Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Na rotunda, vire à direita para a Rua das Galegas. Chegou ao seu destino.
Esta é a história do dia da Rádio Observador: o que mudou no Zambujal? Olá, Mário.
Bem-vindo.
Obrigado.
Aqui nós achamos que esta sempre é a entrada do bairro, pelo menos pedonal. Esta é a Rua das Mães d'Água.
Talvez o resto eu que dude, é isso?
Exato.
Odair Moniz morreu há um mês. Foi atingido por um agente da PSP na madrugada de 21 de outubro, na Cova da Moura. A morte deste homem, de 43 anos, desencadeou tumultos que começaram no bairro do Zambujal, um bairro do Conselho da Amadora, que a maioria dos portugueses não conhecia. Um mês depois da morte, um mês depois do autocarro incendiado, regressamos ao bairro do Zambujal. Vou visitar este bairro com a ajuda do Mário Linhares, presidente da Associação Há de Gentes, que entrou no bairro há 20 anos como voluntário dos missionários da Consulata. Eu sou o Ricardo Conceição e este é um episódio especial da história do dia, de sexta-feira, 22 de novembro.
Está tudo bem?
Bom dia. Olá.
Lembras-te daquela notícia do Observador que vocês disseram que ouviram?
No episódio de 28 de outubro da História do Dia, Mário Linhares faz-nos um retrato do bairro do Zambujal e fala-nos do Café Taje do Oceano, que terá a melhor tosta mista do Conselho de Amadora e arredores. Esta é a nossa primeira paragem e é à mesa do café que falamos com o dono.
Eu chamo-me João Fernando, estamos em Alfragide, no Café Taje do Oceano, mais concretamente no Bairro Zambujal.
Está há quanto tempo no Zambujal?
Estou há 24 anos.
Vive aqui e trabalha aqui, o café-
Vivo aqui e trabalho aqui.
Como é que foi aquela noite de há um mês? Foi uma coisa inesperada, inusitada?
Foi inesperado porque eu não estava à espera que aquilo acontecesse. Mas pronto, foram só aquelas duas noites é que foram as piores.
De resto, as coisas acalmaram, a vida voltou ao normal?
Sim, está tudo normalíssimo. Não se tem passado mais nada depois disso e esperemos que não se volte a passar.
Quando fala com as pessoas e diz que o seu café é aqui no bairro do Zambujal, nota algum receio por parte com quem fala sobre isso? As pessoas vêm aqui à vontade? Como é que o senhor lida com isso?
Eu nunca tive receio de dizer onde é que era o meu café. Eu respeito toda a gente e toda a gente me respeita a mim. Respeitando-me a mim, respeitam o café. Eu vivo dentro do bairro. Não quer dizer que uma pessoa que venha de visita seja igual, seja a mesma coisa. Está a ver? Porque uma coisa é: a mim toda a gente me conhece. E outra coisa é passar alguém que não é conhecido. Não é a mesma coisa.
Mas as pessoas têm receio de vir ao bairro.
As pessoas têm receio de vir ao bairro. Para já, pela fama. E depois, muito por aquilo que se passou.
E neste mês mudou alguma coisa ou está tudo exatamente igual ao que era há um mês?
Está um bocadinho diferente. As pessoas estão mais desconfiadas. Eu próprio estou mais desconfiado. Eu, se for por aí fora, vou olhar para todos os lados. Pode aparecer uma pedra inesperada, pode aparecer sei lá o quê, e uma pessoa. Mas que se vive com mais desconfiança, vive-se. Aliás, eu acho que nunca mais volta a ser a mesma coisa.
Mas houve reforço, por exemplo, reforço policial, não houve?
A polícia não se vê dentro do bairro, agora. Desde que isto se passou, a polícia dentro do bairro, só se for alguma coisa muito espontânea e que tenha mesmo que ser, porque a polícia praticamente nem tem vindo aí, que eu veja.
E por que a sua tosta mista é a melhor do mundo e arredores?
Nós fazemos com carinho.
Isso é essencial. Mário, onde é que vamos agora?
Agora vamos ao conhecidíssimo Estofador da Buraca, que fica no bairro do Zambujal.
O tal que falámos na nossa conversa, que tem uma lista de espera longa, não é?
Sim, vamos confirmar se a lista de espera se mantém.
