Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sejam bem-vindos. O setor energético é um dos mais estratégicos do mundo. Por ele se pode fazer a guerra ou a paz, por ele também se fazem ou desfazem alianças. O regresso de Donald Trump à Casa Branca merece, por isso, uma reflexão sobre qual poderá ser o impacto da nova administração americana no setor. E vamos fazer essa reflexão com António Costa Silva, engenheiro de formação, gestor de profissão. Antes de ser chamado a funções públicas como Ministro da Economia em Portugal, liderou durante muito tempo empresas globais na área da energia e do petróleo e é reconhecidamente um dos maiores especialistas portugueses neste tema. Eu sou o Paulo Ferreira e este é o "ADN da Energia", o podcast do Observador em parceria com a Galp. António Costa Silva, antes de mais, bom dia. É um gosto recebê-lo aqui. Antes de nós tentarmos perceber ou antecipar aquilo que pode ser a nova administração Trump na área da energia, talvez fazer um pouco o ponto de situação de como é que estão os Estados Unidos neste momento em termos de produção e consumo de energia.
Sim, muito bom dia, Paulo. É um grande prazer estar aqui consigo. Eu acho que isso é uma pergunta muito relevante, porque a energia é uma espécie de microcosmos que reflete tudo o que se passa na geopolítica mundial. E os Estados Unidos, em função da revolução do shale gas e do shale oil, do gás de xisto e do petróleo de xisto que ocorreu-
Que são, para quem não entende, extrações a partir de xisto desses dois combustíveis.
Exato. Durante 150 anos, na indústria petrolífera, havia o paradigma de que o petróleo e o gás se formavam nas chamadas rochas-mãe, que são os tais xistos, xistos argilosos, e depois com os movimentos tectônicos migravam pra rochas reservatórios, que são areníticas ou carbonatadas. E isto demonstra aquela extraordinária previsão do economista austríaco Schumpeter, que as inovações vêm muitas vezes das franjas do sistema. O que as companhias americanas de média e pequena dimensão fizeram? Atacaram este paradigma e furaram diretamente na rocha-mãe. E a descoberta é extraordinária: 40% dos hidrocarbonetos criados no mundo ficaram retidos na rocha-mãe. E os Estados Unidos hoje estão a produzir a partir dessas rochas, em três grandes bacias geológicas, Bacon, no Dakota do Norte, Permian e Eagle Ford, no Texas, e cada uma destas bacias equivale a um país do Golfo Pérsico a produzir petróleo e gás dentro do território americano. Isto mudou completamente o paradigma da energia. É uma revolução que vem desde 2010. Ao contrário dos europeus, que não olham para os seus recursos, os americanos são muito pragmáticos. No início, havia a questão da fraturação hidráulica que eles faziam, mas a fraturação hidráulica existe há mais de 100 anos nos Estados Unidos e, portanto, eles regularam a fraturação. No fundo, tem que se extrair tarolos da rocha, ver as propriedades geomecânicas e ver até onde é que as pressões de fraturação da água injetada pode ir. E depois, a partir daí, começaram a produzir. E o que é que se passa? Isto é extraordinário, porque os Estados Unidos, em 2008, produziam 6 milhões de barris por dia, eram um produtor médio no mundo, e em outubro do ano passado chegaram a 11,5 milhões de barris por dia.
Duplicaram. Claro.
É uma subida absolutamente extraordinária. Isto explica muitas das posições dos Estados Unidos, porque eles são hoje, além de uma superpotência militar, tecnológica e econômica, são também uma superpotência energética. São o maior país do mundo na área da energia e produzem à frente da Arábia Saudita, em termos do petróleo, e à frente da Rússia e do Qatar, em termos da produção de gás.
São autossuficientes a esse nível.
São autossuficientes, embora eles, em função das refinarias americanas, possam importar episodicamente produtos.
Até para manterem reservas largas.
Até para manterem reservas, mas têm, nesta altura, digamos, um paradigma muito eficaz e é isso que pode propiciar com a nova administração Trump também uma aposta em todo este setor.
