm reservas profundas quanto à capacidade da Ucrânia de cumprir critérios de Estado de direito e de governação, apesar do discurso público de apoio à integração. A imprensa russa amplifica estes sinais de ceticismo como uma prova de que as promessas feitas a Kiev desde 2022 eram vazias e sempre condicionadas. Há comentadores políticos que insistem que, mesmo que a guerra termine, a adesão pode arrastar-se durante anos, confrontando-se com resistências ligadas ao tamanho do país, aos custos da reconstrução e ao peso da corrupção, que é, de resto, um dos maiores problemas da Ucrânia para esta adesão. Ao mesmo tempo, os media lembram que Kiev continua sem calendário claro de entrada na NATO, apresentando a situação como um impasse estratégico que enfraquece a Ucrânia e confirma a visão russa de um Ocidente dividido.

Diana, o Kommersant relata ataques ucranianos a Tuapse e acusa Kiev de tentar travar as exportações de petróleo russo.

O jornal económico destaca hoje as declarações do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sobre o ataque ucraniano a essa região no território de Krasnodar. De acordo com Peskov, as forças ucranianas atingiram a área onde se situam infraestruturas ligadas ao petróleo, com o objetivo explícito de parar a exportação do combustível russo. O jornal sublinha que o ataque, realizado com drones, provocou incêndios e interrupções temporárias, mas as autoridades garantem que as exportações continuam. A narrativa é de uma Ucrânia que terá feito da infraestrutura energética russa o seu alvo preferencial, numa tentativa desesperada, estou aqui a citar, de compensar falhas no campo de batalha. O Kommersant e a TASS descrevem estes ataques como uma prova de que Kiev está disposta a atingir interesses económicos globais, ao mesmo tempo que elogiam a resiliência do setor energético russo e o reforço da defesa antiaérea em torno das instalações críticas.

Entretanto, os céus escureceram hoje na região de Perm, depois de um suposto ataque da Ucrânia a instalações de oleodutos russos.

O céu ficou coberto por uma densa nuvem de fumo negro. O governador da região de Perm, Dmitry Makhonin, sem mencionar o nome da instalação, confirma que deflagrou um incêndio na sequência de um ataque com drone. Acrescentou que os trabalhadores no local foram retirados e que não há registo de feridos. As informações não confirmadas avançadas por órgãos de comunicação ucranianos indicam que o alvo poderá ter sido uma estação de bombagem de petróleo da Transneft. A estrutura, com uma capacidade anual de processamento de perto de sete milhões de toneladas de petróleo, já tinha sido alvo de ataques em outubro e em novembro. Os ataques com drones desta quarta-feira ocorrem numa altura em que a Ucrânia está a intensificar a ofensiva contra a infraestrutura petrolífera e gasífera russa, numa tentativa de privar o Kremlin de obter receitas energéticas provenientes do encerramento do Estreito de Ormuz.

Diana, está confirmada a presença do primeiro-ministro eslovaco em Moscovo para as cerimónias de 9 de maio, confirmação dada pelo Kremlin.

Quando se celebra o Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial. Yuri Ushakov, conselheiro do Kremlin, confirma a presença do primeiro-ministro Robert Fico, citado pela agência de notícias Ria. Yuri Ushakov declarou que vai haver alguns convidados estrangeiros, além do governante da Eslováquia.

E já que falas nesse dia, Diana, Putin falou com Trump ao telefone há momentos e sugeriu um cessar-fogo temporário na Ucrânia, precisamente a 9 de maio.

É o que adianta o assessor presidencial, também Yuri Ushakov. Donald Trump, segundo o assessor do Kremlin, apoiou essa iniciativa e adianta que o feriado marca a vitória entre a Rússia e os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.