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Guerra traduzida na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa ucraniana com a Laura Figueiredo. Laura, um ataque ucraniano em larga escala atingiu pontes e infraestruturas na Crimeia ocupada. Há fontes que relatam que não restam pontes intactas nas vias de acesso terrestres à península.
De acordo com relatos de fontes locais citadas pelo Pravda, durante a madrugada foram registadas várias explosões na Crimeia, península sob controle russo. Uma ponte na cidade de Armiansk terá sido atingida, bem como outra situada na entrada de Krasnogperkovsk. No sul da península foram igualmente relatadas explosões. Na cidade de Sebastopol, vários moradores terão ouvido lançamentos de mísseis a partir da zona do Cabo Fiolent. De acordo com os mesmos relatos, terão acontecido também impactos perto das baías de Komishova e Kozaka. Um dos impactos terá ainda atingido uma instalação militar na zona da baía de Striletska.
E a Ucrânia está a levar a cabo uma estratégia para isolar a Crimeia.
Quem o diz é o comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados, Roberto Brovdi. De acordo com o comandante, citado pelo The Kyiven Independent, os ataques sistemáticos a rotas de abastecimento já provocaram uma queda de cerca de 70% no tráfego de carga militar russa ao longo da autoestrada R280, que liga a Rússia à península através dos territórios ocupados de Mariupol e Berdyansk. Brovdi considera que a estratégia ucraniana foca-se em tornar a permanência de tropas russas na Crimeia extremamente difícil e prevê que, dentro de um mês, as forças ucranianas possam ter o controle total dos acessos rodoviários, estrangulando assim a logística russa, que depende destes corredores terrestres, devido às restrições do uso da ponte de Kerch para carga perigosa.
Há também um novo balanço feito pela Ucrânia que dá conta de que nas últimas 24 horas a Rússia teve mais de 1300 baixas.
Sim, os números são do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia. No campo de batalha, a artilharia e os drones ucranianos destruíram mais de 430 peças de equipamento militar num só dia, incluindo cerca de 70 sistemas de artilharia e mais de 2000 drones táticos. No entanto, a ofensiva russa contra áreas civis continua intensa. Hoje, o Oblast de Dnipropetrovsk foi atacado mais de 40 vezes. 12 civis ficaram feridos. Os bombardeamentos atingiram habitações, um banco, postos de combustível e veículos em distritos como Nikopol e Snihurivka, onde várias pessoas permanecem ainda hospitalizadas em estado grave.
Laura, falamos também ainda da Polónia, que exige um reembolso total da União Europeia por armas fornecidas a Kiev.
Sim, Varsóvia está a exigir o reembolso total, cerca de 450 milhões de euros gastos em armamento enviado para a Ucrânia. Opõe-se assim à proposta de Bruxelas de redirecionar estes fundos. O diferendo surgiu depois de a Hungria ter levantado o veto sobre os 6,6 mil milhões de euros do Fundo Europeu de Apoio à Paz. A Polónia rejeita a ideia da alta representante Kaja Kallas, que propõe reembolsar apenas 10% das despesas nacionais e usar o restante para compras conjuntas e também para o treino de tropas ucranianas. O governo polaco argumenta que não se devem mudar as regras a meio do jogo e insiste na devolução direta dos fundos ao orçamento nacional. Até o final de 2024, a Polónia tinha já fornecido assistência à Ucrânia equivalente a quase 5% do PIB nacional, incluindo também centenas de tanques e aviões.
Foram os destaques da imprensa ucraniana, hoje com a jornalista Laura Figueiredo. A Guerra Traduzida regressa amanhã. Fica disponível, como sempre, em podcast.