Auto-estofos da Buraca.
Exatamente.
Ricardo é jornalista da Rádio Observador. Eu pensei que tem uma lista de espera longa.
Já estou a marcar para a segunda semana de janeiro.
Segunda de janeiro. Estamos em novembro.
Estamos em novembro, exatamente. Mas também é assim, o mês de dezembro, metade do mês de dezembro, sabe como é.
É Natal, final de ano. Ainda não lhe perguntei o nome.
Eu sou o António.
António?
António Rodrigues.
E que idade tem?
60. No mês que vem já faço 61.
Não vamos antecipar.
Não.
E está aqui há quanto tempo, no Largo do Zambujal?
Há 40 anos.
O que aconteceu aqui há um mês foi algo de extraordinário ou é algo que vai acontecendo no bairro ciclicamente?
A minha opinião. O que eu ia dizer da minha opinião? Isto para mim é miúdos. Para mim é miúdos. Tenho pena do que vai acontecer ou o que aconteceu à gente, porque isto qualquer dia os miúdos já querem mandar nisto. Só entram quem eles querem. Isto é mau para o bairro, mas também vi muita coisa que a própria comunicação social também alimentou muito isto. Logo de manhã já estavam aí. Não se passa nada. Os clientes ligavam para mim: "Está tudo bem, a correr bem". Aqui não se passa nada. Aqui embaixo, é sério, aqui embaixo não se passou nada.
Estava tudo a trabalhar normalmente.
Não, mas nada assim, não se passava nada. Os clientes é que estavam com receio que fosse aqui perto de nós, por causa dos carros. Eu tive quebras de marcações, porque o pessoal estava com medo que viessem. Agora, do resto, futuramente. Não têm nada que fazer, fazem isto.
Mudou alguma coisa durante este mês, aqui no bairro? Notou alguma diferença?
Não.
Mais polícia, menos polícia?
Não. Olha, às vezes, tinha semanas que era raro eles não viessem ali tomar o pequeno-almoço. Agora, ultimamente, não têm aparecido aí.
Nem vêm aqui até ao pequeno-almoço.
Não, mas tenho visto. Eles até costumam pôr a carrinha aqui, tapar a porta e tudo. Eles já sabem que a gente entra para as 08h30. Sim. Há quanto tempo é que eles...
Posicionam a carrinha lá embaixo. Na segunda ontem tiveram.
Mas ontem não vi. Mas agora do resto, não sei. Não sei qual é a ideia deles.
Mas o senhor sente que, por exemplo, os clientes têm medo de vir aqui? Quando disse que era um bairro de Zamejal, as pessoas têm medo de vir cá ou não?
Alguns têm. Medo. É aquela, perguntam, fazem uma pergunta. Eles sabem que nós estamos aqui há muitos anos. "Então tiveste problema?" "Não, então aqui o bairro de Zamejal." Não, isso foi lá para trás, onde eles moram. Porque eles depois querem fugir, são apanhados, porque eles ali metem-se, estão ali perto de casa, metem-se na casa e pronto, ninguém os apanha. É miúdos, mas tem miúdos.
São adolescentes, basicamente é isso.
Do bairro de Zamejal. Rui, atende isso, acho eu.
Portanto, quando nós ouvimos as discussões sobre se há um protesto organizado, se há, de alguma forma, uma revolta, como é que o senhor olha para esse tipo de debates? Está-me a dizer que, no fundo, são miúdos a fazer tropelias.
Daqui do bairro. A minha opinião, eu acho que eles não têm nada que fazer. Para mim, eles não têm nada que fazer. Esta mocidade só pensa em estragar. Só pensa em estragar. Qual foi a ideia deles que queimaram o autocarro? O pior disto foi destruírem as coisas, os caixotes, o autocarro. Foi destruído.
E essas coisas já foram repostas, pelo menos, ou não? Já houve alguma tranquilidade?
Os caixotes acho que já puseram. Já puseram para os caixotes. Agora o autocarro não sei se já passa lá. Já passa tudo.
Passa também?
Isto já...
Voltou tudo ao normal.
Tudo ao normal. Ouça, isto para nós é normal. Agora está muito mais calmo, mas isto ao princípio era guerra. Isso era quase guerras. Mas não era para aqui, era sempre lá para trás.
