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É agora que passamos para a análise da imprensa russa em mais um episódio de Guerra Traduzida, um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, desta feita em colaboração com a Larissa Tovmazian. João, em destaque na imprensa russa, as declarações do presidente do Parlamento Ucraniano.
É Ruslan Stefanchuk que disse que não podem existir minorias russas na Ucrânia e que os direitos dos que falam russo em solo ucraniano devem ser infringidos. O líder do Parlamento nota que a lei que protege as minorias, que foi aprovada em dezembro, não se aplica a russos que vivam em solo ucraniano e diz também que estes não mostram qualquer tipo de respeito. A reação, obviamente, não se fez esperar. Surgiu pela voz da porta-voz do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros. Maria Zakharova entende que esta é mais uma declaração de um responsável político ucraniano que põe a nu e confirma, de acordo com esta responsável russa, que há uma tendência nazista na natureza do regime ucraniano, citada pela rádio pública Kommersant Pravda. Zakharova acusa ainda os ucranianos de serem os nazistas do século XXI.
Do governo russo chega também um aviso: é possível que a Finlândia feche todas as fronteiras com a Rússia. Moscovo lamenta a decisão finlandesa de fechar, por agora, parte desses postos fronteiriços.
No sábado ficámos a saber que a Finlândia fechou metade das fronteiras com a Rússia para tentar estancar um fluxo de pessoas vindas da Rússia que pedem asilo, que já é fora do normal. E agora a possibilidade de um fecho total foi abordada ou levantada pelo vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros. Citado pela agência TASS, Alexander Grushko diz que não há opções riscadas, até essa, de a Finlândia fechar por completo as fronteiras, dada a postura e as decisões que têm sido tomadas pelos países ocidentais. O governante russo assegura que se a Finlândia avançar para o fecho total de fronteiras, é uma decisão contrária aos interesses nacionais finlandeses. E já hoje o porta-voz principal do Kremlin lamentou que a Finlândia tenha decidido encerrar parte das fronteiras no sábado. Dmitry Peskov, no habitual briefing diário que faz com os jornalistas, qualificou esta postura de Helsínquia como uma posição anti-Rússia.
No terreno, Moscovo adianta que repeliu três ataques ucranianos na direção de Kupyansk.
Notícia em destaque no Kommersant Pravda. A informação é adiantada pelo Ministério Russo da Defesa. De acordo com Moscovo, os três ataques das Forças Armadas da Ucrânia contaram com o apoio de aviação. As Forças Armadas russas, por seu lado, terão centrado esforços para repelir estes ataques na direção desta cidade no Oblast de Kharkiv e de acordo com o Ministério Russo da Defesa, foram provocadas baixas nas fileiras de Kiev, que terão perdido, de acordo com o Kremlin, perto de 30 homens e três veículos.
E vamos terminar, já é um hábito, com a imprensa livre da Rússia, que hoje destaca mais uma demissão no governo ucraniano.
No caso do chefe do Serviço de Comunicações Especiais do Estado, isto é uma tradução livre que fizemos, e também do vice, são Yuriy Shchygol e Viktor Zhora. A notícia está em destaque no jornal independente russo Meduza e de acordo com o Departamento Anticorrupção da Ucrânia, estes dois responsáveis são suspeitos de se terem apropriado de mais de 1,5 milhão de euros do orçamento desse tal Serviço de Comunicações Especiais do Estado. De acordo com a investigação, tudo terá acontecido nos últimos três anos, entre 2020 e 2022. Shchygol e Zhora utilizaram duas empresas para controlar os negócios de fornecimento de material e serviços e inflacionavam os preços dos contratos e aí nessas sobras apropriaram-se de um excedente que não correspondia exatamente aos preços contratualizados. Para além destes dois, há mais seis suspeitos neste esquema, incluindo dois responsáveis dessas tais empresas que se associaram a este esquema.
E é com mais uma demissão no governo ucraniano que fechamos este episódio de Guerra Traduzida, da autoria do jornalista João Filipe Cruz, que contou com a colaboração da Larissa Tovmazian. Estamos de regresso amanhã.