Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma aí.

As perguntas que lançam esta segunda-feira aqui numa edição do Bruno Vieira Amaral. Bruno, o ministério chumbou nos exames?

É, Nelson, por muitas atenuantes que se procurem, a resposta só pode ser sim. Foi demasiada areia para o atrelado do ministro. Já estou aqui a confundir ministros. Nenhum sistema é imune a erros, há sempre resistência à mudança. Houve certamente o empolamento de alguns casos. Há quem faça do tiro ao ministro da Educação o seu desporto favorito, mas nada disto iliba o ministério das responsabilidades, porque num processo tão delicado e crucial para os alunos e as famílias, devia ser feito tudo para reduzir erros que seriam inevitáveis ao mínimo. Que o futuro passa pela digitalização é algo de que muito poucos duvidam. Também há um relativo consenso de que a avaliação digital será mais justa, mas os fins não devem mascarar o falhanço dos meios, ao menos que se aprenda alguma coisa com esta confusão, que ainda não acabou.

Pois não. E aqui para não confundir ministros, a carreira política de Luís Neves está por um fio?

É, cada notícia sobre o caso das obras no Montalegre Jane e do amigo empreiteiro é um tiro na credibilidade política do ministro, da piscina tank aos materiais das infraestruturas de Portugal que apareceram no monte, da falta de comprovativo de pagamentos ao atrelado químico ao estilo Breaking Bad, é tudo mau demais para alguém que era o diretor nacional da Polícia Judiciária. Por isso, não é só a credibilidade política de Luís Neves que vai pelo ralo, é a da própria Polícia Judiciária. Mesmo que não haja aqui nenhum crime, a facilidade com que se facilita, como tratamos tudo como se estivéssemos numa roda de amigos, como o exercício de funções tão importantes, em vez de aumentar o sentido de responsabilidade, parece criar uma capa de impunidade. Tudo isto é, de facto, um verdadeiro desastre.

Mas Bruno, onde é que andava toda esta informação?

Olha, Carla, essa é outra pergunta e nenhuma das respostas possíveis nos deve deixar tranquilos. É óbvio que todo o caso vem a lume por uma denúncia à comunicação social, que depois fez o seu trabalho, e quem sabia do caso já há muito que tinha conhecimento do mesmo e só o libertou no momento que considerou apropriado. E atenção que não estamos aqui a falar de nenhuma investigação em curso, não há aqui nenhuma violação do segredo de justiça. E se não foi alguém do círculo mais próximo de Luís Neves ou com algum contacto com o ministro, como é que teve acesso a esta informação? Haverá alguém a recolher este tipo de informações sobre as mais diversas figuras com responsabilidades institucionais para as ter na mão ou para limitar a sua atuação? São perguntas incômodas, mas não são apenas perguntas feitas pelos maluquinhos das teorias da conspiração. E se as perguntas são incômodas, agora imaginem as respostas.

E a sorte, Bruno? Parece que a sorte abandonou Portugal.

É, vamos lá falar de outras coisas, mas aqui é um pouquinho de falar das armas. Coisas importantes, são mesmo. Mas a sorte não quer nada com Portugal nos últimos anos, e não estamos a falar de futebol. É que já há mais de dois anos que o primeiro prêmio do Euromilhões não sai a nenhum apostador português. Antigamente, parecia que tínhamos euromilionários quase todos os meses, até algumas figuras se tornaram verdadeiras popstars. Agora a sorte desertou e rumou para outras paragens. Foi em julho de 2024, portanto há dois anos, que pela última vez um português levou o primeiro prêmio para casa. Foram 24 milhões de euros, na altura uma pipa de massa, e de então para cá, zero, nicules neredi, nadinha de nada. E aqui é que está a questão: isto é mau para as finanças, para o Ministério das Finanças. Em 2025, houve uma quebra de mais de 52 milhões de euros do imposto de 20% cobrado sobre os prêmios. Cinquenta e dois milhões de euros ainda é muito dinheirinho para os cofres, bem, para qualquer pessoa e para os cofres do Estado também. Mas para as artes das finanças, a sorte parece que nos últimos anos já não quer nada com os portugueses.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma. Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma aí.