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A Guerra Traduzida. Nos próximos minutos falamos da imprensa russa. Dia 1 de abril de 2025 e vamos começar com a resposta do Kremlin a Donald Trump. Moscovo fala numa situação muito complexa.
Depois do presidente dos Estados Unidos ameaçar a Rússia com novas tarifas sobre a importação de petróleo russo, caso não seja possível chegar a um acordo para um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia. Hoje, Dmitri Peskov veio dizer que o possível agravamento de sanções do lado americano é um tópico complexo e que está a ser discutido internamente. Ainda assim, as relações com Washington são para continuar. Está em destaque em todos os meios estatais.
A Rússia insiste que não pode aceitar as propostas dos Estados Unidos da América, tal como estão, para um cessar-fogo na Ucrânia. E isto acontece até porque o Kremlin diz que quer resolver as causas profundas que levaram à crise no país vizinho.
É a posição do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros numa entrevista à revista International Affairs. Sergey Ryabkov assegura que Moscovo leva muito a sério as soluções propostas pelos americanos, mas diz que não podem aceitar tudo como está, até porque, de acordo com este governante, a visão dos Estados Unidos para um acordo futuro ainda não inclui a eliminação das causas mais profundas do conflito. E que causas serão essas? Não concretiza este governante russo, mas o jornal RBC recorda, por isso, a lista de exigências que já são conhecidas do lado do Kremlin, como a retirada das tropas ucranianas dos territórios ocupados e o reconhecimento desses mesmos territórios como sendo russos e a rejeição da entrada da NATO, assim como o fim da ajuda militar estrangeira a Kiev para, diz Moscovo, evitar uma escalada do conflito.
No terreno, a Rússia abriu uma investigação a um ataque que atingiu um autocarro. Aconteceu em Gorlovka.
O RBC adianta que o comitê responsável por esta investigação já chegou a uma conclusão. Apontou dedo às Forças Armadas Ucranianas por este ataque, que feriu um total de 15 pessoas. O autocarro foi atingido por um drone ucraniano. O autarca da cidade adiantou os números, responsabilizou também Kiev. Este é um ataque que aconteceu na Praça da Vitória, bem no centro da cidade de Gorlovka. O autocarro acabou por pegar fogo. Para já, não há ainda notícia de vítimas mortais.
Falamos também da imprensa independente na Rússia, que destaca que, pela primeira vez desde 2025, a Força Aérea Ucraniana não registou nenhum ataque de drones russos durante a noite.
Ou seja, até o dia 1 de abril, mais de uma centena de noites consecutivas de ataques contra a Ucrânia foram registados pelo exército do país. Hoje, isso mudou. Não houve ataques com recurso a drones, mas foram lançados dois mísseis russos na direção de Zaporizhzhia, que acabaram por ser abatidos. O jornal Meduza cita o Canal 24, da Ucrânia, a relatar que a noite passada foi a primeira sem ataques de drones russos desde o dia 10 de dezembro de 2024. Ainda assim, a razão avançada não se relaciona com uma possível mudança de atitude nesta fase da guerra, mas sim por mais difíceis condições climatéricas.
Este mesmo jornal Meduza partilha hoje um guia para os russos que quiserem evitar o serviço militar. Há uma nova ronda de recrutamento a começar hoje.
Na qual as autoridades russas preveem recrutar até 160 mil pessoas com idades entre os 18 e os 30 anos, naquele que é chamado o recrutamento da primavera. O independente Meduza recorda que nos últimos anos o recrutamento militar tem representado um risco elevado de acabar na frente de batalha e, por isso, escreve o jornal que, dado o risco, ativistas de direitos humanos recomendam utilizar todas as oportunidades para evitar o recrutamento. E por isso, partilha até uma lista com sugestões. Pode, diz o jornal Meduza, renunciar-se à cidadania russa, o que não é fácil de fazer e só é possível se já se estiver em processo de obter cidadania de outro país. Pode ainda viajar para fora da Rússia, uma vez que a lei russa estipula que quem está fora do país durante seis meses acaba por sair da lista de recrutamento. Quem quiser evitar este serviço militar pode ainda alegar motivos médicos, mas apenas caso haja certeza de que, por razões de saúde, não se pode servir no exército ou ainda tentar aderir ao serviço civil alternativo, o que inclui 266 profissões para trabalhar no governo russo.