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Esta é a história do dia da Rádio Observador: quem vai vencer o segundo round dos debates?

Podêssemos ter ao nosso lado os ex-líderes e eu terei na campanha eleitoral. Eu também, com orgulho. O engenheiro Sócrates virá naturalmente. A Erisseira também reforçar. É verdade. Ou não é verdade? Ó Luís Montenegro. Concentrando. Tem vergonha? Eu tenho vergonha da história do Partido Socialista. Eu ainda me lembro do Pedro Nuno Santos em 2011 a gritar pelo engenheiro Sócrates, a dizer que ele era o melhor primeiro-ministro no futuro, aliás, num estilo parecido com o seu. Quem não convidou Pedro Passos Coelho para a convenção da AD foi Luís Montenegro, isso foi público.

A 19 de fevereiro do ano passado, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos encontravam-se num debate transmitido pelos três canais generalistas. Este ano, o embate vai repetir-se a 28 de abril e com uma duração de 75 minutos. Esta segunda-feira arranca nova ronda de debates televisivos entre os líderes dos partidos com assento parlamentar. Os debates ainda são importantes para as eleições? É uma das perguntas para Rui Pedro Antunes, o editor de política do Observador e convidado deste episódio. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia, de segunda-feira, 7 de abril. Bem-vindo, Rui Pedro.

Olá, Ricardo.

Até parece que foi ontem e por isso te pergunto: quem venceu a ronda dos debates das legislativas de 2024?

Olha, Ricardo, acho que a resposta, à partida, mais justa e mais objetiva é: quem venceu foi Luís Montenegro, que não venceu as eleições. Como diria o Sérgio Conceição, estratégia tiki-taka é metê-la lá dentro e portanto foi ele que marcou, foi ele que venceu. E de facto, eu tive a hipótese de revisitar aquilo que era a tabela de notas aqui do Observador e os nossos avaliadores deram a vitória a Luís Montenegro, depois ele acabou por vencer. Mas deixa-me dizer que isto tem sempre uma avaliação subjetiva e houve, por exemplo, quem no frente a frente entre Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro, até noutros órgãos de mídia, só tivesse dado a vitória a Pedro Nuno Santos, mas na verdade, diria que Luís Montenegro foi quem se destacou porque venceu. E depois, Rui Tavares creio que foi elogiado por todos e depois teve uma votação acima daquilo que até agora tinha sido a realidade do LIVRE, portanto, creio que se pode dizer que esses foram quem se saíram melhor.

Esta segunda-feira começa a nova ronda de debates. O plano como é que vai ser? Isto vai ser mais ou menos igual ao que foi no ano passado?

Sim, a ideia do ponto de vista das televisões era que fossem oito contra oito, mas utilizaram os argumentos que na altura Luís Montenegro tinha utilizado, que era excluir o Nuno Melo, sei que já vamos falar disso, porque não tinha representação parlamentar e agora já tem. Portanto, será oito contra oito, com a exceção de que a AD em três partidos, contra três partidos, não vai utilizar o seu líder máximo, o primeiro-ministro, e portanto, logo aí há uma diferença, mas o formato é esse, é colocar todos os líderes partidários frente a frente. Há depois um debate final com todos, isto partindo dos debates televisivos, e na rádio também haverá o debate sobre o qual a Rádio Observador está envolvida, nomeadamente o debate também contra todos, e voltaram a ser convidados os líderes dos dois principais partidos, para também o frente a frente na rádio. Mas é basicamente o plano que foi sempre desenhado e que é o tradicional, por assim dizer.

E sempre avança aquela ideia da AD de enviar Nuno Melo para alguns debates, e já agora, que debates?

Sim, contra Bloco de Esquerda, LIVRE e PAN, ou seja, Luís Montenegro considera que deve ser Nuno Melo a ir a esses debates. Verás que isto não é por ordem dos maiores partidos. Há aqui uma exceção, que é por razões históricas, Luís Montenegro quer debater com o Paulo Raimundo quase como uma questão de respeito por um partido como o Partido Comunista Português. É estranho, porque Luís Montenegro foi sempre dos líderes políticos que nem sempre teve uma das melhores relações com aquilo que é a esquerda esquerda, a extrema-esquerda, a esquerda ortodoxa e aqueles que foram o suporte da geringonça à esquerda do PS. Sempre os tratou um bocadinho como radicais, mas neste caso acha que deve ser ele a ir e portanto há aqui uma estranheza. Faz quatro debates, sabemos depois que o argumento é aqueles que podem ser primeiro-ministro, além, claro, da exceção da CDU. E portanto, a ideia é debater só contra os que são candidatos a primeiro-ministro. De facto, sabemos também muito dificilmente Rui Rocha seria o futuro primeiro-ministro, até mesmo André Ventura. Mas de qualquer das formas, foi um critério definido por Luís Montenegro, que vai mudar um bocadinho a dinâmica dos anteriores debates.

