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Seja bem-vindo a mais um episódio da "Guerra Traduzida". Estamos no dia 544 da invasão russa da Ucrânia, que é o país por onde começamos hoje. É um trabalho do jornalista Rui Casa Nova. Boa tarde, Rui.
Boa tarde.
Tem a colaboração da Tânia Olini. Rui, a imprensa ucraniana hoje dá claro destaque à digressão de Volodymyr Zelensky pela Europa.
É isso mesmo, João. Boa tarde. O presidente Volodymyr Zelensky tem visitado vários países europeus nas últimas horas. Esta manhã esteve na Dinamarca e dirigiu-se aos membros do Parlamento dinamarquês. Zelensky agradeceu-lhes a assistência militar prestada e assegurou-lhes que a Ucrânia vai vencer nesta luta contra a agressão russa. Vamos aqui ouvir.
"Thank all of you for helping us in our fight, difficult fight for freedom".
Ouvimos aqui Volodymyr Zelensky, que discursou desta vez em inglês no Parlamento da Dinamarca. O discurso de Zelensky foi mesmo interrompido várias vezes pelos aplausos dos deputados e convidados. A visita ao Parlamento dinamarquês acontece no dia seguinte à Dinamarca e aos Países Baixos terem anunciado que vão fornecer caças F-16 à Ucrânia. Como dissemos há pouco, este fim de semana Zelensky fez um autêntico périplo pela Europa. Já tinha estado na Suécia e Países Baixos. A imprensa ucraniana adianta agora que o presidente Volodymyr Zelensky vai viajar para a Grécia para uma cimeira sobre os Balcãs.
E no terreno, Rui, pela primeira vez, a Ucrânia conseguiu destruir totalmente o bombardeiro estratégico da Federação Russa.
É o resultado de um ataque com drone a um aeródromo na região de Novgorod, na Rússia. A Ucrânia conseguiu assim destruir completamente este bombardeiro nuclear estratégico das Forças Armadas Russas pela primeira vez. A informação é avançada pela própria imprensa russa, pelo jornal The Moscow Times, que cita um comunicado do Ministério da Defesa. O jornal Pravda cita essa mesma notícia e vai mais longe, divulga uma fotografia do bombardeiro, o modelo Tu-22M3, completamente em chamas e destruído na sequência deste ataque das tropas ucranianas. Não há para já mais informações ou reações a esta notícia.
Continuamos a olhar para o Pravda, que destaca também a ausência de Vladimir Putin da Cimeira dos BRICS.
É, isto com base no artigo de opinião da CNN Internacional. Este artigo diz que a ausência de Vladimir Putin nesta cimeira atesta o isolamento da Federação Russa e as oportunidades muito limitadas do presidente russo em se movimentar pelo mundo. A Cimeira dos BRICS começa amanhã em Joanesburgo, na África do Sul. Dura até quinta-feira. Em julho, foi revelado que Vladimir Putin não iria estar presente nesta reunião das economias emergentes, conhecidas como BRICS. Foi o próprio porta-voz do Kremlin avançar que o líder russo não iria participar presencialmente nesta reunião, apenas através de videochamada. Esta viagem de Putin à África do Sul esteve envolta em polêmica nos últimos meses, desde que o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de detenção por crimes de guerra contra precisamente Vladimir Putin. O país, que é um Estado-membro do Tribunal Penal Internacional, estava obrigado a colaborar com a detenção do presidente da Rússia. Foi depois anunciado que Vladimir Putin não iria estar presente nesta cimeira que começa amanhã. E claro, na véspera, a imprensa ucraniana relembra aqui este acontecimento, a ausência física de Putin nesta cimeira na África do Sul.
E Rui, terminamos com números e contas. As dos ucranianos não estão a melhorar, bem pelo contrário, porque nos últimos três meses o nível da dívida dos ucranianos aumentou.
Aumentou 7%. Estamos a falar de mais de meio milhão de novas dívidas. É quase tanto como desde o início da guerra. São dados da secção da economia do jornal Pravda. O jornal não divulga aqui valores exatos, mas salta à vista este número, uma subida de 7%. No topo da lista estão a cobrança em benefício do Estado, as multas por infrações de trânsito e dívidas de empréstimos, é o que escreve o jornal Pravda. É o resultado, assim, de um país em guerra.
É isso mesmo. Ponto final neste episódio da "Guerra Traduzida". Daqui a pouco, já a seguir, vamos traduzir a guerra do outro lado, do lado russo.