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Guerra Traduzida. Na Rádio Observador trazemos os destaques da imprensa ucraniana com o jornalista José Rafael Lopes. Vamos começar a ronda pela imprensa ucraniana com uma nova contagem de um ataque massivo da Rússia.
A Ucrânia denuncia um ataque com mais de 1300 drones, mas assegura que cerca de mil foram abatidos pelas defesas aéreas do país. A Agência Nacional Ukrinform informa que os drones foram lançados a partir de diferentes direções da Rússia com vários alvos. Kharkiv, Zaporizhzhia e Odessa foram as localidades mais atingidas. O Comando da Força Aérea Ucraniana afirma que a maioria dos alvos foi neutralizada, mas reconhece que há parte dos drones que atingiu infraestruturas civis, quer no ataque em si, quer os destroços quando os drones foram destruídos ao serem interceptados pelas defesas aéreas ucranianas. Há ainda relatos de incêndios e de destruição de edifícios residenciais e de serviço. A agência lembra que, na mesma noite, a cidade de Balakliya, na região de Kharkiv, foi atingida por drones, deixando pelo menos oito feridos, sendo que há duas crianças neste lote de feridos. As autoridades locais descrevem danos significativos em blocos de apartamentos e também em instalações comerciais, com equipas de emergência a trabalharem durante toda a madrugada nas operações de resgate e de combate a incêndios. É uma notícia em destaque em grande parte da imprensa ucraniana.
Destaque ainda para a cimeira do G7 com presença do presidente ucraniano.
Volodymyr Zelenskyy, que está nessa cimeira. O Pravda Ucraniano destaca as declarações do presidente da Ucrânia, que afirmou que os países do G7 se comprometeram a ajudar a Ucrânia a atravessar o próximo inverno. Isto num cenário em que a guerra com a Rússia ainda se prolonga. É um tema sensível para a Ucrânia, que no último inverno passou por grandes dificuldades devido aos ataques constantes da Rússia a infraestruturas energéticas. Houve milhares de pessoas ucranianas que atravessaram o tempo mais frio sem qualquer tipo de acesso a aquecimento, apenas cobertores e chá quente eram as únicas ferramentas para lidar com o frio, com temperaturas abaixo de zero. Segundo o chefe de Estado, os líderes do grupo garantiram apoio em matérias de energia e defesa aérea, com o objetivo de proteger infraestruturas críticas da Ucrânia de novos ataques russos. Zelenskyy explica que foram discutidos mecanismos para reforçar o fornecimento de eletricidade, gás e equipamentos de reparação rápida a Kiev, bem como a outras cidades fundamentais na Ucrânia. Há também em cima da mesa o envio adicional de sistemas de defesa antiaérea e mísseis interceptores para as Forças Armadas de Kiev. O presidente sublinhou também que, durante as conversas com os membros do G7, a prioridade ucraniana foi assegurar que o país não vai voltar a enfrentar apagões massivos, como os que foram registados em invernos anteriores.
E a Ucrânia atualizou o número total de perdas russas desde o início da invasão.
É habitual isto acontecer na imprensa ucraniana. É um trabalho feito pelo Ukrinform, que compila os dados mais recentes sobre as perdas russas na guerra, sempre com dados fornecidos pelo Estado-Maior ucraniano. O quadro de hoje, com números desde 24 de fevereiro de 2022 até o dia de hoje, fala em milhares de baixas. Aponta ainda a perda russa de mais de 1 milhão de sistemas de combate. Aqui a lista é extensa, vai desde carros de combate a sistemas de artilharia, mas vai além disso. Apontam também lançadores múltiplos de foguetes, aeronaves destruídas. A agência recorda que estes dados são atualizados diariamente e divulgados tanto para o público interno como para os parceiros internacionais da Ucrânia. Destaca a imprensa ucraniana, faz parte da comunicação oficial da Ucrânia sobre a forma como está a ser gerida a guerra. Na mesma nota, é referido que as perdas russas incluem também centenas de helicópteros e milhares de drones de reconhecimento e ataque, que, segundo Kiev, foram abatidos ou destruídos no solo. Apontam também que há cada vez mais facilidade da Ucrânia em contrariar os ataques russos. O Ukrinform coloca esta informação ao lado de notícias sobre os novos ataques russos e sobre a necessidade de reforçar a defesa aérea.
Ainda na Ucrânia, é notícia a morte de um artista que criticou Putin.
Aconteceu na Polónia, um artista russo que no passado criticou o presidente russo e que foi morto a tiro. Além da cobertura direta da morte, a imprensa ucraniana dá também hoje destaque a uma notícia relacionada com o ambiente de tensão em países vizinhos. O jornal informa que dois indivíduos foram colocados em prisão preventiva na Polónia, suspeitos de estarem ligados à morte desse artista russo, o caso que está a ser investigado pelas autoridades polacas. A notícia explica que a vítima era conhecida no meio artístico e que a polícia está a analisar possíveis motivações políticas ou pessoais para o crime. A publicação sublinha que o tribunal polaco aceitou o pedido da acusação para a detenção preventiva dos suspeitos. Este trabalho surge num contexto de forte atenção ucraniana aos desenvolvimentos em países aliados, que de certa forma reflete como a guerra e a presença de russos e ucranianos no estrangeiro está ligado a casos criminais de maior visibilidade.
E está tudo dito nesta edição de Guerra Traduzida. Vai ficar, como sempre, disponível em podcast. Edição com José Rafael Lopes.