E nesta segunda-feira é já um AD-CDU, não é?

Precisamente, e começa por aí, ou seja, o debate AD-Partido Comunista, que era aquele que à partida seria estranho neste critério de falar com os principais partidos por ordem de representação, vai ser esse debate. Também tem a ver com isso, que é os debates vão normalmente sendo um bocadinho em crescendo, ou pelo menos o último é sempre o frente a frente entre os dois principais candidatos a primeiro-ministro. E portanto, claro que há pelo meio alguns interesses, mas veremos que a segunda semana tem ainda mais em confronto os cabeças de cartaz do que propriamente a primeira semana. E portanto, é essa a lógica televisiva de ir deixando o melhor pro fim, quase como se estes debates fossem uma novela e de facto vamos poder acompanhá-la diariamente e sobre um episódio, às vezes, há matéria pro seguinte.

Já voltamos à conversa com o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes. Afinal, o que os líderes aprenderam com a primeira ronda de debates? Estamos de regresso à conversa com Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador. Rui Pedro, e que líderes partidários estiveram pior ou não lhes correu tão bem na primeira ronda?

Desde logo, o Paulo Raimundo. Era muito inexperiente, foi muitas vezes apanhado por aquilo que é um momento mediático e que acaba por ser uma batalha em que é preciso estar muito bem preparado. O PCP não se dirige muito para aí, ou seja, não tenta fazer a campanha com o marketing político de falar ou preparar-se muito pro momento do debate. Por exemplo, se nós imaginarmos que a Iniciativa Liberal faz role play, simula debates e entrevistas e coloca, no fundo, conselheiros e consultores a entrevistar o Rui Rocha, percebe a importância daquele momento. O PCP tem outra lógica. Não é por aí. O PCP dá muito mais importância a um comunicado do Comitê Central falando para os trabalhadores do que estar a preparar o momento mediático. Jerónimo de Sousa tinha anos disto e portanto foi-se preparando, foi sabendo, tinha algumas estratégias pra ir fugindo, como por exemplo, os provérbios. De repente, está a ser atacado por um tubarão político e lança um: "Em casa de ferreiro, espeto de pau" e o adversário ri. É verdade que Paulo Raimundo também tem esse lado pitoresco, mas notava-se bastante que era um bocadinho naïf até e impreparado nos debates e correu-lhe mal por isso. Outra pessoa que lhe correu mal, Inês de Sousa Real, porque de facto não conseguiu ter nada de distintivo que fizesse aumentar o grupo parlamentar, voltando àquela lógica que objetivamente perdeu ou não conseguiu vencer votos com os debates. E há um outro que eu tive a oportunidade de ir ver as várias notas. Ricardo teve várias notas negativas, mas nós não podemos considerar diretamente um perdedor. Tem a ver com André Ventura, que pode não ter os melhores modos, às vezes jogar com regras que não ficam bem naquilo que é o trato e a cortesia que se deve ter na política. E depois eles, nós, comentadores, comentamos por aí fora, dizemos: "Mas André Ventura esteve tão mal, foi buscar o filho, o pai, o tio, o gato." Mas no fundo, o eleitorado dele correspondeu positivamente e portanto naquilo que era a estratégia dele.

Ou seja, o modo não é o melhor, mas é eficaz.

É eficaz. E André Ventura é um animal político e não é por isso que Inês de Sousa Real gosta dele. Não gosta do político, embora goste muito de animais. Mas, na verdade, sabendo que ele teve 50 deputados e que foi o resultado disso, não podemos dizer que ele seja um perdedor, embora em vários debates não tenha tido a postura mais correta. Não é correta, mas é eficaz e no fim do dia, o que conta e o que André Ventura quer é mais votos.

Exatamente, e isso leva-nos àquela pergunta fatídica quando falamos de debates: Rui Pedro, os debates contam pra alguma coisa?