Estamos na Rua das Mães d'Água.
Agora vamos andar pela Rua das Mães d'Água, que é a primeira rua pedonal que o bairro tem, e por baixo passa o Aqueduto das Francesas. Podemos subir aqui estes degraus. E é uma rua onde as crianças brincam muito ao final do dia.
Diria que é uma arquitetura típica de bairro social, se me é permitida a imagem.
Sim.
Com cores fortes, vermelhos, amarelos. Temos aqui uma rua empedrada entre dois blocos de apartamentos.
Exato. Sim, não há varandas. É uma coisa típica da habitação social.
Uma caixilharia de alumínio daquela cor de alumínio.
Exato. E sim, este bairro, esta zona, especificamente, o arquiteto Hélder Almeida foi quem concebeu este projeto. Estas casas aqui, curiosamente, são as que as pessoas dizem que são as melhores, são as maiores também, muito bem estruturadas, em comparação com a segunda fase de construção do bairro, e todas as pessoas preferem viver aqui nesta zona. Portanto, há casos de famílias que tiveram que viver para outras casas mais pequenas, porque o agregado familiar ficou reduzido, que ficam sempre com muita pena de saírem desta zona do bairro.
Podemos dizer que aqui é o centro do bairro?
Sim, esta é a zona mais central. E foi à volta desta rua onde os tumultos aconteceram.
Voltamos ao contacto com o repórter Carlos Pedro. Carlos, apesar de estarem longe, é possível perceber que há pelo menos um autocarro a arder nesta altura.
Sim, é verdade, Luís. Entretanto, aproximei-me um bocadinho do local onde neste momento podemos ver um autocarro a arder. Vários polícias foram mobilizados para o local. É um momento de muita tensão que se vive neste momento.
Esta zona está, pelo menos aqui, no sítio onde estamos, com ar mais degradado. Andámos aqui uma dezena de metros, mas os sinais de degradação aqui são maiores do que lá atrás.
Sim. Lá atrás, onde começámos, estamos na periferia entre a entrada no bairro e a zona de Alfragide. E nota-se que tudo o que está para fora do bairro está com tratamento de jardins, de limpeza, com cuidado maior. E dentro do bairro existe limpeza, mas se calhar não tão frequente.
À medida que vamos caminhando e entrando, são maiores os sinais de degradação. Portas partidas, vidros partidos.
Sim.
O autocarro continua a arder intensamente. Não há para já bombeiros, devem estar a caminho, mas neste momento não estão aqui no local, apenas agentes do corpo de intervenção.
Rua das Galegas com a Rua do Serrado dos Amboeiros e aqui talvez tenha sido mesmo o ponto central que as pessoas se lembram de ver na televisão.
O autocarro.
Quase que nem se percebe as marcas, porque realmente derreteu bastante a área
Sim, área com as marcas do alcatrão, pelo menos meio derretido. É uma área grande, porque a temperatura terá sido altíssima aqui. E isto aqui é também centro do bairro. Temos aqui um café ao lado, o Café da Graça, onde estão uma série de jovens também.
Temos aqui, é.
A Academia Johnson também ali à vista.
A academia, a mercearia da Tianita, onde param as pessoas mais velhas, no café da Sônia, que é este onde param os mais jovens. E esta mercearia que abriu há pouco tempo aqui no bairro, mas é uma zona importante de entrada, de facto, esta estrada é muito importante de entrada para o bairro.
Ok. Já está um autocarro a passar, portanto quer dizer que os autocarros voltaram a passar aqui.
Sim.
No bairro.
Foi logo a seguir. Talvez na semana seguinte.
Está a passar o 1001. O nome que está escrito no toldo do café da Sônia é Café da Graça, mas isso pouco importa. É lá que estão alguns jovens que recusaram falar conosco. Dizem apenas que querem o regresso da paz e da tranquilidade ao bairro. Os tumultos ficaram cravados no asfalto. São cicatrizes, diz-nos Mário Linhares, o nosso guia.
Os caixotes queimados deixaram essas marcas.
Sim, há a marca.
O que me parece interessante de...
Parece que o alcatrão derreteu, não é?
É, pela temperatura. Mas são metáforas das tais cicatrizes sociais que se calhar nunca eram visíveis e que de repente, agora, nós olhamos e estão mesmo aqui. E estão para ficar.