É isso. Isso, no fundo, acha que vai acabar por moldar, certamente, aquilo que vai ser a política energética de Donald Trump.
Sim, embora, em termos dos Estados Unidos, nós temos que ver que a política energética do Donald Trump, que é sem dúvida o reforço da base das energias fósseis, dos combustíveis fósseis, portanto, é o drill, baby drill, é perfurar a todo o custo, produzir cada vez mais. Mas isso o Donald Trump pode mandar em tudo, não manda nos mercados mundiais. E o que se passa é que entre a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, quando a invasão ocorreu, os Estados Unidos estavam a produzir cerca de 11,5 milhões de barris por dia. Em outubro do ano passado, como disse, chegaram aos 3,5. Por quê? Porque neste espaço de tempo, a procura mundial de petróleo subiu e eles responderam. Mas nesta altura, há muitas análises que preveem que a procura está estagnada, em função da própria situação da economia mundial, das incertezas e perturbações que existem. E o que é que se passa? É muito pouco crível que aquela famosa fórmula do Scott Bessent, que é o secretário de Estado indigitado do Tesouro de Donald Trump, a fórmula 3-3-3, quer dizer, reduzir os 3% do déficit comercial em relação ao crescimento econômico de 3% e depois aumentar 3 milhões de barris por dia a produção dos Estados Unidos até 2030, não vai ocorrer. A própria Agência Federal, que é a Energy Information Administration, diz que o máximo que eles podem aumentar são cerca de 600 mil barris por dia. Por quê? Porque a procura mundial de petróleo está em queda. Há uma capacidade sedentária muito grande também dos países da OPEP e da Rússia. E, portanto, o mercado de petróleo é completamente diferente do mercado de gás, que é outra coisa. No mercado de gás, sim, eles vão incrementar e muito a produção de gás, porque o gás é cada vez mais necessário.
É esse o ponto de partida, então, e que nos dá aqui um sinal de que vai ser uma administração Pouco preocupada com aquilo que na Europa, por exemplo, é a transição energética, isto é, deixar cada vez mais o fóssil para ir para energias renováveis?
Sim, sem dúvida. Donald Trump tem uma clara apetência para desenvolver toda a produção da energia fóssil.
Até porque eles têm lá a matéria-prima, não é?
E no fundo é isso que cria a grande inquietação no mundo, porque nós temos aqui hoje uma aliança com a administração Trump, entre o que se chama o Big Oil, as grandes companhias petrolíferas, o Big Tech, Elon Musk e as outras companhias tecnológicas, e o Big Money, que é as instituições financeiras. E, portanto, isto pode ser prejudicial em termos da luta contra as alterações climáticas. E estamos a ver com os incêndios da Califórnia, os Estados Unidos estão também no centro dessa disputa. É evidente que ele nega que essas alterações climáticas estejam a ocorrer, mas a realidade vai tender a impor-se. Agora, não há dúvida, a meu ver, que ele vai outra vez sair do Acordo de Paris, vai dar um sinal muito negativo para tudo aquilo que se está a fazer para realizar a transição energética e diminuirmos a dependência dos combustíveis fósseis, que é o percurso da Europa. E atenção, aquele grande programa de auxílio aos países em desenvolvimento que foi estipulado no Acordo de Paris, que era de 100 mil milhões de dólares, nunca foi implementado, mas em Baku, na última COP, foi acordado. Esse acordo também vai ficar em grande tensão, porque ele vai remar contra todas essas questões, e isso não é saudável. Nós temos, de facto, a deterioração do sistema climático do nosso planeta e nós precisamos de menos energias fósseis. Precisamos de gás, porque o gás é o mais limpo dos combustíveis fósseis. E aí ele vai apostar no desenvolvimento da produção de gás. Os Estados Unidos produziram ano passado, em média, cerca de 11,3 mil milhões de pés cúbicos por dia e podem chegar, atenção, aos 22, 23 até 2030. E o gás vai ser cada vez mais necessário, por quê? Porque enquanto a energia primária no mundo tem crescido neste século cerca de 2% ao ano, o consumo de eletricidade tem aumentado 3% ou acima de 3%. E os especialistas postulam que vai aumentar cerca de 3,5%. Por quê? Porque estamos também a assistir à eletrificação da economia, não tanto nos Estados Unidos. É muito curioso analisarmos a matriz energética americana.
