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"Guerra" traduzida na Rádio Observador. Vamos analisar a imprensa dos dois lados do conflito neste dia 20 de novembro. E hoje vamos começar com a imprensa da Ucrânia. É o trabalho do jornalista João Filipe Cruz. Olá, João, boa tarde.

Boa tarde.

Bem-vindo mais uma vez. Com colaboração da Tânia Olinyk. João, vamos começar com Volodymyr Zelensky, que não está otimista quanto à duração da guerra com a Rússia.

"Não vai acabar tão rápido quanto gostaríamos". É esta a frase do presidente ucraniano. Disse-a durante uma conversa com a Lachlan Murdoch, o presidente-executivo da cadeia televisiva norte-americana Fox. Uma conversa que está em destaque a esta hora no jornal ucraniano TSN. E neste desabafo, Zelensky reconhece que, por vezes, as pessoas esperam que tudo aconteça como acontece no cinema, que haja ação todos os dias, surpresas constantes, mas assegura que para os ucranianos, e mais especificamente pros soldados das forças de Kiev, o que se está a passar está longe de ser uma longa-metragem, um filme. O chefe de Estado relembra que estão em causa vidas, que há trabalho árduo todos os dias e dá também uma garantia: apesar de os ucranianos terem o direito a desistir, não o vão fazer, não o fazem. Zelensky reforça que é importante também que a atenção do mundo se mantenha sobre a Ucrânia e na luta dos ucranianos pela liberdade do país. De resto, o presidente ucraniano tem feito este apelo nos tempos mais recentes.

Uma declaração de Zelensky no dia em que o secretário de Defesa dos Estados Unidos da América está em Kiev.

Lloyd Austin chegou pela manhã. O anúncio foi feito pelo próprio, nas redes sociais. No X, o antigo Twitter, o responsável pela pasta da Defesa norte-americana escreve que está na Ucrânia para reasssegurar o compromisso de Washington em fornecer assistência a Kiev. O jornal Pravda partilha também os planos pra esta visita. Cita fontes do Pentágono para partilhar que Lloyd Austin, o secretário de Estado, está em Kiev para discutir o estreitar da parceria estratégica entre os dois países. E este estreitar de parceria inclui capacitar as forças ucranianas com os meios necessários para proteger o país durante o inverno contra futuras ameaças russas.

Ainda sobre apoio, João, o Japão anunciou que vai ajudar a Ucrânia na recuperação da economia.

É uma ajuda que se materializa em 160 milhões de euros. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro ucraniano, citado pelo Pravda. Denys Shmyhal adianta que esteve reunido com uma delegação japonesa, que contava, por exemplo, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, também com o ministro da Economia e ainda representantes do tecido empresarial nipónico, representantes de empresas japonesas. De acordo com o primeiro-ministro da Ucrânia, as prioridades de Kiev que foram ouvidas são energia, a habitação, também a recuperação de infraestruturas críticas, a desminagem, claro, e também o apoio às empresas para a retoma da normalidade assim que possível. Shmyhal agradeceu à comitiva japonesa que o recebeu, reafirmou que a Ucrânia quer criar parcerias, especialmente na indústria e na agricultura, e reconheceu que a experiência do Japão em recuperar de uma guerra pode ser também pra Ucrânia proveitoso quando Kiev tiver de fazer o mesmo.

E vamos terminar esta revista de imprensa com as manifestações de desagrado dos familiares dos militares russos que estão na Ucrânia. É uma informação avançada pelos serviços secretos do Reino Unido.

É isso. E está em destaque esta notícia no jornal ucraniano TSN. O descontentamento cresce na Rússia. O jornal lembra que no dia 7 deste mês de novembro, há algumas semanas, as esposas dos soldados russos fizeram o primeiro protesto público desde que a guerra começou nas ruas de Moscovo. De acordo com os serviços de inteligência britânicos, o descontentamento está a subir e todos os dias se materializa um bocadinho através das redes sociais, com desabafos de esposas, mães e familiares no geral de soldados russos. De acordo com o relatório das secretas britânicas, entre as razões pra este descontentamento está claro a duração da guerra e também a falta de rotatividade nas fileiras de Moscovo.

E é com este desagrado, com estas manifestações de desagrado, que fechamos este episódio. Já a seguir olhamos para a imprensa da Rússia.