Estão marcadas no chão.
Estão marcadas, sim.
Estas marcas de que fala o Mário estão em dois locais, mas noutros 12 locais, há outras, outras marcas. São histórias e rostos imortalizados nas empenas dos prédios do Zambujal, pintadas por artistas, que mostram às crianças do bairro que podem ser polícias, futebolistas, médicos ou artistas. E há até uma história de amor.
E depois, lá ao fundo, temos outro mural, que é com a Soraia, a jogar xadrez com o Pedro das Neves. São eles os dois, casal. Ela, que é da comunidade cigana e ele que é mistura, tinha o pai cabo-verdiano e a mãe portuguesa. E é uma história bonita de amor, de um caso improvável, porque à partida essas duas culturas têm muita dificuldade em-
Não se misturam.
Em misturar, e eles conseguiram levar a história de amor deles para frente. E está ali eternizada essa história, num jogo de xadrez, que está relacionado com a ODS 5 de igualdade de gênero. O xadrez é um jogo intelectual, estão a jogar em pé de igualdade e com igualdade de direitos. É dos murais que as pessoas também mais gostam, não só pela pintura, mas também pela história, porque no fundo ela bateu o pé e disse: "É com ele que eu quero casar". E aquilo foi difícil, mas conseguiram levar para a frente a sua história de amor.
A ideia da iniciativa Zambujal 360 é pintar 17 murais. Nesta altura, está a ser pintado o 12º.º E já lá vamos parar para conhecer o Bernardo Carvalho. Primeiro, entramos noutra zona do bairro do Zambujal, quando passa pouco do meio-dia.
Mas aqui percebe-se que eles foram muito generosos com os espaços públicos. Os jardins são muito largos, os prédios não são muito altos, boa exposição solar. Como não há varandas, não há espaço exterior dentro de casa, eles quiseram mesmo privilegiar os jardins.
Temos aqui uma alameda, generosa, com árvores.
Alameda, plátanos.
Plátanos, exatamente.
E uma área muito grande de jardim. Eu diria que hoje em dia, se fosse construído um bairro social aqui, punham mais um bloco de edifícios aqui a mais.
E não espaço verde.
E não espaço verde, sim. Acho que aqui se percebe bem por que o bairro é premiado ao nível de projeto de arquitetura, porque realmente propõe uma qualidade de vida fora do comum.
E como é que os moradores reagem à pintura?
Nós, como envolvemos os moradores desde o início, ou seja, propomos uma reunião com o artista logo para falar do tema, para eles darem ideias, e depois o artista apresenta a sua proposta, onde os moradores também podem dar sugestões. Nós vamos muito devagar e sempre a tentar incluir a comunidade. Diria que recebem muito bem, mas como em qualquer museu, há sempre obras que as pessoas gostam mais de uma do que de outra. Isso é perfeitamente normal e compreensível.
Continuamos a caminhar pelo bairro, que tem zonas verdes, já percebemos, locais sem carros, onde os miúdos podem andar à vontade de bicicleta ou jogar a bola, mas também há lixo. Há muito lixo espalhado, há portas danificadas, há janelas remendadas.
Embora, lá está, aqui muitas zonas, sobretudo esta zona, está muito suja, esta onde estamos agora.
Há muito lixo, sim.
Há aqui uma ou duas famílias que alimentam as gaivotas, as pombas, e isso traz muita sujidade para o ar.
Sim, há aqui dezenas de gaivotas.
Esta é uma zona que precisava de um grande trabalho de literacia ambiental. Aqui à direita temos...
Estamos a ouvir a máquina.
Essa plataforma elevatória que permite, neste caso, ao Bernardo Carvalho, subir e pintar uma empena, neste caso, duas empenas. Hoje nós podemos vir mais para aqui. Está tudo bem, Bernardo?
Chamo-me Bernardo Carvalho, sou ilustrador no Planeta Tangerina, uma editora de livros infantojuvenis. E basicamente o que mais faço é ilustrar livros.
E agora está a ilustrar duas paredes.
E agora duas grandes paredes. Na verdade, tive muita sorte com as paredes que me foram atribuídas, parece-me Provavelmente é a esquina mais gira do bairro. Está sempre cheio de miúdos e cheio de malta aqui à volta e é engraçado.
