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Esta é a história do dia da Rádio Observador: a noiva, a coroa e a República.
Apesar do protocolo, apesar de poder parecer um ambiente pesado, vai ser muito descontraído. A Francisca surpreende sempre. No meio do protocolo, ela arranja sempre uma maneira de... Não, eu acho que sou muito descontraída. Descontrair o ambiente. E é o que eu quero, que as pessoas se sintam à vontade, ninguém é mais que ninguém e está tudo para o mesmo. É ótimo sentir isto como noiva, saber que está tudo a querer o meu bem e a rezar por mim e pelo Duarte.
Maria Francisca tem 26 anos, é a filha do meio do casal Dom Duarte Pio e Isabel de Herédia. É a única filha, é a Duquesa de Coimbra. O mais velho é Afonso, Príncipe da Beira, e o mais novo, Dinis, Duque do Porto. O pai é o pretendente ao trono português e é o chefe da Casa Real. Maria Francisca, acompanhada da mãe, deu uma entrevista à jornalista do Observador, Carolina Carvalho, em meados de setembro. Vai casar este sábado em Mafra, naquele que será o primeiro casamento real em 28 anos. E esta história do dia tem história, política, intriga, alguma dose de aventura e romance. Hoje vamos falar de um casamento. Vou conversar com Maria Ramos Silva, editora de lifestyle do Observador. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vinda, Maria.
Olá, Ricardo.
Vamos falar de uma boda e para isso precisamos de contar a história de como chegamos até aqui, à boda. Geralmente as histórias acabam no casamento e viveram felizes para sempre. Aqui vamos olhar um pouco para trás e vamos ter de regressar à guerra civil entre Dom Pedro e Dom Miguel, os dois irmãos desavindos, e também falar em Dom Manuel, que morreu em 1932, o último rei português. Por que temos de falar de Dom Manuel II para perceber melhor esta história, Maria?
Só porque foi um triste fim e porque não deixou descendência. Isso é relevante para esta história, de facto. A 30 de janeiro de 1912, no famoso Pacto de Dover, Dom Manuel II terá firmado um acordo com o seu primo do ramo Miguelista, que estava banido da sucessão, Miguel Januário de Bragança, em caso de não deixar herdeiros, o que aconteceu. Mas ainda hoje há quem conteste a validade deste entendimento, que à época visava, sobretudo, fortalecer as vertentes tradicionalista e monárquica contra a República, que viviam tempos ali particularmente agitados. E é isso que ainda hoje nos leva a grandes discussões sobre sucessões, direitos dinásticos, quem é o pretendente ao trono, enfim, é um mundo bastante complexo.
Ou seja, Maria, só para percebermos tudo isto. Dom Manuel II, que é o último rei de Portugal, que estava em Inglaterra no exílio, vinha da linha de Dom Pedro. Não tendo descendência, terá assinado esse acordo ou Pacto de Dover, na Inglaterra, de que falavas, e esse acordo previa passar o trono para a linha de sucessão de Dom Miguel, para os Miguelistas, isto no caso de não ter filhos. E assina esse acordo, ou terá assinado esse acordo, em 1912, um ano antes de casar. Ele acaba por morrer sem ter filhos. Apesar desse acordo, a paz só regressa verdadeiramente à Casa de Bragança muito mais tarde.
Bastante mais tarde. Aliás, a grande pacificação, digamos assim, acontece de facto em 1942, com o casamento Dom Duarte Nuno, que é o pai do atual Duque de Bragança, e é aí que se unem por fim as duas linhas absolutista e liberal. A história deste enlace dava toda uma outra série, Ricardo, aliás, várias histórias do dia, não vamos por aí, mas envolve uma intervenção muito particular de Salazar, à época chefe do governo. O noivo, que é neto do Miguel e até então vive na Suíça, onde nasceu, passou por Portugal até por uns dias, de forma assim quase semiclandestina, e depois embarcou numa aventura ainda mais discreta, com uma comitiva de pessoas que eram bastante próximas, rumo ao Brasil, e é aí que conhece a sua futura noiva. E essa futura noiva chama-se Maria Francisca de Orleans e Bragança, é uma princesa, é filha de Dom Pedro de Alcântara, príncipe do Grão-Pará e, sobretudo, bisneta de Dom Pedro II, imperador do Brasil e representante do ramo liberal dos Bragança. Portanto, aí tens o resumo desta aliança e a semente dessa junção.
Então, Maria, essa aliança, no fundo, é o casamento entre a linha de Dom Miguel e de Dom Pedro, nestes noivos, neste caso, os avós da noiva, da infanta Maria Francisca, que casa neste sábado.
Aliás, a avó tem o mesmo nome, ela tem o nome da avó.
E então, quem é esta infanta? E por que não princesa?
Boa pergunta, Ricardo. Olha, a noiva, como eu dizia, leva precisamente o nome da avó paterna, chama-se Maria Francisca de Bragança, é filha do meio de Dom Duarte Pio e Dona Isabel de Herédia, e nós falamos de infanta e não de princesa, reparaste muito bem, porque na Península Ibérica o herdeiro da coroa é o único que recebe o título de príncipe. Isto tanto na Espanha, onde é conhecido como Príncipe das Astúrias, e em Portugal, onde é conhecido como Príncipe Real de Portugal. Infante é um título de nobreza, está abaixo de príncipe, e é atribuído a todos os filhos legítimos do rei ou da rainha. Portanto, neste caso, no nosso caso concreto português, nós chamamos príncipe a Dom Afonso, o primogênito de Dom Duarte e Dona Isabel, príncipe da Beira, e depois chamamos infanta a Dona Maria Francisca, a noiva deste fim de semana.
E já falámos de história, de intriga e temos também de falar de política. Maria Ramos Silva Por que tanta atenção ao casamento de uma família quando vivemos numa república consolidada?
Tudo verdade, mas não é menos verdade que Portugal tem 880 anos de história e 767 dos quais foram passados em monarquia. Não é todos os dias que temos um evento com esta dimensão e exposição pública. Eu acho que é sobretudo por aí todo o relevo e a importância que damos à história e ao caso e a esta família. Portanto, estivesse este evento ligado à monarquia ou à república, eu acho que nós teríamos sempre, nós, mídia, um olhar com interesse redobrado sobre esta história. Há uma dimensão simbólica, julgo eu, que terá o seu peso, e depois uma vertente mais mundana, se quiseres, que é aquela que leva o público em geral, naturalmente muito curioso, a querer seguir temas tão distintos como o menu do copo d'água ou o vestido da noiva. Tudo coisas que nós vamos falar daqui a pouco.
Está prometido.
Para mais, nós sabemos que o faustoso casamento de dona Amélia e dom Carlos, em 1886, parou Lisboa. Também sabemos que em 1995, o casamento de dom Duarte e dona Isabel Herédia teve uma adesão enorme através da RTP, que transmitiu, mas também pela enchente na Praça do Império. E portanto, eu pelo menos tenho alguma expectativa em ver como será o primeiro casamento das redes sociais, porque no fundo é isso que vai acontecer.
Uma bonita tiara toda em brilhantes. E o Instagram de certeza que vai estar ao rubro neste sábado.
Ao rubro. E o Twitter, agora o X.
O X. E entre os convidados vão estar representantes do Estado português?
Vão estar, mas importa referir que os convites são feitos a título pessoal. Isso significa que em caso de ausência, não são enviados representantes em seu nome. Um republicano numa festa monárquica, eu diria.
Republicano, socialista e laico, com muita honra. Mas eu não venho a uma festa monárquica, venho ao casamento de uma pessoa simpática que é o senhor dom Duarte.
Nós podemos adiantar algumas confirmações da shortlist de presenças. Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, foi um dos primeiros nomes confirmados, por exemplo. Sabemos que o primeiro-ministro António Costa foi convidado, mas não estará presente, à partida, por motivos de agenda. E depois por Mafra passarão ainda uma série de nomes como o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, Durão Barroso, Passos Coelho, Paulo Portas, Miguel Albuquerque, a que se juntam também outros rostos da nossa vida pública como Jorge Jardim Gonçalves, António Horta Osório, o Miguel Horta e Costa ou o Jaime Nogueira Pinto. E claro, convém referir que a cerimônia vai ser conduzida pelo antigo patriarca, dom Manuel Clemente, que também tem uma relação próxima com a família. E na Basílica de Mafra estarão mais de cerca de 30 elementos do clero.
Ou seja, Maria, o convite é dirigido a Marcelo e não ao presidente da República, é isso?
Precisamente.
Já voltamos à conversa com Maria Ramos Silva, editora de lifestyle do Observador. Vamos ainda falar de tiaras, joias, bolos e vestidos e também carrilhões.
E o segundo vestido será para depois a festa?
Sim, é menos pesado, ou seja, é mais leve, não tem cauda. Também é um vestido simples, mas que consigo me mexer melhor, dá para dançar.
Da noiva, sabemos que a infanta Maria Francisca tem 26 anos, tirou o curso de Comunicação Social na Universidade Católica, gosta de dançar e diz ser uma pessoa simples. E o noivo, Maria Ramos Silva?
O noivo chama-se Duarte de Sousa Araújo Martins, ele tem 31 anos, é licenciado em Direito, também na Católica, à semelhança da noiva, e é mestre em Direito Bancário e Financeiro pela Queen Mary University em Londres. Ele atualmente é advogado, numa sociedade de advogados, e é especializado em mercado de capitais e fusões e aquisições.
O pedido de casamento foi muito original. Tive que ir pro outro lado do mundo pra ser pedida em casamento e subir uma montanha gigantesca, que depois no fim valeu a pena.
O pedido de casamento aconteceu em Timor, que é como sabe, um destino com especial vínculo aos Bragança. Mas rapidamente a notícia chegou a Portugal, e aí tudo ganha um outro interesse. A 15 de dezembro de 2022, os duques de Bragança, portanto, os pais da noiva, anunciaram que a filha ia subir ao altar. E o pedido de casamento foi feito, isto é muito curioso, com uma joia que foi criada especialmente para a ocasião e isto está cheio de simbolismo. Foi criada com a cumplicidade dos pais da noiva, a pedra central do anel foi retirada de um par de brincos que pertenceram à mãe de dom Duarte, portanto, à avó de Maria Francisca, com o seu nome também. E foi criado então o anel especial de noivado para esta ocasião e é aquele que a infanta Maria Francisca usa agora.
Ou seja, houve conluio entre o noivo e os sogros.
Uma grande conspiração.
E Mafra tem centenas de pontos de interesse, mas há aqui dois pontos de interesse muito raros em Mafra. Um são os carrilhões, o outro são os seis órgãos da Basílica de Mafra, que raramente tocam em conjunto. Vai haver música e seis órgãos a tocar ao mesmo tempo.
Vamos escutar isto tudo, sim. São duas referências absolutas que estarão em destaque neste dia. Por um lado, como disseste, o soar dos famosos carrilhões, que vão tocar a repique, como se diz, e é um dos grandes acontecimentos do dia para o município. É também uma missão especial para o carrilhonista, o mestre Abel Chaves, que terá uma presença decisiva neste momento. Os carrilhões fazem parte de uma aparelhagem sineira bastante mais complexa. São 119 sinos distribuídos entre duas torres. E depois, claro, como tu também referiste, os seis órgãos que foram originalmente instalados durante o reinado de dom João V e substituídos por outros de maior qualidade durante o período de regência do futuro dom João VI, e que nesta cerimônia de sábado Irão tocar temas de Albinoni e Händel, só para citar aqui algumas referências. Durante o plano, toda esta preparação musical, às tantas percebeu-se que já tinham excedido em larga medida o tempo disposto e portanto tiveram que cortar imenso e não vão poder passar tudo aquilo que estava previsto.
Tiveram de cortar na música.
Na música.
E quanto a convidados?
Ricardo, são mais de mil em Mafra.
Ui!
