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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Diana Rosa, vamos aos destaques da imprensa ucraniana. Zelensky fala em negociações difíceis em Genebra, sinaliza um progresso no cessar-fogo, mas o impasse político persiste.

A Ucrânia e a Rússia falaram, sobretudo, dos acordos territoriais de segurança energética e do controle da central nuclear de Zaporízhia. O secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, Rustem Umerov, disse que as discussões estavam a decorrer em grupos de trabalho divididos entre vertentes políticas e militares. Depois das negociações, Zelensky fez saber que as forças ucranianas estão agora prontas para monitorizar um cessar-fogo, caso haja vontade política para implementá-lo. Explica que essa monitorização certamente vai precisar de envolver os Estados Unidos, o que descreve até como um sinal construtivo. Já no âmbito político, Zelensky afirma que as conversas se concentraram em todas as questões mais sensíveis, mas vai depois ser divulgado um relatório mais detalhado.

E a Ucrânia atingiu seis alvos militares russos, incluindo um lançador de mísseis.

Isto, Filipa, nos últimos dois dias. É o que indica o Estado-Maior da Ucrânia. Fala em ataques noturnos que incluíram um grupo de drones russos perto da vila de Trudov e tiveram como alvo uma oficina de drones na cidade de Tokmak, na região de Zaporízhia. Os outros ataques atingiram um centro de comunicações russo na vila de Staromlynivka e uma concentração de equipamentos militares no Donetsk. O Estado-Maior confirma também um ataque realizado perto de Mariupol. Destruiu um lançador do sistema de mísseis antiaéreos com valor estimado em, pelo menos, 120 milhões de dólares. O sistema é capaz de interceptar mísseis balísticos, aerobalísticos e de cruzeiro, de curto e de médio alcance.

E o ex-chefe das Forças Armadas da Ucrânia afirma que as profundas divergências com Volodymyr Zelensky prejudicaram a contraofensiva de Kiev em 2023.

E desencadearam, diz, um impasse dramático com os serviços de segurança. Valery Zaluzhny, apontado como potencial candidato à presidência ucraniana, revelou ainda ter sido contratado pelo ex-chefe de campanha de Donald Trump. Desde que foi destituído do cargo de chefe do exército da Ucrânia, no ano passado, e foi então nomeado embaixador do Reino Unido, Zaluzhny tem sido cada vez mais visto como o principal rival político de Zelensky. Afirma que as tensões começaram logo depois da invasão russa, com frequentes confrontos sobre a estratégia militar. Diz Zaluzhny que a relação tensa chegou ao ponto de ebulição ainda naquele ano, quando dezenas de agentes do Serviço de Informações da Ucrânia invadiram o escritório de Zaluzhny. Classificou ainda o incidente, então não divulgado, como um ato de intimidação, que corria o risco de expor divisões internas em tempos de guerra. Zaluzhny afirma que embora a crise inicial tenha passado, as divergências com Zelensky sobre a estratégia militar continuaram durante toda a guerra. Revela ainda que o plano que elaborou, com ajuda de parceiros da NATO, fracassou porque Zelensky e outros funcionários não quiseram disponibilizar os recursos necessários. Há dois oficiais de defesa ocidentais que corroboram este relato num artigo extenso que pode ser lido em detalhe no Kyiv Post.

É o ponto final na "Guerra Traduzida". Está de regresso amanhã.