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Destaque agora para a imprensa russa na Rádio Observador. Seguimos com a "Guerra Traduzida", conduzida pelo jornalista Miguel Cordeiro. É um programa feito em colaboração com a Larissa Tofmasian. E pra começar, Miguel, a Rússia diz que a Ucrânia só vai conseguir usar o sistema de defesa Patriot em 2024.

Ao contrário do que foi avançado por vários especialistas e de que as entregas dos sistemas de mísseis Patriot vão começar no primeiro semestre de 2023, e isso é de fato disparado, a verdade é que o treino das equipes ucranianas vai levar aproximadamente 53 semanas. Um ano tem 54. Portanto, isto faz prever que este sistema possa ser usado apenas no ano de 2024. Isto está escrito no portal americano Military Watch, é um site especializado em equipamento militar e hoje isto está também na imprensa russa, mais especificamente na Ria Novosti. Podemos ler: há uma extensa preparação antes de ser utilizado um sistema Patriot para que possa funcionar na Ucrânia, é o que diz o Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos da América, num relatório citado por esta publicação. Está escrito que apenas uma parte do sistema Patriot vai ser entregue à Ucrânia, o que levanta, de fato, sérias questões sobre a eficácia em responder a ataques aéreos de mísseis russos. Também por causa da experiência de combate, que é questionável, desse sistema em outros teatros de operações. Já falamos disso aqui na "Guerra Traduzida", que este sistema Patriot pode ter alguns problemas de utilização para responder a mísseis russos. E agora este dado pode apenas ser utilizado em 2024, devido ao tempo necessário para treinar as forças ucranianas a utilizar este sistema Patriot, sistema de defesa antiaéreo norte-americano.

Também em destaque esta segunda-feira, um ataque ucraniano a Makiivka. É assim que se pronuncia, Miguel? Há números diferentes avançados pela imprensa estatal e pela imprensa independente.

Vamos começar pela imprensa estatal, porque, de fato, ao início da manhã existia muito pouca coisa sobre este ataque. Agora já há dados divulgados pelo Kremlin. O Ministério da Defesa da Rússia diz que 63 soldados russos foram mortos em Makiivka depois de um ataque das Forças Armadas da Ucrânia. As Forças Armadas da Ucrânia atacaram o ponto de implantação temporária das Forças Armadas Russas na região de Makiivka, em Donetsk. É especificado que o bombardeamento foi realizado a partir do sistema de mísseis de lançamento múltiplo HIMARS. Os militares ucranianos dispararam seis mísseis, dois foram abatidos. O Ministério da Defesa da Rússia promete prestar toda a assistência e apoio necessário aos familiares e amigos das vítimas. E o dado avançado é que 63 militares russos morreram neste ataque ucraniano em Makiivka. Se formos à imprensa independente, já está também este comunicado do Ministério da Defesa russo, mas há mais artigos sobre o assunto. Por exemplo, na publicação Meduza fala-se em centenas de mortos. Podemos ler: na noite de 1º de janeiro, Makiivka, na parte anexa da região de Donetsk, foi atingida por um ataque de míssil. Foi destruída completamente a escola número 19, onde estavam militares russos estacionados. Tinham aqui um ponto estratégico. O Departamento de Comunicação Estratégica das Forças Armadas da Ucrânia fala sobre isto nos canais de Telegram. E podemos apontar já, de acordo com especialistas militares, isto está escrito na Meduza, que cerca de 400 pessoas morreram neste ataque e que outras 300 ficaram feridas. A imprensa ucraniana escreve que os mobilizados russos estavam estacionados nesta escola profissional. E também é relatado que este ataque foi feito pelo sistema HIMARS. Para já, oficialmente, o Ministério da Defesa da Rússia aponta para 63 militares mortos neste ataque, mas diferentes especialistas e alguns relatórios local apontam já para centenas de mortes, com esse número redondo a aparecer também na publicação Meduza, jornal independente russo, para mais de 400 mortes neste ataque e mais de 300 feridos.

Números diferentes consoante se trate da imprensa independente ou a imprensa estatal. É também notícia esta segunda-feira: a Gazprom alcançou um novo recorde de exportações para a China.

É um balanço de 2022. A Gazprom atingiu um nível novo de exportação de gás para a China. Isto é dito pelo chefe da empresa, Alexei Miller. Ele esclarece que, no ano passado, a pedido de Pequim, as entregas foram feitas regularmente para lá das obrigações contratuais, o que possibilitou o cumprimento excessivo do acordo. Em 2022, a Gazprom relatou repetidamente recordes do fornecimento de gás para a China. O último recorde foi registrado a 28 de dezembro, demos conta disso mesmo aqui na "Guerra Traduzida". O excesso máximo de obrigações contratuais ascendeu a 18,7%. Ou seja, a Rússia exportou mais cerca de 18% do que aquilo que tinha contratualizado com a China. Segundo Alexei Miller, o volume total de exportações para a China chegou a 48 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano. Sabemos, claro, que a exportação para a Europa reduziu-se e, portanto, a China foi um dos principais destinos do gás russo.

Para fechar, a corrida à Lua. Os Estados Unidos estão preocupados com a exploração espacial chinesa.

Podemos falar de um cenário de guerra paralelo a todo este conflito. Vivemos nesta altura e entramos em 2023 com uma divisão cada vez mais acentuada entre Ocidente e a Rússia, juntamente com a China. Sabemos que a China não se posiciona diretamente neste conflito, mas tem, de certa forma, pelo menos comercialmente, apoiado a Rússia, não aplicou sanções à Rússia. E temos com isto a surgir preocupações sobre esta luta por forças, por potências mundiais, e esta luta a chegar já àquilo que é a exploração espacial. E se formos hoje à imprensa independente russa, está este artigo que os Estados Unidos estão preocupados com a exploração espacial chinesa, mais concretamente a exploração na Lua. O chefe da NASA, Bill Nelson, expressou preocupação com o programa lunar da China. Em entrevista ao jornal Politico, ele sugere que a China pode ocupar as áreas mais ricas em recursos da Lua e depois manter os Estados Unidos fora dessas zonas. Ele diz: "Estamos numa corrida espacial. É melhor garantirmos que eles, os chineses, não chegam a um lugar na Lua sob o disfarce de pesquisa científica. É possível que depois nos digam: 'Fiquem longe, estamos aqui, este é o nosso território'". Segundo o chefe da NASA, a corrida lunar entre Estados Unidos e China está a ficar mais difícil e os próximos dois anos podem determinar quem a vai vencer. Além disso, ele diz que o progresso tremendo na exploração espacial que a China fez nos últimos 10 anos, acrescentando que a data para a chegada chinesa à Lua está cada vez mais próxima. Ao mesmo tempo, quase numa resposta, Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, comenta sobre esta situação. Diz que alguns funcionários dos Estados Unidos da América deturpam irresponsavelmente os esforços espaciais normais e legítimos da China. Diz este porta-voz: "O espaço não é um campo de batalha. A exploração e o uso do espaço para fins pacíficos é uma causa comum da humanidade e deve ser benéfica para todos. A China sempre defendeu o uso pacífico do espaço e opõe-se à corrida de armamento espacial". É o que diz o porta-voz da embaixada chinesa em resposta a essas preocupações levantadas pelo chefe da NASA.

E é desta forma que terminamos a edição de hoje da "Guerra Traduzida", com destaque para a imprensa russa.