Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Seguimos com a Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos à análise da imprensa da Ucrânia. É um trabalho do jornalista Miguel Cordeiro, em colaboração com a Tânia Olinik. E o destaque: a Ucrânia fala em acusações falsas sobre a utilização de uma bomba suja, Miguel.
É a resposta. A Rússia diz que a Ucrânia prepara um ataque com uma bomba suja. A Ucrânia nega todas as acusações. Hoje o Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, Ministro dos Negócios Estrangeiros, falou por telefone com o Secretário de Estado dos Estados Unidos da América, Antony Blinken. O chefe do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia escreve o que foi falado neste encontro na rede social Twitter. O principal tema foi claro essas acusações russas sobre a utilização de uma bomba suja. Kuleba diz no Twitter: "Conversei com o secretário dos Estados Unidos da América, Antony Blinken. Concordamos, ao dispersar a onda de desinformação sobre a bomba suja, a Federação Russa pode estar à procura de uma desculpa para avançar com uma operação militar com bandeira falsa". É o que diz esta mensagem de Kuleba. Durante a conversa, as duas partes discutiram medidas práticas para fortalecer a defesa aérea da Ucrânia. O Secretário de Estado garantiu que os Estados Unidos da América estão a fazer todos os esforços para garantir esta segurança, é o que diz Kuleba. A imprensa ucraniana escreve que a propaganda russa está nesta altura a atuar em massa para retirar apoios internacionais à Ucrânia. E descreve este caso como mais um caso de propaganda russa e dessa tentativa de evitar que a Ucrânia continue a receber assistência de vários países ocidentais.
É também notícia esta segunda-feira, dia 24 de outubro, o apelo das Forças Armadas da Ucrânia dirigido aos militares russos.
O Estado-Maior General das Forças Armadas da Ucrânia publicou um vídeo dirigido aos militares russos com o apelo para que não participem nos crimes de guerra do regime de Vladimir Putin e que se rendam.
Não era este o registo que queríamos escutar.
Este é outro filme.
Este é outro problema. Tentávamos escutar o vídeo desta publicação das Forças Armadas da Ucrânia. Creio que agora sim, já temos esse momento.
Aqui temos essa mensagem dirigida aos militares russos. O que vemos são imagens da guerra, essencialmente, russos a morrerem em território ucraniano, russos a perderem vários combates, russos a serem transferidos, os corpos, para a Rússia. De facto, são imagens deste conflito que já se prolonga desde fevereiro. E neste apelo que vamos escutando, o que se ouve é: "Você está no território de um país estrangeiro e participa em crimes de guerra da liderança russa. Todos os dias vocês são atirados para um matadouro. Para o vosso comando, vocês são materiais dispensáveis. Ninguém conta as perdas na Ucrânia. Perguntem a vocês mesmos: por que razão estão a lutar na Ucrânia? Pelo medo dos vossos líderes perderem o poder? Pelo estilo de vida baseado em dinheiro roubado? Por que não lutam pelas vossas famílias? Estão a lutar na Ucrânia por estupidez e por incompetência da vossa liderança. A Ucrânia nunca ameaçou a Federação Russa". Mais à frente, neste vídeo, é também mostrado como as forças da Ucrânia estão a combater sozinhas neste território. Podemos escutar também neste vídeo: "Hoje a Rússia não está em guerra com a NATO. Não importa o quanto os propagandistas do Kremlin dizem isso. Estão a lutar contra a Ucrânia, contra o povo ucraniano. As Forças Armadas da Ucrânia estão a proteger o seu povo e o país da vossa agressão. Estamos prontos para proteger as nossas casas, famílias e crianças e para proteger o nosso futuro. A vida não é feita para cumprir ordens criminais do regime de Putin". Por fim, este vídeo tem uma mensagem clara para os militares: "Salvem a vossa vida, salvem o vosso futuro, recusem-se a participar na guerra sangrenta de Vladimir Putin. Baixem as armas por um futuro seguro e pacífico". O comando das Forças Armadas da Ucrânia oferece também várias condições aos ocupantes que se rendem. A Pravda Ucraniana tem um artigo muito detalhado sobre isto. O Estado-Maior General garante o cumprimento das convenções de Genebra em relação a todos os detidos, assistência médica, contacto com familiares e amigos. Diz também a Pravda Ucraniana que todos os que se quiserem render são registrados como capturados durante as hostilidades. E isto permite que os militares russos evitem ser contactados pelos serviços especiais ou que sejam interceptados pelos serviços especiais russos e assim conseguem garantir a segurança. A Ucrânia garante também o pagamento. Tudo o que esses militares recebem da Rússia, eles pagam também se se renderem. Os mesmos militares que têm medo de serem perseguidos pelas autoridades da Rússia e que não desejem regressar à Rússia, ao renderem-se, podem ter proteção no território da Ucrânia. Há ainda também uma recompensa para tudo isto. Há até dois números de telefone na Ucrânia, que são divulgados várias vezes em zona de conflito. Há dois números de telefone, há também um portal para mensagens online, um chatbot, chama-se "Quero Viver", onde os militares russos podem inscrever-se e apresentar essa rendição. E portanto, fica este apelo em vídeo e depois a imprensa ucraniana faz o resto, a publicar também todas essas informações sobre como os russos se podem render.
Já que fizeste referência à Pravda Ucraniana, é nesta publicação que hoje surge um novo estudo, que dá conta que 86% dos ucranianos defendem que se deve continuar a defesa territorial contra a invasão russa.
Sim, é mais um estudo, foi feito nos últimos três dias. 86% dos ucranianos acreditam que é necessário continuar a luta armada, mesmo que a Rússia não pare de bombardear cidades ucranianas. Eles preferem essa luta armada às negociações. Ora, 71% dos entrevistados concordam plenamente que a Ucrânia deve oferecer resistência armada. Outros 15% tendem a concordar com isso e apenas 10% dos entrevistados responderam que é preciso avançar mais para negociações e menos para a luta armada. Este é um estudo do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, que foram feitas mil entrevistas por telefone e a amostra não incluiu residentes de territórios ocupados temporariamente.
Starlink continua a trabalhar na Ucrânia, mesmo que não tenha financiamento, Miguel.
Sim, para fechar. Os terminais Starlink, que ajudam a manter a comunicação, a rede Internet, principalmente nas zonas de combate na linha da frente, o Starlink vai continuar a trabalhar, garantia de Elon Musk, mesmo antes da resposta do Ministério da Defesa dos Estados Unidos da América. Elon Musk disse a Mykhailo Fedorov, vice-primeiro-ministro da Transformação Digital da Ucrânia, que a SpaceX não iria encerrar o Starlink, mesmo que o Ministério da Defesa dos Estados Unidos da América se recusasse a fornecer o financiamento. Fedorov confirmou tudo isto na rede social Twitter e, portanto, há garantia de Musk, há também garantia do governo ucraniano. O Starlink vai continuar a trabalhar essencialmente na linha da frente, a dar Internet a esses militares na linha da frente.
E é com essa garantia que terminamos mais uma Guerra Traduzida, um trabalho que contou com a colaboração da Tânia Olinik.