Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos falar sobre os destaques e o que é notícia nos jornais russos livres e independentes. Para isso, contamos com o jornalista André Maia, que esteve aqui a fazer esta curadoria dos destaques da imprensa russa. E hoje, André, o grande destaque do jornal estatal Izvestia não é a guerra, mas o regresso às aulas. Por quê?

Olá, boa tarde mais uma vez. Sim, porque o jornal Izvestia fala aqui de um mercado, eu não conhecia e não sei se em Portugal existe algum esquema deste tipo, mas hoje é o grande destaque. Os livros, manuais escolares e os pais que nos estiverem a ouvir nesta altura certamente saberão do que é que estamos a falar. Há a corrida aos manuais escolares, aos livros da escola dos miúdos. Ora o Izvestia fala dos livros e dos manuais escolares didáticos falsos que existem na Rússia e as próprias editoras já começam a premiar quem descobrir ou quem denunciar falsificações no mercado de livros escolares. Entre julho e agosto, duas empresas, duas gráficas que imprimiam estes livros falsificados foram obrigadas a fechar portas, sendo que as editoras começaram a oferecer estas recompensas. E o Izvestia faz uma investigação da quantidade de falsificações que já existem no mercado de livros didáticos e de manuais escolares e como é que se pode lidar com elas. Há uma editora principal, e eu vou dizer o nome bem, grupo de empresas Provesni, que anunciou esta busca ou esta procura por manuais escolares falsificados. Diz que está a pagar até 500 mil rublos ou 10% do valor do preço de cada manual falsificado a quem denunciar. Sendo que depois, também esta editora, a editora Provesni, informou o Izvestia que é um problema que tem uma urgência gigantesca, porque diz que não é só deste ano, de ano para ano, a procura por manuais escolares falsificados está a aumentar. Diz que neste momento já se estima que haja milhões de cópias por ano. É algo que em Portugal, sinceramente, não me lembro de ter lido alguma coisa semelhante, mas que na Rússia, pelos vistos, há este mercado e há de tão forma disseminado que o Izvestia dá, numa altura em que há tanta coisa para falar sobre a guerra, dá um dos destaques principais a este tema.

O regresso às aulas em destaque no Izvestia, mas também a guerra, embora aqui não tanto no conflito na Ucrânia, mas na guerra em Gaza. Um dos destaques do Izvestia é precisamente o início do controle do enclave por parte das tropas israelitas.

Exatamente, José. Eu trouxe este tema também. Sabemos que este programa que temos, a guerra traduzida, é precisamente para explicar e traduzir como é que a guerra está a ser abordada nestes dois países, mas também é interessante perceber de que forma é que, neste caso, a imprensa russa, principalmente, olha para outros conflitos, tendo em conta que está envolvido noutro. E aqui neste artigo sobre a guerra em Gaza, é um artigo, posso dizer, extremamente humano. Não temos aqui grandes referências ou artifícios, como vemos muitas vezes quando se fala da guerra na Ucrânia. Por exemplo, há toda uma parte em que o Izvestia dedica à questão humanitária. Diz que o problema humanitário é gravíssimo, diz que organizações de direitos humanos estão a alertar para uma invasão em grande escala, e aqui utiliza-se a palavra invasão, ao contrário do que temos lido quando falamos da guerra na Ucrânia.

Em Gaza há uma guerra, na Rússia há uma operação.

Exatamente, uma operação especial. Aqui usa-se mesmo a palavra invasão em larga escala, que vai levar a consequências catastróficas para a população civil. E depois fala-se, por exemplo, do fato de não haver infraestrutura, alimentos, água, assistência médica necessárias, o que está a agravar a crise humanitária. E diz também que hoje cerca de 90% da população de Gaza está deslocada forçadamente e que os hospitais não estão a funcionar, tal como a segurança alimentar, que atingiu níveis críticos. Durante o resto do artigo temos uma explicação em detalhe do porquê de Israel ter anunciado a intenção de ter o controle total sobre Gaza, sobre o enclave. Diz também que as Forças de Defesa de Israel já tomaram várias zonas deste enclave e que a operação está a ser feita por dezenas de milhares de soldados, alguns na reserva também, mas que foram chamados para esta situação. Ou seja, é um artigo que se nós lermos, poderia ser um artigo escrito por qualquer jornal, vamos dizer, mais do Ocidente, da Europa Ocidental. E é interessante ver esta diferença, tendo em conta aquilo que vemos quando se fala da guerra na Ucrânia, de termos e até da própria estrutura das notícias. Aqui, se tapássemos o título, poderia ter sido um jornal português a escrever.

André, já o The Moscow Times, um jornal independente, importa sempre ressalvar, chama a atenção para uma questão tecnológica. Isto porque a partir de dia 1 de setembro, uma nova aplicação de mensagens apoiada pelo Kremlin virá preinstalada em todos os telefones. Isto é WhatsApp web do Estado?

Sim, acho que é uma boa comparação, José, porque é precisamente um dos parágrafos que menciona o WhatsApp e explica o porquê de agora o Estado russo, o Kremlin, querer deixar preinstalada em todos os telefones esta aplicação. Eles dizem que nesta altura as autoridades estão a receber cada vez mais informações dos cidadãos de que há cada vez mais restrições em serviços de mensagens estrangeiros. Os russos estão a relatar interrupções frequentes em mensagens, em chamadas, principalmente feitas no WhatsApp ou no Telegram, desde o início de agosto. Na semana passada, o regulador estatal, vamos dizer assim, destas telecomunicações, afirmou que estavam a ser bloqueadas chamadas e que tinham como objetivo combater fraude, extorsão, também presença ou suspeitas de terrorismo. A questão é que o cidadão comum está a ver as suas mensagens e as suas chamadas bloqueadas constantemente. É daí, pelo menos é esse o argumento usado, resta saber se será verdade ou não, mas este é o argumento usado pelo Kremlin para preinstalar em todos os telefones vendidos a partir de 1 de setembro. Este serviço chama-se Max, espera-se que seja uma tecnologia semelhante ao WhatsApp, ao Telegram, vai aparecer como um mensageiro, uma app de mensagens independente, é desenvolvido pela gigante tecnológica russa VK e vai estar então nesta lista de pré-instalação. Já estava numa lista do governo desde 2023, mas agora fica mesmo obrigatória estar pré-instalada, como temos muitas aplicações que já estão pré-instaladas nos nossos telefones, compramos aqui no Ocidente. Anteriormente, já tinham saído algumas notícias, principalmente em órgãos independentes, que noticiavam que o Kremlin iria obrigar que as autoridades e também os deputados, os membros do Parlamento, já tivessem os seus grupos de mensagens, as suas mensagens oficiais nesta aplicação, no Max, e que migrassem do Telegram e do WhatsApp, mas principalmente do Telegram, para esta aplicação, o Max. Ora, a partir de agora, já não têm de ser só os parlamentares e também as pessoas que pertencem às autoridades. Qualquer cidadão comum não está obrigado a utilizar esta aplicação, mas já sabe que ela vai estar pré-instalada nos seus telefones, desde que os compre a partir de 1 de setembro.

Ponto final. E mais uma edição da Guerra Traduzida aqui na Rádio Observador. Está de regresso amanhã para trazer os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana.