Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Esta é a história do dia da Rádio Observador. O Governo passou nas provas do nono ano?
Estamos à espera que durante o dia de hoje, não sabemos se é de manhã, se é de tarde, se é ao final do dia, esses resultados cheguem às escolas, porque os nossos alunos estão muito ansiosos e os pais também, e os professores também querem saber, de facto, quais foram as classificações, quer a matemática, quer a português, das provas finais de nono ano.
Era para ser segunda-feira, depois passou para terça, depois para quarta. A data para a publicação dos resultados das provas dos alunos do nono ano foi sendo adiada e só ao terceiro dia é que os resultados começaram a chegar às escolas. As provas têm um impacto de 30% na nota final do ano e, por isso, podem ajudar a definir quem passa ou não de ciclo. Para além disso, a segunda fase começa já esta sexta-feira. Afinal, o que é que aconteceu? Que impacto é que este atraso pode ter na vida dos alunos? Vou falar com a Leonor Riso, editora adjunta de sociedade do Observador. Eu sou a Teresa Abécassis e esta é a história do dia de quinta-feira, 17 de julho. Bem-vinda, Leonor.
Olá, Teresa.
Este foi o primeiro ano em que se realizaram estas provas do nono ano e parece que nada corre bem. Já houve várias questões na altura em que os alunos fizeram as provas, no final de junho, e agora também com a entrega dos resultados. O que é que aconteceu? Os alunos já têm as notas das provas?
Sim, as notas das provas começaram a ser afixadas nas escolas ao longo da tarde de quarta-feira, depois de terem chegado ali por volta da hora de almoço. Contudo, estas classificações já deviam ter dado entrada nas escolas, quer seja para serem tratadas pelos professores, que desfazem o anonimato dos alunos, na segunda-feira.
E o que aconteceu para justificar este atraso? As provas foram realizadas no final de junho. Há muito que se sabia que as notas deveriam ter saído na segunda-feira, 14 de julho.
Sim, em comunicado enviado durante a tarde desta quarta-feira, o Ministério da Educação referiu-se a falhas técnicas identificadas no dia 14 de julho. Este é o dia em que as notas deviam ter chegado às escolas, como indicaste, para depois serem afixadas. Um dos erros das falhas técnicas detetados foi a não submissão, na plataforma do IAVE, das folhas digitalizadas das provas de matemática, ou seja, era a parte manual destas provas digitais. Este erro impediu a classificação atempada das respectivas provas e também que os resultados fossem enviados às escolas dentro do prazo previsto. E este não foi o único percalço. O Observador sabe que num agrupamento de escolas em Sintra, o Júri Nacional de Exames pediu um professor que pudesse corrigir 700 itens da prova de português em troca de €200. Este pedido ocorreu a 7 de julho, quando o prazo para a entrega das provas era o dia 11.
Como é que este atraso na divulgação das notas pode afetar os alunos?
O prazo para a inscrição na segunda fase dos exames era o dia 16 de julho e nessa manhã ainda não havia notas afixadas, ou seja, os alunos não sabiam se tinham ou não que se inscrever. Porém, o Júri Nacional de Exames decidiu resolver isto ao inscrever automaticamente na segunda fase das provas os alunos não aprovados após a primeira fase. Esta seria a maior dificuldade.
Como disseste, a segunda fase dos exames estava previsto começar amanhã. Este prazo mantém-se? Há alterações?
Sim, segundo a nota que já citei do Júri Nacional de Exames, as datas mantêm-se. Tanto a data das provas finais de português, português língua não materna e português língua segunda, no dia 18 de julho, como a prova final de matemática, no dia 22 de julho, e as restantes datas, como as das matrículas, vão manter-se.
Já regressamos à conversa com Leonor Riso, editora adjunta de sociedade do Observador. Na segunda parte, olhamos para o percurso atribulado que estas provas têm tido e que não tem que ver apenas com a entrega dos resultados. Estamos de regresso à conversa com Leonor Riso, editora adjunta de sociedade do Observador. Leonor, para além da dificuldade em dar as notas, houve aqui muitos outros problemas relacionados com as provas do nono ano que contribuíram para gerar alguma confusão. Ainda esta quarta-feira contávamos na página do Observador o caso de uma escola em São Teotónio, no distrito de Beja, que chegou a afixar as pautas esta quarta-feira e depois teve indicação para as retirar. Também há a notícia de 15 escolas no país que estão à espera para saber se as provas vão ser anuladas ou não.
