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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, uma edição especial dedicada ao Irão. Vamos passar em revista os destaques da imprensa do Médio Oriente e dos Estados Unidos, numa edição conduzida pelo jornalista Martim Madeira. Boa tarde, Martim.

Boa tarde.

Começamos com os ataques mais recentes lançados pelos Estados Unidos durante esta madrugada. Martim, desta vez Teerão foi atingida pela primeira vez.

A capital iraniana ainda não tinha sido atingida desde o início desta recente vaga de ataques, mas agora acabou por ser um alvo norte-americano, de acordo com os mídia estatais iranianos. No entanto, o Centro do Comando Central do Exército norte-americano não refere a capital iraniana como alvo dos ataques no comunicado que fez na rede social X. O CENTCOM apenas refere que foi atingida a cidade portuária no sul do Irão de Bandar Abbas, onde está uma das bases navais da Guarda Revolucionária Iraniana. Informa também no comunicado que foram lançados mísseis contra a chaminé de um petroleiro no estreito de Ormuz para imobilizar a embarcação, que ignorou vários avisos e tentou violar o bloqueio naval norte-americano. O CENTCOM indica também que todas estas ações foram ordenadas por Donald Trump e estes ataques resultaram numa retaliação iraniana. O Bahrein, o Kuwait e a Jordânia foram alvos de mísseis e drones iranianos.

Martim, já temos uma reação iraniana a estes ataques norte-americanos. O Irão acusa os Estados Unidos de ataques bárbaros junto a um hospital oncológico infantil.

Uma acusação feita pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmael Baghaei, escreve na rede social X que o hospital foi obrigado a evacuar, o que causou um grande sofrimento e ansiedade às crianças que estavam a ser tratadas. O porta-voz compara este ataque norte-americano a táticas israelitas, que também visaram algumas instalações de saúde, por exemplo, em Gaza. Baghaei afirma que este ato constitui um crime de guerra cobarde contra crianças inocentes. Os Estados Unidos ainda não comentaram estas alegações iranianas.

Atenções agora para Israel. Benjamin Netanyahu avisa que não vai viajar para os Estados Unidos na próxima semana.

O primeiro-ministro israelita tinha viagem marcada para lá do Atlântico nesta próxima semana para ir ao funeral do senador norte-americano Lindsey Graham, que faleceu numa viagem a Kiev. Estava também programado encontrar-se com Donald Trump na próxima segunda-feira, para aquela que seria a primeira reunião na Casa Branca entre os dois desde o início da guerra no Médio Oriente. Como o funeral de Lindsey Graham foi adiado para o final do mês de julho, o gabinete do primeiro-ministro israelita informa que Netanyahu apenas vai viajar para os Estados Unidos na altura desse mesmo funeral.

Ainda em Israel, Martim. Telavive diz a Washington que vai manter as tropas nas zonas de segurança ocupadas no Líbano, na Síria e também em Gaza.

Foram declarações do ministro da Defesa israelita numa reunião com o homólogo norte-americano, de acordo com os mídia israelitas. Israel Katz terá dito a Hegseth que Israel está determinado em manter-se nas zonas definidas como zonas de segurança para proteger as fronteiras israelitas e as comunidades junto dessas mesmas fronteiras que, de acordo com ele, estão ameaçadas por forças jihadistas. São declarações que contradizem o anúncio das negociações alegadamente positivas em Roma entre os Estados Unidos, Israel e o Líbano, em que foi definido um processo para implementar zonas-piloto de onde as tropas israelitas retirariam, como tinha pedido a capital do Líbano, Beirute.

Falamos agora do secretário da Defesa norte-americano. Ontem, Pete Hegseth revelou que os soldados norte-americanos vão poder receber testosterona.

Um anúncio feito pelo secretário da Defesa norte-americano num vídeo que publicou nas redes sociais, em que afirma que vai haver um novo departamento chamado Departamento de Alta T, o T a significar testosterona. Pete Hegseth explica que vai ser implementado um tratamento de reposição de testosterona para os soldados masculinos que tenham deficiência de testosterona e que tenham mais de 30 anos.

"Estou a autorizar um novo programa de rastreio da deficiência de testosterona para os nossos militares, isto para garantir que têm os níveis adequados e conseguem desempenhar as suas funções no melhor nível. Isto será feito sob supervisão dos nossos profissionais de saúde. Os militares com 30 anos ou mais vão fazer o teste todos os anos e quem tiver menos de 30 anos também o pode fazer de forma voluntária. Se for recomendado o tratamento, a decisão de receber terapia de substituição de testosterona cabe inteiramente ao próprio militar".

O secretário da Defesa norte-americano a anunciar o novo programa de reposição de testosterona para os soldados masculinos norte-americanos. Este anúncio foi alvo de críticas por parte de médicos e também do Partido Democrata. Os médicos norte-americanos alertam para os riscos desta terapia, que pode causar infertilidade dos homens mais jovens. Também a maneira como é testada a testosterona. A Associação de Urologia Norte-Americana indica que um simples teste ao sangue não consegue determinar com precisão se há ou não uma deficiência de testosterona. Já as críticas democratas realçam a hipocrisia da administração de Trump, que baniu este tipo de tratamento para pessoas transexuais e agora vai aplicar a homens no exército norte-americano.

É o ponto final nesta edição de "A Guerra Traduzida" especial Irão. Edição de hoje, 16 de julho, um trabalho do jornalista Martim Madeira.