Quando diz não tanto, é que é menos lá do que na Europa, por exemplo.
Muito menos. Repare.
A tal transição energética lá vai com uma velocidade muito menor do que aqui.
Vai com uma velocidade menor, porque está refletido na própria matriz energética americana. O petróleo hoje nos Estados Unidos representa cerca de 38%. Já esteve em quase 49% nos anos 70, diminuíram o nível da matriz energética, mas o gás tem 36%. E depois tem 9%, que é energia nuclear, 9% de renováveis.
9% de renováveis, só.
Só. Quando compara com Portugal, nós já temos cerca de 32, 33% da nossa matriz energética e, portanto, é o arrepio da Europa. Mas os americanos, atenção, do ponto de vista climático, é muito importante dizer que o Donald Trump parece ter o poder total, mas os mercados vão cerceá-lo, basicamente naquilo que concerne a perfurar mais para produzir mais petróleo. Não sei se o Paulo sabe, na última semana, o Departamento Interior dos Estados Unidos deu os resultados do grande leilão que eles fizeram para se perfurar no Ártico. O Donald Trump tem também esta obsessão de perfurar no refúgio do Ártico, no Alasca.
Daí também a questão da Groenlândia, que também está ligada a isso.
Exatamente. Mas nenhuma companhia petrolífera participou neste leilão. Já é a segunda vez que falha. E falha por quê? Porque os custos são mais elevados de perfurar, não há infraestruturas.
E o mercado pode não se sustentar depois.
É isso mesmo, que o mercado pode não se sustentar. E o outro fator é o sistema financeiro. Nós não podemos esquecer que o sistema financeiro também se moveu ao longo dos últimos anos. Em 2023, pela primeira vez, os investimentos financeiros em energias renováveis foram superiores às energias fósseis. Nunca tinha acontecido antes.
Haverá então uma tensão sobre aquilo que é uma tendência do mercado global e das práticas e das empresas, os próprios financiamentos verdes, cada vez mais, mesmo a indústria financeira está a dar importância a isso, e uma administração que vem um pouco contra a corrente, em contramão, com uma estratégia diferente. Certo?
Exatamente.
Haverá aqui algum choque, isto é, quem é que pode ceder ou quem é que deve ceder? Ou durante quatro anos a administração pode perfeitamente continuar em contramão porque ainda não há uma tensão assim tão grande.
Repare, a tensão vai sempre existir e desde logo nos Estados Unidos, nestas questões energéticas, ambientais, entre o governo federal e os governos estaduais. É preciso ver que os Estados Unidos têm os governos estaduais e na administração Trump anterior, entre 2016 e 2020, houve estados americanos em que as emissões de dióxido de carbono diminuíram, como é o caso da Califórnia, que tem as suas políticas e vai manter essas políticas. Portanto, ele não vai conseguir impor totalmente ao país. Evidentemente, vai cortar nas tecnologias, nos subsídios, em relação a tudo aquilo que eram as políticas que o presidente Biden acumulou no chamado Inflation Reduction Act, que são os subsídios para atrair empresas. Nós também não podemos esquecer que no âmbito desse acordo, e isto é mau para a Europa, eles conseguiram atrair 900 empresas, e 80% dessas empresas são em estados republicanos. Mais um elemento de tensão. Se ele acabar com estas políticas de forma abrupta, os próprios senadores republicanos e os seus eleitorados irão também reagir.
Não vão gostar disso.
E portanto, apesar das suas ideias, é preciso ver que o chamado MAGAnomics, que é a economia, as políticas econômicas do movimento MAGA, tem múltiplas contradições e essas contradições vão estar visíveis desde o primeiro dia. Ele quer reduzir a inflação nos Estados Unidos, mas aplicar tarifas de 60% aos produtos chineses, 25% aos mexicanos e canadianos, 20% aos europeusEuropeus. E outros estudos indicam que o aumento das tarifas vai criar mais pressões inflacionistas.
