Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Um dos monumentos mais antigos portugueses e classificado como Monumento Nacional, a Igreja da Ermida, foi pedida não por portugueses, mas foi mandada fazer por franceses. Para contar essa história, tenho comigo Telmo Ferreira, técnico do Centro de Interpretação e Formação de Montemor-o-Novo e Paiva. Telmo, muito bom dia.

Bom dia.

Por que foram os franceses que pediram a construção desta igreja?

A história da igreja está efetivamente ligada a estes monges franceses. Eram monges da Ordem de Prémonté, em português nós designamos de Premonstratenses. Eles vieram de França, dividiram-se da Ordem de Santo Agostinho, criaram uma pequena ordem com menos elementos e vieram para ajudar o rei Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, no período da Reconquista. O rei conseguiu os seus objetivos, conseguiu recuperar terreno aos árabes, àquilo que nós designamos também de mouros, e foi extremamente generoso para os monges que eram liderados por Mestre Roberto. O rei foi extremamente generoso com estes monges, cedendo-lhes inúmeras terras. Mas numa dessas terras, num local ermo, junto a uma das margens do nosso rio Paiva, eles construíram uma pequena igreja de formato octogonal. O fato de eles construírem uma pequena igreja num local ermo deu origem ao nome de Igreja da Ermida. Normalmente, numa construção de uma igreja pequena num local ermo, damos sempre esta designação de ermida. Mais tarde, como os monges tinham muitas terras, o Couto da Ermida tinha inúmeras terras. Nós sabemos que quem possuía terrenos conseguia ter dinheiro, conseguiam ter posses. Os monges conseguiram então ampliar a construção que tinham da pequena igreja e nós temos aqui à nossa frente o atual templo que está classificado como monumento nacional. Esta classificação está muito também relacionada com esta componente histórica de ligação a esta ordem, porque nós já estivemos a consultar vários estudos e alguns artigos, não só de historiadores, mas também de arqueólogos, e não temos ainda, em Portugal, nenhum monumento, nenhuma igreja que tenha ligação a esta ordem. Mas sabemos concretamente que a nossa Igreja da Ermida está ligada à sua fundação, está ligada a esta ordem. Nós podemos ver aqui que, assumidamente, podemos dizer que o seu estilo arquitetônico é o estilo românico. Vemos os contrafortes, vemos a torre sineira simples, vemos as paredes grossas, embora já tenhamos aqui no momento da história em que há aqui também já uma fase de transição do estilo românico para o estilo gótico. Temos aqui o arco quebrado e não o arco de volta perfeita. Como eu também já referi, é um monumento nacional, não só por esta ligação à ordem Premonstratense, mas também porque é das igrejas em Portugal que mais siglas tem nas suas pedras.

E conseguimos ver isso também aqui documentado.

Conseguimos ver neste painel as diferentes siglas. Tem mesmo muitas siglas. E o que é que são estas siglas? Não eram mais do que a marca dos canteiros, ou seja, aqueles que trabalhavam na arte da cantaria, aqueles que assentavam a pedra. Muito provavelmente, eles tinham a sua assinatura, não só por brio profissional ou também porque acabavam por se responsabilizar pelas pedras que eles colocavam, e era também uma forma de eles poderem contabilizar também todo o trabalho desenvolvido para receberem mediante esse trabalho.

Esses profissionais da altura também são responsáveis por estas pedras que nós temos aqui ao pé? São as estelas medievais de alva?

Não, aqui já estamos no outro espaço em que temos aqui as estelas medievais. Como podemos ver aqui na figura, sepulturas tinham colocadas no topo estas estelas, muito relacionadas com o cristianismo, e também há referências em que elas eram colocadas principalmente em pessoas que tinham a sua importância na hierarquia social.

Hoje em dia já não é uma prática de todos.

Já não é uma prática, não.

Passando aqui para o lado, temos exposto aqui no centro uma mitra e um báculo da Ermida do Paiva.

Da Ermida do Paiva, sim. Como podemos também verificar, o que temos aqui são réplicas, as originais, as pessoas podem encontrá-las no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Referir também que quer o báculo, quer a mitra, que eram utilizadas em algumas eucaristias na Igreja da Ermida, só poderiam ser utilizadas com o consentimento do papa.

Portanto, uma pessoa tinha que ir até o Vaticano.

Sim, estávamos numa altura em que para haver este tipo de comunicação levava o seu tempo.

E em que ocasiões? Um casamento real, por exemplo? Em que ocasiões isso acontecia?

Seria muito difícil esse tipo de eventos acontecer na nossa Igreja da Ermida, mas provavelmente mesmo em cerimônias mesmo muito especiais.

Portanto, não podia sair daqui da Ermida e ir para outras igrejas.

Não, estes eram específicos da nossa Igreja da Ermida.

Portanto, só aqui podiam ser utilizados e que para quem quiser ficar, conhecer melhor, estão expostas as réplicas no Centro de Interpretação e Informação de Montemor-o-Novo e Paiva. Telmo Ferreira, muito obrigada.

Obrigado, bom dia.