O juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil Alexandre de Moraes autorizou que Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, possa voltar a visitar o pai, o ex-Presidente Jair Bolsonaro. A decisão vem na sequência de um pedido de defesa do antigo Chefe de Estado apresentado a 5 de outubro, refere a Globo.

“Autorizo a retomada do regime de visitas de Flávio Nantes Bolsonaro, nos mesmos horários, condições e medidas de segurança anteriormente fixados, estando vedada a finalidade político-eleitoral e a divulgação de quaisquer manifestos ou declarações, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado“, afirma Moraes na decisão, citada pela Globo.

O juiz do Supremo Tribunal Federal refere também que, durante o período de suspensão, não foram registados acontecimentos que obrigassem ao seu prolongamento.

As visitas tinham sido suspensas a 13 de julho, por Moraes ter considerado que a leitura de uma carta de Jair Bolsonaro, feita por Flávio nas redes sociais, tinha desrespeitado a proibição de uso de redes sociais decretada ao ex-Presidente “diretamente ou por intermédio de terceiros”, pelo que a divulgação do vídeo constituiu “desvio de finalidade do direito de visita”, refere a BBC. Nessa carta, o ex-Presidente declarou apoio à candidatura do filho à Presidência da República.

Por estar registado como advogado do pai no processo que o colocou em prisão domiciliária, pode visitar Jair Bolsonaro todos os dias, durante um máximo de 30 minutos, entre as 8h20 e as 18h, explica a CNN Brasil.

Em setembro de 2025, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado a 8 de janeiro de 2023, estando a cumprir a pena em prisão domiciliária desde março de 2026, por razões humanitárias.

O caso tem dividido profundamente a sociedade brasileira, sobretudo após a revelação da relação de proximidade de Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraude no sistema financeiro. A decisão em concreto da proibição das visitas foi condenada por 52% dos inquiridos numa sondagem da empresa Quaest, publicada a 8 de agosto, refere a Globo. Entre os bolsonaristas, 92% condenaram a decisão, enquanto 70% dos lulistas apoiaram.

Na passada quarta-feira, o juiz Kassio Nunes Marques, relator do processo de revisão criminal, recusou analisar a soltura de Jair Bolsonaro até à segunda volta, marcada para 25 de outubro, “por considerar que isso pode interferir no processo eleitoral”.

STF não solta Bolsonaro antes da segunda volta: juiz recusa analisar revisão criminal para não influenciar eleições

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