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Temos a oportunidade de abrir agora a "Guerra Traduzida" versão Rússia. Este é um trabalho desenvolvido pelo jornalista Rui Casa Nova, que conta com a colaboração da Larissa Tovmazian. Estamos no dia 350 da invasão russa e, Rui, começamos com a visita de Volodymyr Zelensky ao Reino Unido, que também está em destaque na imprensa russa.

Sim, tal como falámos há pouco no episódio da Guerra Traduzida da Ucrânia, a visita de Zelensky a Londres está também em destaque nos jornais russos. Já ontem à noite a imprensa russa tinha esta visita em destaque, antecipando que Zelensky ia encontrar-se com o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak e com o rei Carlos III de Inglaterra. Como falámos, aconteceram esses encontros há pouco. Mas agora aqui uma outra conotação na imprensa russa, menos diplomática e mais relacionada com a guerra em si, um lado mais bélico. O canal estatal Smotrim tem um artigo com o seguinte título: "Reino Unido vai dar à Ucrânia armas de longo alcance e vai treinar pilotos". Um lado mais relacionado com a guerra. A imprensa russa dá a entender que esta visita de Zelensky tem mais a ver com a aquisição de armamentos para as tropas ucranianas do que por um lado diplomático. Esta é também uma informação em destaque um pouco por toda a imprensa internacional. Também estamos a acompanhar aqui no Observador. O encontro com o rei Carlos III também está em destaque. O jornal KP já ontem à noite citava a BBC a adiantar que Zelensky se poderia encontrar com o rei ainda hoje e tal aconteceu ainda há menos de uma hora.

E a imprensa russa diz também que as Forças Armadas da Ucrânia mudaram de tática e estão a acumular forças para tentar um contra-ataque.

É o que diz o chefe interino da República Popular de Lugansk numa entrevista no canal de televisão Russia 24. O jornal Vesti também cita esta entrevista. Este chefe interino, Leonid Pasechnik, diz que as Forças Armadas da Ucrânia estão a acumular reservas significativas para contra-atacar e reconquistar os territórios perdidos. Este responsável afirma que os principais alvos das Forças Armadas da Ucrânia neste momento são hospitais, onde são tratados civis e soldados feridos. Leonid Pasechnik afirma que no passado, a Ucrânia atingia alvos de forma mais deliberada, mais caótica. Hoje, por causa da aquisição de armas mais modernas, os nacionalistas ucranianos, é esta a expressão utilizada, atingem alvos onde há mais população.

E agora uma história que é contada pela televisão estatal Ren, que é a história de um prisioneiro de guerra ucraniano que foi obrigado a ir para a linha da frente, apesar de vários problemas de saúde.

Sim, esta história foi divulgada pelo Ministério da Defesa e depois contada por esta televisão estatal, a Ren TV. Diz que um soldado ucraniano que se rendeu explicou às tropas russas que foi forçado a ir para a linha da frente. De acordo com este cidadão ucraniano, foi-lhe entregue uma intimação a obrigá-lo a ir para o terreno. Quando estava a ir para o trabalho, no caminho para o trabalho, os militares ucranianos pararam o autocarro onde ele estava a viajar, entregaram-lhe esta intimação, este documento, colocaram-no no carro e enviaram-no para o campo de batalha. O homem explicou que sofria de problemas de saúde, que não podia combater, mas afirma que os médicos desvalorizaram esses mesmos problemas de saúde e que disseram que podia ir para a guerra e que foi obrigado a ir para a guerra. O ucraniano decidiu por isso render-se aos russos no campo de batalha e diz mesmo que aconselhou os colegas ucranianos a fazerem o mesmo, porque está convencido de que esta é a única forma de sobreviver nesta guerra.

Mudando agora de assunto, no ano passado, mais de 4 mil pessoas renunciaram à cidadania russa.

4306 pessoas. É um recorde nos últimos três anos. O número é divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, citado pelo jornal estatal RBK. Assim, em 2020 tinham sido cerca de 3800 pessoas a renunciar à cidadania russa. Em 2021, o número pouco ultrapassou os 4 mil. No ano passado foram 4306, por isso não é um recorde. O governo russo aponta como razões a pandemia da Covid-19. A guerra nunca é mencionada nas razões apresentadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

E de acordo com a imprensa independente, os prisioneiros russos estão a ser ameaçados com novos processos por se recusarem a ir para a guerra.

Sim, é o que escreve o jornal independente Meduza, que cita dois advogados e um ativista de direitos humanos que têm recebido estas informações a partir de prisioneiros e de diretores de prisões na Rússia. Os reclusos russos são forçados a juntarem-se ao grupo militar Wagner, que já temos abordado aqui várias vezes na Guerra Traduzida, são ameaçados com novos processos criminais caso recusem. Estes advogados afirmam que os presos são assim recrutados por meio de ameaças. Há mesmo prisões que prometem levantar as penas aos reclusos que aceitem lutar. De acordo com estas fontes, estes dois advogados e um ativista dos direitos humanos, este recrutamento está a acontecer principalmente em regiões mais próximas da fronteira ucraniana.

Jornalista Rui Casa Nova, a traduzir as notícias que nos chegam a partir dos meios de comunicação social da Rússia. É um trabalho feito em colaboração com a Larissa Tovmazian. A Guerra Traduzida está de regresso amanhã.