Sim, o Observador relatou que na Escola Básica 2/3 de São Teotónio, no distrito de Beja, as pautas foram afixadas, mas foram retiradas pouco tempo depois, mediante indicação do Júri Nacional de Exames. Aliás, o ministério assinalou num comunicado que a afixação das notas devia ter sido feita ao mesmo tempo em todo o território nacional, mas que os três agrupamentos de exames do Júri Nacional de Exames no Alentejo, ou seja, Beja, Évora e Portalegre, incumpriram com estas orientações, enviando antecipadamente as classificações às escolas das suas áreas geográficas e algumas delas afixaram as pautas. Acerca do caso que mencionaste das 15 escolas onde foi dado aos encarregados de educação a possibilidade de anular a prova de matemática, pouco se sabe. O governo indicou que estão em causa constrangimentos ocorridos no primeiro turno da prova e que têm que ver com o tempo de compensação No entanto, esta lista de 15 escolas não é pública. Isto não permite perceber se a todas as escolas em que se verificaram irregularidades foi dada essa possibilidade. O Observador procurou saber essa informação junto do governo e ainda aguarda resposta.
Este foi o primeiro ano de aplicação das provas nestes moldes. O objetivo inicial era que todos os anos os alunos do nono ano fizessem o mesmo exame e só assim, entende o ministério, seria possível avaliar a evolução dos resultados.
Precisamente. Está a ser seguido um modelo que permita a comparação da evolução dos conhecimentos ao longo dos anos e, como noutros países, a prova é igual de ano para ano, é sigilosa. Mas se no estrangeiro estas provas só servem para isso mesmo, para averiguar o estado do conhecimento dos alunos, como é o caso do PISA, aqui estão a ser usadas para a nota. Ou seja, no estrangeiro não contam para a nota, não são exames nacionais como os nossos.
E estas provas era suposto, como disseste, serem secretas, mas foram logo divulgadas e partilhadas. Digamos que com 100 mil alunos a fazer os exames, também não é surpreendente. Também como eram realizadas em dois turnos, dava para uns alunos contarem a outros o que é que era perguntado. Isto sem falar de outros problemas logísticos relacionados com a realização da prova.
Sim, os problemas técnicos que estás a recordar relacionam-se com a plataforma em que foi realizada a prova. Estes problemas técnicos até levaram o Ministério da Educação a anular um item da prova de Matemática. Era o item número 2. E tivemos, como também recordaste, o caso do Rei da Matemática, de que falámos no Observador, que através dos contributos de alunos espalhados por todo o país, revelou no TikTok um enunciado que devia manter-se sigiloso.
E como é que os pais e os alunos têm acompanhado todo este processo? E os professores também.
Agora que a situação parece estar normalizada e as pautas foram afixadas, está tudo mais tranquilo, mas a verdade é que estes dias de atraso foram marcados por telefones que não paravam de tocar enquanto as notas não apareciam. Os pais e os alunos estavam ansiosos de saber quando é que eram divulgadas as classificações, enquanto os professores e directores recebiam comunicações do Gabinete Nacional de Exames sem justificar o que estava por trás deste atraso. E a verdade é que mal receberam as classificações, os professores tiveram que meter mãos à obra para compensar todo o tempo perdido.
Há muitas lições a retirar para o próximo ano letivo? O governo passou este exame?
Várias fontes que nós ouvimos salientaram que era a primeira vez que este exame era realizado em formato digital e que tudo o que se faz pela primeira vez nem sempre corre bem. Contudo, também é de assinalar que houve provas-ensaio para preparar estes exames do nono ano e mesmo assim não foi possível evitar este atraso de dois dias.
Obrigada, Leonor.
Obrigada, Teresa.
Leonor Rizo é editora adjunta da secção de sociedade do Observador. O som que ouvimos no início deste episódio é da CNN Portugal. A terminar, três notas para esta quinta-feira. Realiza-se no Parlamento o debate do Estado da Nação, o último grande debate que encerra a sessão legislativa. É o segundo de Luís Montenegro como Primeiro-Ministro. Em cima da mesa deverão estar temas como a saúde e a imigração. Termina hoje o prazo para a ANA, concessionária dos aeroportos portugueses, entregar ao governo uma proposta para a construção do novo aeroporto de Lisboa, no campo de tiro de Alcochete. Este é um relatório com especificações técnicas. Se for aceite, segue-se um estudo prévio da nova infraestrutura e um dossiê de candidatura que deverá ser entregue até janeiro de 2028. Recorde-se que este aeroporto está previsto que entre em funcionamento em 2034. Começa hoje mais uma edição do Mercado Medieval de Óbidos, um dos maiores eventos de recriação histórica da Península Ibérica. O tema deste ano é o amor entre Pedro e Inês. O mercado teve a primeira edição em 2002, há mais de 20 anos, e pode ser visitado até 27 de julho. Esta foi a história do dia. A sonoplastia é do Artur Costa, a música do genérico é do João Ribeiro. Eu sou a Teresa Abecasis. Até amanhã.