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Olá, sejam muito bem-vindos. Já sabe, esta é a "História das Histórias" e eu sou o João Paulo Sacadura. Alberto Correia, em Viseu, investigador, historiador, é ele que nos continua a desfiar as suas crónicas sobre o maravilhoso património de Viseu. Hoje falamos da Catedral e do Museu Nacional Grão Vasco, que ele dirigiu durante quase 18 anos, foi director do Museu Nacional Grão Vasco. Alberto, por isso é a pessoa certa para lhe falar desta Sé e do museu, que são almas gémeas na cidade visense. Vamos a isso.

Catedral. Quem vem de longe e sobe à cidadela, é como se olhasse bem de frente os olhos de alguém e logo sentisse que estava em casa sua, que a porta estava aberta e era só entrar. Ou então ficar ali a conversar e ali se contaria o tempo dela, que vem de longe, de quando já não há retrato dela. Olhando a Sé, como quem olha de frente, pressente-se o antigo tempo românico da época condal de Dona Teresa e Dom Henrique, que sediaram em Viseu entre 1109, 1112. Pressente-se na arquitetura das torres, mesmo nessa que tombou devido a grosso temporal em 1635, que derribou o corpo central da frontaria, obra magnífica de Dom Diogo Ortiz de Vilhegas, que viveu entre 1476, 1519, levantada ao jeito dos delicados lavores do gótico final. Quem entrar, fica pasmado ao olhar a sua abóbada dos nós, datada de 1513, que Grão Vasco retratou na sua tábua o Pentecostes e que faz daquele templo uma igreja-salão. A torre dos sinos, colada ao museu, foi levantada de novo pelo arquiteto João Moreno, que ali veio de Salamanca e fez o risco maneirista desse corpo central, que recorda retábulo de altar, lá onde estão entronizadas as figuras dos quatro evangelistas, de Santo Teotónio, ali prior, e Nossa Senhora da Assunção, a padroeira. Quem entrar não deixa de olhar a abóbada dos nós, não fique sem olhar a talha dos altares, esse mar de ouro no altar-maior, levantado entre 1733, 1734, onde campeia, entronizada, a mais bela imagem gótica que houve de Maria em Portugal, a Senhora do Altar-Mor. E não deixa de olhar a mística capela de abóbada mudéjar, de que Dom João Vicente fez panteão, e a sacristia que Dom Jerónimo de Ataíde levantou ao redor de 1574, o seu teto pintado de grotesco, o revestimento aljolejar. Pode então subir a larga escadaria, que dos topos do transepto leva a uma alta galeria e da varanda dos cónegos pode olhar o corpo inteiro da cidade e pode entrar, por fim, no seu tesouro, esse cofre de magia onde se conta a sua história como se escrita fosse a letras de oiro. O museu ali ao lado, titulado de Grão Vasco, fora antes colégio ou seminário. Foi moderno paço episcopal, levantado onde os bispos já haviam tido medieval residência, como obra maior dos bispos Dom Nuno de Noronha, que em 1593 inicia a obra de pedraria, logo prosseguida por Dom António de Sousa entre 1595 e 1597, e depois continuada até receber os primeiros estudantes. Nunca foi lugar vazio. Hoje é um museu de arte titulado nacional.

Que o Alberto tão bem dirigiu durante quase 20 anos. E assim estamos quase a concluir este nosso périplo pelas maravilhas de Viseu, do património de Viseu. Por hoje despedimo-nos. Amanhã vamos falar de um antigo hospital, também em Viseu. Alberto, por hoje é tudo. Um grande abraço. Até amanhã.

Até amanhã.