Claro, internas. E mais pressão para aumento de salários, e por aí fora.
Exatamente. E depois também tem aquela visão que desafia completamente as teorias econômicas clássicas. Nós temos um modelo para o comércio mundial que vem do David Ricardo, como o Paulo sabe, que é: os países exportam, depois geram divisas, pagam as suas importações e têm as vantagens econômicas comparativas. Aliás, David Ricardo dava o exemplo de Portugal e o Reino Unido entre o vinho português e o algodão. E ele desafia isso, diz: "O modelo de David Ricardo está errado", dizem os seus principais apoiantes e conselheiros, "e, portanto, nós temos que impor o nosso poder ao comércio do mundo através da aplicação de tarifas". Ora, aplicando isso, não é assim que ele vai reduzir também o déficit comercial, porque a própria aplicação das tarifas tem outros efeitos, nomeadamente os fluxos de dinheiro para os Estados Unidos, que podem também ser afetados pela retaliação dos outros países. Portanto, temos aqui um coquetel de contradições.
E que pode gerar muita instabilidade na área da energia, uma vez que os Estados Unidos estão, de alguma forma, confortáveis com o seu mix energético neste momento, para essa administração. Prevê-se alguma forma que possam desacelerar investimentos em infraestrutura e em inovação de renováveis, por exemplo?
Isso aí, claramente, todos os pacotes que a administração tem de incentivo às renováveis, ele vai parar. E nós já estivemos a ver isso, porque só as próprias declarações antes de tomar posse já criou grande tensão, sobretudo para as companhias que apostaram em energias renováveis. Vejam o caso da EDP, cujas ações desvalorizaram cerca de 5%.
É uma empresa muito exposta ao mercado americano.
É uma empresa que está muito exposta ao mercado americano, mas eu penso que a aposta nas energias renováveis é uma aposta correta. E é correta por quê? Porque nós temos que diminuir, de fato, a dependência dos combustíveis fósseis, e Portugal tem feito um grande percurso nessa área. E hoje as energias renováveis já são competitivas, quer a eólica, quer a solar. Se olhar para Portugal, em que as energias renováveis têm um peso já significativo na matriz energética, nós temos custos energéticos, quando comparados com a média europeia, que muitas vezes ficam abaixo, exatamente por causa desta competitividade.
De alguma forma, também já amortizamos uma parte importante do investimento que foi feito.
E esse caminho é um caminho importante. Por quê? Porque se nós deixarmos que o consumo de combustíveis fósseis continue a crescer e as emissões de dióxido de carbono no planeta aumentarem, nós temos já hoje no Polo Norte grandes camadas de gelo que estão a desaparecer. O gelo é um estabilizador do clima da Terra, porque reflete parte da energia solar. Se ele desaparece, o aquecimento torna-se incontornável e nós vamos ter erosão costeira, problemas nas cidades, vamos ter desertificação também noutras áreas. E depois há um problema muito considerável, que os analistas e os estudiosos andam em cima, e é muito inquietante para o futuro, que é o permafrost. O permafrost é o solo gelado que cobre 25% do hemisfério norte. Debaixo deste solo gelado está cerca de 1,5 bilhões de toneladas de carbono orgânico armazenado. Se aquilo, portanto, com o aquecimento, desaparece o gelo e se liberta, isto é cerca de três vezes mais carbono do que nós temos hoje na atmosfera. E, portanto, isto pode ser, depois, em termos da vida no planeta, muito difícil. E eu espero que os países consigam construir, sobretudo a Europa, que tem que tomar a liderança, não pode esperar pelo Donald Trump. A Europa é uma grande aliada dos Estados Unidos, mais não pode ficar acantonada.
E essa aliança, de alguma forma, está em causa também.
Esse é o grande problema da Europa, que não tem um pensamento geopolítico e uma assertividade estratégica.
E, António Costa Silva, quase a terminar este nosso episódio. Neste cenário, então, e olhando agora geoestrategicamente, que principais desenvolvimentos é que vai haver no posicionamento dos vários blocos e produtores num mundo que nós sabemos que tem linhas de força também muito dominadas pela energia?
