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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa ucraniana, com a jornalista Diana Rosa, e continuamos com o tema do Dia da Vitória. Zelenskyy diz que até o desfile de Moscovo depende da Ucrânia.

Depende da boa vontade ou não de Kiev aceder ao pedido de cessar-fogo nos dias 8 e 9. Na imprensa ucraniana, um dos temas centrais de hoje tem sido a forma como Kiev quer condicionar o Dia da Vitória russo. Zelenskyy considera que as forças ucranianas têm demonstrado capacidade para atacar em profundidade, com drones e mísseis, alvos militares e de infraestruturas dentro da Federação Russa. A Ukrainska Pravda sublinha que estas declarações coincidem com novos ataques de longo alcance ucranianos contra centros de treino de operadores de drones e também contra linhas ferroviárias militares na Crimeia ocupada, assim como com a intensificação da campanha de destruição de depósitos de munições e instalações de defesa aérea. Ao mesmo tempo, o Kyiv Independent destaca que esta mensagem de força visa também o público interno, num momento em que a moral é testada por meses de bombardeamentos russos e pela expectativa de uma nova ofensiva neste verão.

Certo é que Kiev acusa Moscovo de violar o cessar-fogo ucraniano e pondera rejeitar a trégua de 9 de maio.

Depois de Zelenskyy ter proposto um regime de silêncio a partir do dia 6, a Ucrânia acusa agora a Rússia de ter violado a trégua mais de 1800 vezes em apenas um dia, com ataques de mísseis e drones que provocaram dezenas de mortes e feridos civis. O The Voice of Ukraine lembra que Kiev está a considerar rejeitar a proposta de cessar-fogo para os dias 8 e 9, precisamente porque Moscovo, na visão ucraniana, usou a fase inicial da trégua para intensificar ataques contra cidades como Sumy, Merefa e Dnipro. Fontes governamentais citadas por estes meios sublinham que qualquer pausa no combate terá de ser autêntica e verificável, caso contrário, vai ser encarada apenas como uma manobra de propaganda a favor do Kremlin e do desfile na Praça Vermelha.

E seguimos agora com uma notícia que dá conta de que a Rússia perdeu centenas de soldados em 24 horas, mas prepara-se para uma campanha prolongada.

De acordo com o Estado-Maior ucraniano, citado pelo Ukrainska Pravda e pelo The Voice of Ukraine, a Rússia terá perdido cerca de 890 soldados, além de vários sistemas de artilharia, veículos blindados e drones, valores que Kiev apresenta como prova de que Moscovo está a pagar um preço muito elevado por ganhos territoriais limitados. Estes dados, António, são apresentados em paralelo com análises que apontam para um esforço russo para reforçar posições e preparar uma campanha de desgaste prolongada, apoiada num poder industrial que tenta compensar as sanções através de importações de componentes e de uma economia de guerra cada vez mais centralizada. Para a Ucrânia, o desafio é manter a capacidade de combate e o apoio internacional ao longo do tempo, num conflito que entrou no quinto ano e em que ambos os lados admitem já uma guerra longa, com sucessivos ciclos de ofensivas e contraofensivas.

E Diana, a Roménia diz que um drone russo atravessou por momentos o seu espaço aéreo a caminho de atacar a Ucrânia.

Terá sido, de acordo com as autoridades romenas, uma breve violação do espaço aéreo, confirmada por dois F-16 que estavam a patrulhar a zona e que acompanharam o voo do drone. Em comunicado, o ministério condena de forma firme as iniciativas irresponsáveis da Rússia que violam o direito internacional e trazem riscos para a segurança regional e também para a estabilidade no Mar Negro.

Já a Letónia investiga os drones que caíram no país. Admite-se que sejam aeronaves ucranianas que se dirigiam para a Rússia e perderam a rota.

De acordo com a SPRUD, suspeita-se que os drones terão vindo da Ucrânia e chegaram a entrar em espaço aéreo da Rússia. No entanto, realça-se que isso são, para já, apenas suposições. A primeira-ministra Evika Silina anunciou uma reunião do gabinete de crise para esta manhã, conforme anunciado no X. Espera receber informações dos ministros responsáveis sobre o que aconteceu. Certo é que quatro tanques petrolíferos terão ficado danificados, no entanto, sem especial gravidade.

E fica por aqui a edição desta quinta-feira com a jornalista Diana Rosa. A "Guerra Traduzida" está de regresso amanhã.