Sim, e depois uma lista bastante mais curta na recepção que os pais da noiva oferecem na sua casa de Sintra, que acontece depois da cerimônia, precisamente em Mafra. E de referir ainda que esta sexta-feira realiza-se um outro evento de boas-vindas, digamos assim, mais restrito, de cunho mais popular também, em que a infanta prevê algumas surpresas. Será um arraial. Vai ser curioso ver, sobretudo pelo que sabemos, a forma como aparecerá vestida, que será uma surpresa inclusivamente para o noivo. E depois há todos os convidados não oficiais, se quiseres, que, na verdade, o público foi convidado pelo próprio pai da noiva a aparecer em Mafra, em peso, para seguir o evento nos dois ecrãs gigantes que vão estar instalados. Aliás, vale a pena referir, e nós também já iremos a essa parte das sobremesas, digamos assim, mas no capítulo dos bolos haverá aqui uma atenção especial que será feita para este público que virá ali assistir, espera-se. E portanto, os noivos terão esse gesto de partirem um dos dois bolos juntos dos populares imediatamente a seguir à cerimônia.
E como se gere tudo isto? Porque organizar um casamento é uma dor de cabeça.
Agora imagina este.
Como é que tudo isto se organiza?
O antigo embaixador José Bouça Serrão, que é a figura que está ao leme desta equipa de wedding planning, se quiseres.
Que é um especialista em protocolo.
É um especialista em protocolo. Ele não tem tido mãos a medir, ele, claro, e a equipa que coordena. Ele conta-nos quando foi conhecida a notícia do noivado, deu os parabéns aos pais da noiva e dona Isabel, que já o conhecia, foi muito clara: "Eu conto consigo". E portanto, a partir daí, assim foi. Essa parceria estava mais ou menos implícita. E portanto, há que gerir protocolos, sensibilidades, atender a precedências e hierarquias, analisar o mapa dos lugares, pensar no tipo de recepção e o respectivo dress code, fazer a ligação com o protocolo de Estado e medidas de seguranças especiais. Portanto, eu imagino que já estejas exausto com isto tudo. É de facto muita coisa para gerir. E claro, contar com o esforço de quase 600 voluntários que antes, durante a festa e seguramente também depois, vão permitir que tudo corra dentro do previsto.
Voluntários? Há voluntários a ajudar?
São voluntários, sim. Portanto, desde todo o processo de preparação nos últimos meses até aqui, ligados nomeadamente à Real Associação de Lisboa, mas também jovens, inúmeros jovens que se inscreveram e que irão participar deste momento e que estarão a orientar convidados e a assumir diferente tipo de funções logísticas, digamos assim, para que tudo esteja ali dentro do figurino.
Maria, e quem vem? Por quem vem, eu digo reis, princesas, dragões?
Não temos reis. Teremos uma série de representantes diferentes das casas reais da Europa e do Brasil, que têm aliás uma estreita ligação com os Bragança, de onde vem um fortíssimo contingente. Mas teremos elementos da Bélgica, Rússia, Áustria, Alemanha, Luxemburgo, França, Suécia, Liechtenstein, enfim. São mais de mil convidados, como falamos há pouco, sempre menos do que aconteceu no casamento dos pais da infanta Maria Francisca, apesar de tudo.
Menos?
Menos, sim. É uma história curiosa. O Dom Duarte já recordou isso alguns anos depois da sua própria boda. Ele e a mulher endereçaram uma série de convites. Foram mesmo muitos convites. Por atenção, por cortesia, porque achava que calhava bem.
Foi um acontecimento.
Foi um acontecimento, mas não esperava, em bom rigor, que essas pessoas aparecessem em peso. O fato é que foi isso que aconteceu. Houve também outro pormenor curioso quando se percebeu, e o próprio Dom Duarte percebeu isso, que começou a receber cartas de agradecimento por convites que, na verdade, não tinha endereçado.
Foram falsificados?
Foram falsificados, houve uma fraude que felizmente foi detectada a tempo. E houve até um caso muito curioso, um, dois, três, não terá sido mais do que isso, de pessoas que não podendo ir, venderam os seus convites e portanto foram outras pessoas no seu lugar.
E agora houve alguma forma de acautelar isso ou não?
Eles não foram divulgados oficialmente, precisamente para tentar evitar esse tipo de manobras, digamos assim.
E a festa, como é que vai ser a festa? Guia-nos lá pelos pormenores.