Uma zona pedonal gigantesca, dá para andar de bicicleta, jogar à bola.
Super espaçosa.
E o que é que diz aquele mural que está a pintar?
Atribuíram-me o ODS 11, que é sobre comunidades sustentáveis. Na verdade, é um objetivo um bocado amplo, que tem a ver com qualidade de vida a vários níveis. Uma delas, e que me pareceu uma das mais óbvias, tem a ver com a mobilidade dentro das cidades.
Daí aquele diagrama?
Sim, na verdade, este desenho partiu de uma outra coisa, que foi quando comecei a procurar referências sobre mobilidade urbana. Cheguei às linhas de metro e aos mapas das linhas de metro, que são super coloridos e normalmente até bastante bonitos. O nosso em Lisboa ainda é pequenino, mas há mapas incríveis de metro em várias cidades do mundo. Comecei a olhar para aquilo, a explorar e a primeira coisa que desenhei, na verdade, foi só uma linha de metro. Não tinha pessoas agarradas umas às outras, nem nada, eram só linhas todas a cruzarem-se pelas paredes. Depois, quando comecei a olhar para aquilo, comecei a ver pessoas, achei que era engraçado, aquilo era uma boa referência, de serem pessoas a dançar e agarradas umas às outras, a fazer uma linha de metro. Pareceu-me boa ideia na altura. E pronto, e foi assim.
E como é que é estar a trabalhar numa parede no bairro de Zambujal?
Eu estou a gostar imenso, é uma experiência incrível.
Comentam a obra ou não? Vão comentando?
Vão comentando. Normalmente, a maioria dos comentários é porque querem aparecer, querem ser desenhados e ser representados, mas pode ser que a gente no fim, se nos sobrar alguma tinta, ainda consigamos fazer alguma coisa com isso, com os miúdos dali da esquina, mas vamos ver.
Os episódios de violência criam uma imagem que, no fundo, não corresponde à verdade, não é?
De todo. Até parece-me que, às vezes, nós quando ouvimos as notícias e vemos as coisas na televisão, não sei se são um bocado extrapoladas para um nível de gangues organizados e coisas desse género. Não parece nada que seja o caso. Isto parece-me, na verdade, que são miúdos muito novos, são quase teenagers com pouco mais de 15 e 16 anos, que estão à frente destes protestos e que mais barulho e estragos fazem. Mas o resto da população, além de não estar propriamente contente com esse género de manifestações, parece-me que é mesmo uma coisa de um pequeno grupo, mas estas coisas funcionam mesmo assim. Bastam alguns para o bairro ficar com um pouco mais de má fama.
É mesmo discreto, que nem se vê. Parece uma loja num primeiro piso. Não tem uma única tabuleta. Eu nunca viria cá parar, de certeza.
Eu acho que eles nem querem que se conheça tanto, porque está sempre cheio. O menu é sempre assim, portanto temos de há uma fotografia.
Temos. Pernil, favas. Temos favas. Ischas, moelas, bife, hambúrguer, muita coisa.
'Bora.
E não há multibanco.
E não há multibanco.
Não há multibanco.
Quer uma bola ou duas? Olá!
Olá! A visita guiada pelo Mário Linhares termina na Churrascaria Ana. Está cheia. Menu 11 € com pão, manteiga, prato, que é uma travessa muito bem servida, bebida, sobremesa e café. Só quem conhece consegue chegar lá. E está mesmo cheia. É que não há tabuleta a indicar o restaurante. No Zambujal vivem mais de 4000 pessoas e claro que há insegurança, há lixo, há droga, há portas e janelas partidas, mas isso é apenas uma parte da vida deste bairro, onde a maioria trabalha, onde a maioria procura dar um futuro aos filhos. Mas para que isso aconteça, também é preciso que não se sintam excluídos, nem colocados à parte, entalados entre as vias rápidas da Grande Lisboa. O Projeto Zambujal 360 promove visitas guiadas para ver arte urbana no bairro e as empresas são convidadas a participar neste esforço de integração e tem página no Instagram: Projeto Zambujal 360. As tostas do Café Tagus Oceano são as melhores do mundo e as favas da Churrasqueira Ana estavam divinais. Esta foi a história do dia. A música do genérico é do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Bom fim de semana.