Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Olá e sejam muito bem-vindos. Esta é a História das Histórias. Eu sou o João Paulo Secador, em Viseu. Está Alberto Correia, como sempre, com as suas memórias e hoje concretamente falaremos, claro, da Beira Alta, o Dia de Reis. Como é que se celebrava o Dia de Reis na aldeia do nosso autor? Vamos então ouvi-lo. Bem-vindo, Alberto.
A gente da aldeia nem sabia bem qual era o nome daqueles reis. Iam esperá-los à estrada nova e ficavam felizes quando os viam aparecer na distância entre o vozear da caravana. Tinham o jeito de vir de longe e ali chegavam estranhos e distantes por esses caminhos de areia que atravessavam o presépio, apeavam-se ao pé da cabana e depois viam-se de joelhos em terra ou em pé, respeitosos, a olhar o menino e a entregar a José os presentes ricos que traziam. Os criados, que nesse dia também vestiam roupas de seda, esperavam-nos cá fora segurando pela rédea os camelos possantes que haveriam de carregar de novo os seus senhores. Alguns tiravam de saquinhos de veludo algumas moedas e atiravam-nas para longe e ficavam a sorrir olhando a correria dos miúdos que se atreviam, brincando, a estender a mão para a penugem macia dos camelos. Os homens da aldeia, na maioria lavradores que tinham vindo para ver o menino, mantinham também conversa com os criados e inquiriam das minas de onde vinha aquele ouro e dos palácios e da distância e da gente que aqueles reis governavam. E quiseram saber quem lhes anunciara o nascimento deste menino ali na cabana da aldeia. E foi então que os criados falaram de uma estrela diferente que surgira no céu e dos seus amos, que sabiam ler nos astros o curso da vida. Não tiveram tempo de perguntar mais nada. Os reis saíam da cabana e caminhavam para junto dos camelos, que tinham ajoelhado às ordens secas dos criados. Os lavradores tiraram o chapéu quando os três reis passaram, acenando-lhes com a mão. As mulheres que tinham ficado a olhar dentro da igreja, saíram em tropel e juntavam-se agora no adro para os ver partir para a sua terra, ao Oriente. Os meninos corriam por algum tempo atrás da caravana, depois voltavam e juntavam-se então em ranchos pequenos e iam pela rua a fora pedir os reis. Era um costume antigo e a gente dava-lhes nozes e figos secos, maçãs, pequenas moedas para guloseimas. Às vezes, os meninos cantavam cantigas que falavam daqueles reis que tinham visto enquanto se demoravam no presépio. Quando tinham já os bolsos cheios de mimos, sentavam-se no balcão de uma casa qualquer, riscavam com um pedaço de telha o desenho de um jogo e por aí ficavam até que as mães os chamassem.
Boas memórias também, mais uma vez, Alberto. Gosto sempre desta história que fala dos Reis Magos, que eu depois mais tarde aprendi que não eram três, nem eram reis, nem eram magos. Mas pronto, estes sábios do Oriente que fala a Bíblia e que vieram de facto adorar o menino guiados por aquela estrela diferente que o Alberto nos conta. Muito bem, vamos então marcar encontro para amanhã, Alberto. Por hoje é tudo. Bem-haja, até amanhã.
Até amanhã.