Sim, sem dúvida. O que nós estamos a ver hoje é a fragmentação geopolítica e a fragmentação geoeconômica do mundo. Na área da energia, a Europa tinha o seu modelo de desenvolvimento baseado no gás barato russo, sobretudo a Alemanha, que está hoje completamente virado do avesso. E o que a Rússia fez? Repare que a Rússia fez os acordos de Minsk, por causa da Ucrânia, em 2014, e levou estes anos todos a preparar-se para a eventualidade da guerra. Mesmo o Swift, portanto, o sistema de pagamentos internacionais, que foi utilizado para sancionar a Rússia, a Rússia tem outros sistemas de pagamento.
Foi criando sistemas paralelos.
E há uma coisa muito preocupante: a Rússia tem hoje uma chamada frota fantasma de petroleiros. Há especialistas que dizem que podem chegar aos mil petroleiros que circulam pelo mundo, transportam petróleo e gás russo para os países, sobretudo asiáticos, para as autocracias, e não estão referenciados nos sistemas internacionais. Não pode ter hoje um navio no mar que não seja seguido pela autoridade marítima internacional. Isto é uma frota fantasma, é uma espécie de mercado paralelo que existe do outro lado do mundo. E estas autocracias com a China, com a Rússia e com outros países, o Irã, controlam o Estreito de Ormuz, o Estreito do Bósforo, onde passa o trigo, o de Ormuz, o petróleo, e Taiwan. E, portanto, nós estamos aqui numa situação muito delicada, porque se há uma fratura ou um menor empenho dos Estados Unidos na aliança transatlântica, nós podemos ter eventos no mundo que são preocupantes. O que a Europa deve fazer? A Europa deve falar, a meu ver, com os Estados Unidos, criar aqui um entendimento, não vai ser possível. Eu recordo-me sempre, e o Paulo provavelmente se lembra disso, daquela extraordinária fotografia, penso que o Expresso ainda esta semana fez, que está o Trump sentado com todos os líderes de pé à sua volta. A Merkel, o Macron, o primeiro-ministro japonês completamente desorientado, e nós vamos ter situações desse tipo. E a Europa sempre pensou, não se preparou para esta convulsão que vem aí. E, portanto, do ponto de vista da Europa, é fundamental ver que a resposta à Ucrânia e à invasão da Ucrânia, à dependência do gás russo, a Europa passou a importar gás natural liquefeito dos Estados Unidos, aumentou 52,5% das importações de gás americano em 2022, aumentou 185% do Catar e também 42% do petróleo e do Medio Oriente. Portanto, tem uma dependência hoje muito maior dos Estados Unidos e do Medio Oriente, com um fato muito inquietante, que é que os preços da energia na Alemanha e nos países do centro da Europa, não na Península Ibérica e na Espanha, porque nós, no governo anterior, no 13º governo constitucional, conseguimos um mecanismo ibérico para proteger e desacoplar o preço do gás do preço da eletricidade. Mas normalmente a Europa, com o seu mercado, que é marginalista em termos de eletricidade, significa que para responder à procura de determinado ponto, o que determina o preço da eletricidade é a última fonte de energia que entra, e é quase sempre o gás. E o gás que vem dos Estados Unidos ou do Medio Oriente é muito mais caro.
E, portanto, nós estamos a pagar a eletricidade mais cara, o que é o fator de falta de competitividade.
Exatamente. E, portanto, a Europa também tem que responder a isso, mas está aqui numa grande encruzilhada.
Muito bem, António Costa Silva, chegamos ao fim do nosso tempo. Acho que tocamos aqui os pontos essenciais, de fato, do impacto que poderá ter a administração Trump num mercado interno de energia, interno americano, mas sobretudo em termos globais, e das dependências que foram criadas. Foi um gosto recebê-lo aqui.
Muito obrigado.
Muito obrigado também. A ADN da Energia fica por aqui neste episódio e voltaremos brevemente com novo tema e novo convidado. Até lá.