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Seguimos com a Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos agora analisar a imprensa da Ucrânia nesta segunda-feira, dia 26 de setembro. Um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro, que contou com a colaboração da Tânia Olini. Começamos com os protestos na Rússia que merecem destaque na imprensa ucraniana.

"Os protestos entre os russos aumentaram significativamente". É assim que começa este artigo no portal de notícias TSN, que é acompanhado por vários vídeos. Escutamos aqui alguns momentos de protesto nas ruas da Rússia. São publicados vídeos com intervenções militares, com contestação por parte da população. Na Rússia, com o início da mobilização parcial anunciada por Putin, os sentimentos de protesto aumentam significativamente, é o que escreve o portal TSN. No fim de semana, ações antiguerra aconteceram em várias cidades, resultaram na detenção de centenas de pessoas. Este artigo aponta o exemplo do Daguestão, onde o protesto se transformou em confrontos com a polícia, levou ao bloqueio de uma estrada nesta região. Há referência também aos casos de incêndios em gabinetes de alistamento militar, como já referimos na guerra traduzida da Rússia. Ao mesmo tempo, centenas de milhares de russos estão a fugir do país, é o que escreve o TSN, que acaba por recolher detalhes sobre estes protestos na Federação Russa. São apontados números, pelo menos 337 manifestantes foram detidos em Moscovo, escreve o TSN, 122 em São Petersburgo. Depois é apresentada até uma lista por cidades e com o número de detidos nas diferentes regiões. É um artigo com vários vídeos, vai ao detalhe das diferentes regiões pra explicar o que está a acontecer nas diferentes cidades e tentar detalhar alguns dos casos. É um longo artigo do TSN que junta esses diferentes protestos que vão sendo completados com vídeos que são divulgados nas redes sociais.

Um tema que merece especial destaque na imprensa da Ucrânia. Há vários artigos sobre os protestos. Destaque para os ataques a centros de alistamento e até pra homens que pegam fogo a si próprios.

É, e o objetivo é constar essa mobilização. Neste artigo há histórias mais detalhadas de incêndios em vários gabinetes de alistamento. Com destaque, neste caso, para um caso de um homem que se incendiou para protestar em Ryazan. Um homem pegou fogo a si mesmo, gritou: "Eu não quero ir pra guerra". O homem acaba por ser levado pro hospital com várias queimaduras. O vídeo foi publicado na internet, divulgado nas redes sociais, partilhado essencialmente pela Ucrânia, faz manchete em alguns meios de comunicação social da Ucrânia, sendo que este homem acabou por ser detido pelas autoridades russas.

Seguimos agora para outro artigo que refere que a Rússia está a preparar uma onda de ciberataques.

Em vários países. Voltamos aqui ao TSN, este portal de notícias que escreve que o Kremlin está a preparar ataques a instalações de infraestruturas críticas na Ucrânia, na Polônia e nos países bálticos. A informação é divulgada pelo Departamento de Serviços de Segurança do Ministério da Defesa da Ucrânia. Diz este departamento que o primeiro ataque vai ser direcionado às empresas do setor da energia e que a experiência de ataques cibernéticos, ataques informáticos aos sistemas de energia da Ucrânia que aconteceram em 2015 e 2016, essa experiência vai ser agora utilizada durante essas operações. Escreve aqui o TSN, citando esse Departamento de Serviço de Segurança que o inimigo vai tentar aumentar o efeito dos ataques de mísseis nas instalações de fornecimento de energia, principalmente nas regiões leste e sul da Ucrânia, e para completar esse ataque, vai ter ataques informáticos. O comando dos ocupantes está convencido que isso vai levar a uma desaceleração nas ações ofensivas das Forças de Defesa da Ucrânia. O Serviço de Segurança da Ucrânia diz também que o Kremlin pretende aumentar a intensidade dos ataques informáticos em vários aliados mais próximos da Ucrânia, neste caso, a Polônia e os países bálticos.

E pra fechar esta revista de imprensa da Ucrânia, um artigo sobre o apoio de cirurgiões plásticos dos Estados Unidos que estão a ajudar militares feridos em território ucraniano.

Na semana passada, um grupo de cirurgiões plásticos americanos operaram 35 ucranianos que estão com rostos desfigurados por causa do conflito. A missão chama-se Face to Face, Cara a Cara. É organizada pela Academia de Cirurgiões Plásticos dos Estados Unidos da América, juntamente com uma dezena de profissionais da Ucrânia, que já apoiaram, em tempos, vítimas de conflitos no Irão, no Iraque, também em países africanos e no Extremo Oriente. E isso aconteceu nos anos 90, aconteceu na Croácia, onde este grupo de cirurgiões plásticos norte-americanos acabou por ajudar pessoas com rostos desfigurados em diferentes conflitos. Esta equipa está agora a trabalhar em território ucraniano, no Hospital Regional de Prykarpattya. Estes profissionais estão a realizar operações que são consideradas extremamente raras e complexas e que foram também monitorizadas por vários médicos ucranianos para poderem também aprender com a experiência destes cirurgiões norte-americanos. Este artigo apresenta alguns casos, como por exemplo, Danil, militar que estava perto de Chernihiv, ficou sob forte bombardeamento durante várias horas. Ele acabou por ficar sem pálpebras, os olhos não fecham, portanto, os médicos primeiro vão ter que restaurar os olhos para depois remover todos os vestígios de queimaduras no resto do rosto. É um dos exemplos apresentados neste artigo. Há vários exemplos de pessoas com rostos desfigurados por causa do conflito na Ucrânia e que tiveram o apoio destes cirurgiões plásticos norte-americanos. Os médicos da Academia Americana de Cirurgia Plástica dizem que estão impressionados com a resistência dos ucranianos à invasão russa e garantem que querem ajudar onde a medicina ucraniana ainda não consegue trabalhar.

Os horrores da guerra. No fecho de mais uma guerra traduzida, um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro contou com a colaboração da Tânia Olinik.