A festa é uma festa dividida aqui em diferentes momentos, diria eu. Pretende ser uma festa simples e popular, muito próxima do povo. Também muito à semelhança do que foi a dos pais da infanta Maria Francisca. Talvez as pessoas com mais idade se recordem, de facto, dessa transmissão televisiva em que todos os Jerónimos, há desde a intervenção de Tunas, ranchos folclóricos e portanto, todos esses elementos eu penso que nós podemos esperar de novo, até porque a Real Associação de Lisboa está também envolvida nessa, juntamente com a Câmara de Mafra.
Isso é em Mafra?
Isso é em Mafra, sim. Portanto, no Terreiro Dom João V e nas imediações, curiosamente na Praça da República, ali tão aos pés do Mosteiro, os populares vão poder assistir. Vamos ter bandeiras, vamos ter esse tipo de detalhes que traz essa proximidade. E depois temos este momento mais solene na Basílica, que é antecedido pelo tal arraial. O arraial é um momento também em Sintra, é o momento que traz esse cunho também mais descontraído, mas mais restrito. Será apenas para a família e para alguns convidados. É uma espécie de aquecimento depois do grande dia, no sábado. E enfim, depois da cerimônia, os cerca de 1000, 1200 convidados passarão para um coquetel E depois, um número bastante mais reduzido seguirá para Sintra de novo, agora para o copo d'água.
E muito importante nos casamentos e obviamente no copo d'água, é a comida.
A comida.
Que é sempre a pergunta, e já lá vamos a como estava a noiva: a comida era boa?
Se se comeu bem.
Exato.
O menu, neste caso, ficou entregue a um chef que é um monárquico assumido, é também uma figura muito próxima da família, é um amigo. Era importante que a Elo Loureiro, que é o nome que está à frente destes menus, preferisse-
Também já foi o chef da seleção.
Exato. Neste caso, preferisse a sazonalidade, a proximidade e, sobretudo, lá está, as iguarias que pudessem dar aos convidados estrangeiros um sabor de Portugal. Portanto, daí tanta tradição à mesa, basta ver as ementas. Olha, desde logo no Arraial.
Bacalhau à Brás, vamos ter espetada de porco. É o Arraial real.
Que é um momento marcado por essa tal menor formalidade.
O Arraial que é esta sexta-feira.
Exatamente, em que será servido o porco bisaro, as ostras da ria de Aveiro, com uma série de pães, queijos e até haverá uma carrinha de gelados. Portanto, uma coisa assim mesmo descontraída. Para o copo d'água, o menu terá três momentos. A refeição começa com robalo, depois há vitela barrosã e, por fim, o cheesecake de sempre, que vai ser feito pela empregada da casa dos duques de Bragança, que é também uma nota desengraçada.
E o bolo da noiva?
É outra pergunta importantíssima, não é, Ricardo? Temos falado do bolo da noiva. Na verdade, são dois bolos, eu já levantei um pouquinho do véu sobre isso.
Um para comer.
Um para comer ali.
Para partilhar.
Para partilhar, precisamente, que será relativamente parecido com o bolo principal, digamos assim, e que será cortado depois nos claustros. Terá 150 quilos, 250 ovos, é o que leva.
150 quilos.
É uma coisa pesada, verdade. E será inspirado na fila irana do Gondomar. Portanto, aqui mais um apontamento tradicional, sendo que é muito curioso também porque a noiva não conhece o resultado final, portanto, vai ser uma surpresa até para a infanta.
Será que vamos ter um daqueles bolos, de certeza, em andares?
Vamos ver. Dos pais não era assim.
Com a figurinha dos noivos em cima.
Vamos ver.
Mas muito importante para tudo isto, o casamento é, sobretudo, o dia da noiva. Noivas, não se deixem enganar, este é o vosso dia. O vestido, o que é que sabemos do vestido?
Fez o meu vestido numa semana, uma semana e poucos dias, e era exatamente aquilo que eu imaginava, com o corte certo.
Já vestido, então?
Já vesti, a prova foi ontem e adorei.