Eu creio que nesta situação em específico vão contar bastante. É verdade que há muitos eleitores que já decidiram o seu voto, mas o que as sondagens nos dizem é que há níveis de indecisos que são muito superiores a outras alturas e outras eleições, isto tendo em conta os vários estudos de opinião. Isto significa que as pessoas vão se querer agarrar a tudo quanto seja indicadores de voto ou aquilo que faça pesar a balança mais pra um lado ou pra o outro. Por isso, certeza que vão tentar fazer fotômetros, tentar se informar, as que são informadas. Até havia muito isso antigamente, foi estudado muito na comunicação ainda nos anos 40, do two-step flow communication, que era haver um opinion leader, haver alguém que se informava. Portanto, as pessoas vão perguntar a outras pessoas que sabem, que conhecem, pra ver pra onde é que vão e depois vão elas próprias pras redes sociais procurar métodos de decidir o voto. Mas os debates têm muita atenção mediática e muita gente a ver, e portanto, têm que ter aí alguma influência e são momentos também de afirmação.

E nesse sentido, Rui Pedro, qual é que será o debate decisivo ou quais podem ser os debates decisivos?

Eu acho que o debate mais decisivo será o debate entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, e quando eles se encontram. O frente a frente entre eles será, obviamente, o mais importante de todos. Veremos se é um ou se são dois, é uma coisa que está ainda por definir. Mas deixa-me só dizer uma coisa: muita gente, e basta ver o dia seguinte do debate Fernando Medina com Carlos Moedas, foi um arraso. Estamos a falar de uma lógica autárquica. Foi um arraso pra Carlos Moedas. Fernando Medina deu-lhe, desculpe-me ser coloquial na expressão, uma coça. E na verdade, foram poucas as pessoas que disseram que aquilo até nem funcionou mal. E depois Carlos Moedas venceu as eleições em Lisboa. Há aqui um dado que pode me parecer importante, que é Luís Montenegro quando debateu nos últimos debates, era Luís Montenegro E desta vez é o primeiro-ministro. E isso notou-se muito quando António Costa foi a debate como primeiro-ministro. A figura do primeiro-ministro, até André Ventura eu vi atrapalhado porque estava em frente ao primeiro-ministro, portanto com alguma reverência. Claro, sempre irreverente em algum ponto, mas com aquele respeito institucional. Vamos ver que peso é que isso terá, já que é um novidade face a essa primeira ronda que falas, que são os debates de 2024, dos quais ainda nem passou um ano.

Exato. E na Rádio Observador e no site, Rui Pedro, vamos obviamente estar muito atentos aos debates.

Sim, vamos estar muito atentos aos debates, primeiro em acompanhamento ao minuto no nosso site. Depois disso também irão sair vários artigos com análise e a noticiar o que se passou, notas dos nossos avaliadores. Na rádio igual, sempre com muito comentário, muita análise, com vários programas nesse sentido, não só os programas habituais, como também programas nos quais damos notas como o Votoré. Será uma análise contínua, nós vamos arrancar agora, falta pouco mais de um mês e meio pra eleição e a Rádio Observador, naturalmente, fará um acompanhamento privilegiado de tudo o que será a campanha eleitoral, a começar e pré-campanha por estes debates, onde as pessoas podem obviamente ficar atentos. Quem estiver a ouvir a Rádio Observador e a ler "O Observador", certamente saberá tudo o que se passa nestes debates.

Obrigado, Rui Pedro.

Obrigado, Ricardo.

Rui Pedro Antunes é editor de política d'"O Observador". E há alguns pontos a ter em conta nesta segunda-feira. Ainda na política, termina o prazo para a entrega das listas de candidatos às eleições legislativas. O tempo já está a contar para as eleições de 18 de maio. E nos combustíveis, esta semana pode trazer novos preços. O gasóleo deverá descer meio cêntimo e a gasolina aumentar um cêntimo. E para os ouvintes da História do Dia, que nos ouvem na Marginal, especialmente para estes, mas para todos, começam as obras para limitar a velocidade a 50 km/h em toda a extensão da Marginal. Estas obras devem ser rápidas e devem estar concluídas a 18 de abril. E em São Miguel, reabre o tanque termal do Parque Terra Nostra. Sim, aquele que tem a água quente e amarela e abre mesmo a tempo do arranque do Festival de Música Tremor, que começa na terça-feira e onde o Observador vai estar esta semana. É um festival muito especial, numa ilha também ela muito especial. E há concertos que dá pra ver dentro do tanque termal do Parque Terra Nostra. Esta foi a História do Dia. A sonoplastia é da Mariana Sousa Aguiar, a música do genérico, do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.