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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
PSD desunido poderá ser vencido?
Poderá ser vencido?
Não corre bem.
Não é para ti.
Como é que é isto do PSD?
O PSD parece mostrar-se mais desunido do que aquilo que se esperava à partida. E como sempre acontece em eleições, há muitas cartas abertas, manifestos de personalidades. E desta vez a carta é de apoio a Gouveia e Melo, mas parece ter como destinatário Marques Mendes. É que entre os signatários deste manifesto estão muitas figuras do PSD, antigos ministros e um presidente do governo regional da Madeira, por exemplo. Também há lugar para Francisco Rodrigues dos Santos, antigo líder do CDS, e que já se sabia também que é apoiante de Gouveia e Melo. Mas o que salta à vista são, de facto, os muitos nomes de figuras do PSD, Ângelo Correia, António Capucho, Carmono Rodrigues, David Justino, Miguel Cadilhe. Muito se tem discutido se o PS está ou não unido em torno da candidatura de António José Seguro, ou se as declarações de apoio têm sido mais ou menos envergonhadas. Mas aquilo que é claro agora é que o PSD está muito longe de estar unido à volta de Marques Mendes. Isto parecem ser contas antigas que ainda podem sair caras ao candidato.
Paulo, então e somos uma democracia assim mesmo muito avançada?
Então não somos. Fogo!
Fogo.
Então não é. Até podemos votar antecipadamente e tudo. Isto é um luxo, não é? Marcelo Rebelo de Sousa também já votou ontem, porque a agenda oficial que o presidente tem para o próximo fim de semana tornava esse exercício de voto mais difícil. Ele tem que ir lá acima a Celorico de Bastos, está recenseado lá em cima no Minho. E então disse à saída do seu voto que o voto antecipado é um avanço em democracia. Por quê? Porque facilita a vida aos eleitores. Obviamente, é verdade que tudo aquilo que puder ser mais conveniente para os eleitores é bem-vindo, até porque ajuda a reduzir a abstenção. Mas agora só falta mesmo, por exemplo, facilitar o voto dos imigrantes, que têm que andar centenas de quilómetros para ir votar ao consulado mais próximo. Eles são claramente, a este nível, os filhos de uma democracia menor. Para eles não é assim tão avançada, como se vê. É um pouco atrasada. Falta acabar com disparates como a censura informativa no dia de reflexão, que é imposta pelo Estado e pela CNE. E mais difícil, falta conseguir fazer com que os boletins de voto tenham apenas o nome dos candidatos reais e não todos aqueles que decidiram entregar uns papéis no Tribunal Constitucional, porque dessa forma teríamos nestas eleições 11 e não 14. Isso sim é que seria já um grande avanço democrático.
Bruno, vamos à escola?
Vamos lá à escola, voltar à escola.
Por lá todas as horas são extraordinárias.
Umas mais do que outras, Maria João, mas se havia dúvidas quanto à falta de professores, fica aqui um número bastante elucidativo. Em dezembro, o Ministério da Educação pagou 25,9 milhões de euros em horas extraordinárias a mais de 30 mil professores. O valor aqui inclui retroativos que vão até 2018, mas também há agrupamentos que ainda não realizaram as requisições para pagamentos.
Quer dizer que este número ainda pode subir.
Vai subir, este número vai subir, o que não significa que este valor seja apenas referente ao mês de dezembro. Foi o que o ministério pagou em dezembro. Mas isto revela alguma coisa. E como o Ministério da Educação não divulga o número de horas extraordinárias no primeiro período deste ano letivo, o jornal Público olhou para o número de horas extraordinárias no mesmo período do ano letivo anterior, e foram 13.831 horas extraordinárias. É muita hora. A sorte do ministério é que, para já, não tem professores tarefeiros, mas se tivesse, estaria tão dependente deles quanto o Ministério da Saúde está dos médicos prestadores de serviços. Aqui são os professores do quadro que, no fundo, acabam por ser os tarefeiros.
Pois é, que acumulam. Entretanto, Paulo, já começou a debandada de autarcas do CHEGA?
Já começou. Só passaram dois meses depois da tomada de posse dos eleitos em outubro para as autarquias e já há dissidentes. A última é Maria de Portugal, vereadora da Câmara de Coimbra. Anunciou a desfiliação do CHEGA com efeitos imediatos na sexta-feira. Por quê? Diz que há incompatibilidades objetivas entre as orientações internas recentemente aprovadas pelo partido, pelo CHEGA, e a forma como ela entende que deve ser exercido o seu mandato local. Na Quinta do Anjo, concelho de Palmela, distrito de Setúbal, foi o próprio presidente da Junta de Freguesia do CHEGA que retirou pelouros e competências a dois vogais do seu próprio partido, do CHEGA também, porque achou que eles tinham um desempenho abaixo do esperado. Vá-se lá saber quem é que os escolheu pra lista. E antes ainda, há algumas semanas, antes ainda da tomada de posse, foi Luís Filipe Saraiva, o único vereador eleito pelo CHEGA em Mirandela, em Trás-os-Montes. Ele tinha se desfiliado do partido antes ainda da tomada de posse e agora é vereador independente. Portanto, parece que vamos pelo mesmo caminho do mandato anterior. No mandato anterior, dos 19 vereadores eleitos pelo CHEGA, 11, portanto, mais de metade, abandonaram o partido ou o cargo ao longo dos quatro anos de mandato. Isto é que é uma consistência, um partido consistente, porque mantém o mesmo padrão de umas eleições pras outras.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.