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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana. Está conosco a Diana Rosa. Diana, boa noite.

Boa noite, Filipa.

Começamos com os jornais russos e a polêmica em torno dos conselhos que o enviado norte-americano terá dado ao Kremlin para que conseguisse levar a melhor no plano de paz.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, considerou que não há nada de assustador na chamada divulgada esta terça-feira entre o enviado norte-americano e o conselheiro russo. Diz ele que se olharmos e lermos, se abstrairmos da questão de ser verdade ou não, não há nada de mal. E o próprio presidente Trump, aliás, também se pronunciou de forma indireta em defesa de Witkoff. É o trabalho normal de um negociador com as partes envolvidas no processo de negociação. São estas as palavras, esta a consideração do porta-voz do Kremlin em declarações aos jornalistas citadas pela Ria Novosti. Na chamada tornada pública pela Bloomberg, o norte-americano deu vários conselhos ao representante russo, sugerindo mesmo uma eventual troca de territórios com a Rússia para controlar a região do Donetsk.

E a Rússia nega ter divulgado a chamada entre o enviado especial norte-americano, o Steve Witkoff, e o enviado especial russo à Bloomberg.

Não foi a Rússia. Steve Witkoff, como disse, terá dado esses conselhos. De acordo com o artigo, o enviado de Trump disse que Putin deveria ligar para o presidente norte-americano para saudá-lo e elogiá-lo pelo acordo de paz em Gaza. O enviado russo já condenou o artigo da Bloomberg e insiste que a divulgação tinha como objetivo sabotar um possível acordo. Garante que não, não foi a Rússia a tornar essa chamada pública.

Creio que o fizeram para prejudicar. É pouco provável que o façam para melhorar as relações que estão a ser construídas agora. Não sei onde possam ter ido buscar essas informações. Puseram o telefone sob escuta, não sei. Ou alguém libertou o material ou puseram o telefone sob escuta, mas não fomos nós.

Yuri Ushakov sugere ainda que a publicação da agência foi internacional, porque a chamada telefônica foi feita através de canais governamentais seguros, que raramente são comprometidos. Também houve reação do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, que acusa a Europa de estar a fazer uma guerra híbrida através dos meios de comunicação social para criar uma divisão entre Moscovo e Washington. Já Donald Trump considera que a atitude do enviado especial norte-americano é algo normal em período de negociações.

E Viktor Orbán deve encontrar Vladimir Putin em Moscovo já na sexta-feira.

É o que avança o Telegraph com base em jornais da Hungria, também citados pela Rússia. O encontro ainda não foi confirmado pelos governos dos dois países. É a primeira reunião dos dois líderes, pessoalmente, desde o último encontro em Moscovo, em julho do ano passado. Orbán é um dos líderes europeus com relação mais próxima a Putin. O primeiro-ministro húngaro esteve na Casa Branca, onde se encontrou com Donald Trump no início de novembro e conseguiu, Filipa, ter uma isenção dessas sanções à Rússia.

E noutros temas, Diana, falamos ainda de imagens de satélite que localizaram crianças ucranianas sequestradas pela Rússia.

Investigadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, estão a usar essas imagens que já permitiram descobrir mais de 200 campos de reeducação e militares que abrigam algumas dessas crianças. É notícia da AFP, replicada pelo Moscow Times. O laboratório de pesquisa humanitária foi incumbido pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, em 2022, de avaliar o número de crianças deslocadas pelas autoridades russas e a dimensão desse fenômeno. A resposta veio depois de uma gafe dos russos. É que, Filipa, as autoridades russas locais publicaram selfies com algumas das crianças ucranianas. "A parte mais engraçada da história", diz este artigo, "é que eles esqueceram-se de desativar os serviços de geolocalização nos telefones". Foi então extraída a latitude e a longitude da posição dos russos no momento em que tiraram as fotografias. Costuma-se dizer que a mentira tem perna curta. As informações obtidas foram partilhadas com as autoridades ucranianas. O laboratório estima que um total de 36 mil crianças foram sequestradas pela Rússia. As autoridades russas deixaram de publicar essas informações online depois do Tribunal Penal Internacional ter emitido um mandado de prisão, em 2023, contra o presidente Vladimir Putin pela deportação ilegal de milhares de crianças ucranianas.

Primeira parte de "Guerra Traduzida", voltamos já a seguir para falar da imprensa ucraniana.