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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isto quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Calma ou se calhar não. O Bruno, o novo porta-voz do PSD, teve uma entrada de leão.
Como é típico, acho que nos habituamos a isso, desde que irrompeu na política, Sebastião Bugalho tem cultivado uma postura que não deixa ninguém indiferente, fora e se calhar até dentro do partido. Na estreia como porta-voz do PSD, falou dos números atualizados do INE relativos à população estrangeira e responsabilizou o PS por uma política migratória descontrolada. Anunciou então que o grupo parlamentar do PSD vai promover um conjunto de audições para que os responsáveis políticos dos governos de António Costa possam dizer se tinham ou não noção do significativo aumento de população estrangeira, que foi tornado possível por aquelas políticas migratórias. E entre esses responsáveis políticos poderá estar o atual secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que foi ministro da Administração Interna. Quando o PSD aqui há uns tempos anunciou os nomes que entravam para a direção e as novas funções de Sebastião Bugalho, adivinhava-se aqui um novo registo de combate político e ele aí está, não falha. E o PSD agora vai ter de se equilibrar nesta política de por um lado disparar contra o inimigo e por outro, manter conversações de paz para os acordos que vai inevitavelmente precisar, muito em particular com o PS.
Paulo, gostamos pouco de fazer avaliações.
O nosso forte não é mesmo avaliar o que vamos fazendo. Tomam-se medidas no papel, algumas leis, algumas delas até são postas em prática, por incrível que pareça, não ficam só no papel, mas depois ninguém se dá ao cuidado de avaliar posteriormente se essas medidas estão a produzir os resultados que eram esperados. E sabendo desta nossa aversão à avaliação de políticas públicas, o Conselho de Finanças Públicas veio ontem alertar para a necessidade de avaliar as mudanças que estão a ser feitas na área da saúde. Esta entidade independente divulgou um diagnóstico ao Serviço Nacional de Saúde, fala de um déficit que é superior ao previsto, mas reforça de facto que é urgente avaliar o impacto daquilo que tem sido feito. São palavras sábias. Vamos ver se estas palavras vão ser seguidas, isto é, se elas próprias saem do papel.
Exato. E Bruno, voltando ao PSD, ainda se fazem ouvir vozes do passado?
O porta-voz é novo, mas há vozes antigas que continuam por aí. Ainda não se calaram. Uma delas é de Alberto João Jardim. Em entrevista ao Público, o antigo presidente do Governo Regional da Madeira revelou-se mais simpático para com o atual líder do PS do que para com o líder do seu partido, o primeiro-ministro Luís Montenegro, que acusou de ser da mesma família aviária de Pedro Passos Coelho, classificou ambos como aves da mesma plumagem. Alberto João é outro dos que tem saudades de Sá Carneiro e abjura Passos Coelho, que diz que terá tornado o partido mais conservador e centralizador. Ao mesmo tempo, defende um bloco central, uma ideia que não costuma ter muitos adeptos, nem à direita, nem à esquerda, mas é assim o PSD, um partido que muitas vezes foi classificado como um saco de gatos, mas que afinal o que tem é muitas aves de diferente plumagem.
Vamos continuar a voar. A Lufthansa está a dar tudo para ser escolhida para a TAP.
Se não está a dar tudo, tudo, pelo menos está a dar muito. A empresa alemã de aviação lançou ontem a primeira pedra da fábrica que vai construir em Santa Maria da Feira. Esta unidade vai dedicar-se à reparação e à manutenção de componentes de aviões, de aeronaves. Já tem 300 pessoas em formação para irem trabalhar para essa fábrica. E foi o próprio presidente-executivo do Grupo Lufthansa, o CEO, o Carsten Spohr, que veio a essa cerimônia. Ela achei também Luís Montenegro, o primeiro-ministro. É um investimento importante, que mostra um compromisso de longo prazo com a economia portuguesa. Será que isto pode ajudar na corrida à privatização da TAP, que tem também na Air France outro concorrente? Pode ajudar. A escolha do vencedor vai ser feita com vários critérios. O preço é muito importante, como é evidente, mas não é o único critério. Será aquilo que na gíria se chama mais um concurso de beleza dos concorrentes, em que a beleza aqui é o valor que o comprador pode trazer para a economia portuguesa. Portanto, isto está renhido.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isto quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.