Olha, mais uma vez, um pouquinho à semelhança dos bolos, sabemos que são não um, mas dois vestidos, que também é desde logo importante. Para já sabemos que nunca poderia ter sido os da mãe, ou seja, a infanta tinha mesmo que usar uma peça de reis, porque o vestido da mãe teve um destino trágico. Isabel de Herédia contou-nos, numa destas conversas recentes para o Observador, que temia, depois do casamento, a umidade de Sintra, então decidiu guardar o vestido na casa dos pais, mas aquilo foi pior a emenda que o soneto e depois houve um incêndio e a peça acabou por ficar destruída, toda chamuscada.
O vestido de noiva ardeu?
O vestido de noiva, sim. Portanto, nunca poderia ser usado pela filha. Havia aqui um requisito, sobretudo muito por imposição, sugestão, digamos assim, do D. Duarte, seguindo também esta toada muito tradicional da boda, é que fosse uma criação com assinatura portuguesa. E, portanto, vai ser feito por uma costureira chamada Luzia do Nascimento, que acompanha a família através de uma série de outros vestidos há muito tempo, e assim será. É um vestido que se anuncia de princesa, justamente, com cauda e véu, sendo que a outra peça, a que será usada no copo d'água, já depois da boda, será mais prática para que também se possa dançar à vontade e não se ter caído mais um vestido. Quanto aos acessórios.
Exatamente, ainda não falámos de tiaras.
Não falámos de tiaras, e aqui é importante porque a infanta vai usar a tiara da rainha dona Amélia, que é outra referência nesta história, e ainda uns brincos da mãe, outros da avó e ainda uma pulseira real emprestada, porque convém levar sempre alguma coisa emprestada.
E com o casamento arrumado, começa a lua de mel. Onde é que começa esta história do e viveram felizes para sempre depois?
Bom, os noivos vão para Marrocos. É interessante porque o destino foi eleito antes do trágico e recente terramoto e já em conversa com o Observador insistiram que não iam alterar os seus planos. Foi assim que decidiram e vão manter, sim, até porque tinha que ser algo relativamente perto, sei lá, só uma semana, uma coisa breve. Mais por diante, talvez viajem pelo Médio Oriente e pelo Mar Cáspio, confessaram-nos, mas agora também vão estar muito ocupados com a mudança para Londres. É aqui que deverão viver pelo menos um ano neste começo de vida.
Não ficam a viver cá?
Não ficam em Portugal, não. O noivo vai trabalhar para Londres, a infanta vai acompanhá-lo e, portanto, pelo menos durante algum tempo, estarão lá a residir. E é aí que se vão estrear nesta nova vida de marido e mulher.
Ou seja, Maria Ramos Silva, nunca ninguém quer saber de casamentos, nem casamentos reais, mas estamos aqui-
Vamos fazer contas
...quase há meia hora, vamos a caminho de meia hora, não é tanto, a falar de uma boda.
É verdade, e podíamos continuar a falar muito mais. Eu tenho sempre a ideia que, aliás, eu penso que os joalheiros, que são figuras especialmente envolvidas nestas grandes festas, têm muito a ideia de que o mundo, por mais que mude, nós vamos continuar a comover-nos, a emocionar-nos e a vibrar com tudo o que seja casamentos, batizados. E, portanto, mais real, menos real, tenho a certeza que esta história não fica por aqui e que daria muito mais histórias do dia.
Obrigado, Maria.
Obrigada, Ricardo.
Maria Ramos Silva é editora de lifestyle do Observador. Tanto no jornal como na rádio, temos acompanhado os preparativos para este casamento, a 7 de outubro, da Infanta Maria Francisca, que se casa com Duarte de Sousa Araújo. Vamos também ter reportagem na rádio e no jornal durante o dia deste sábado. Esta foi a história do dia. Ouvimos sons recolhidos pelo Observador numa entrevista à Infanta Maria Francisca e à mãe, Isabel de Herédia, e ainda sons da emissão especial da RTP do casamento dos duques de Bragança em 1995. Ouvimos também os carrilhões de Mafra, de um vídeo da Câmara Municipal, e um excerto de Magno Mysterium, de Marcus Portugal, que vai ser uma das peças musicais que vão ser tocadas em Mafra. A sonoplastia é da Beatriz Martelo Garcia, a música do genérico do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até segunda.