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É difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.

Paulo Ferreira, na edição de hoje do Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta, o destaque vai para queijos, deputados Sherlock Holmes, brincadeiras com fogo, porteiros de avenida, mas começamos com vidas duras para os burocratas.

Isso mesmo. Qual é a coisa, qual é ela, que chega com um ano de atraso, mas é apresentada com grande estilo e nome pomposo?

Não faço ideia que coisa é essa.

Então é, e sentem-se, o Plano de Promoção da Operacionalização da Estratégia de Testagem em Portugal SARS-CoV-2, que foi ontem apresentado pelo governo depois de constituída, obviamente, a taskforce da praxe. Portanto, quando vos disserem que vida de burocrata é fácil, lembrem-se sempre deste nome: Plano de Promoção da Operacionalização da Estratégia de Testagem. São 50 páginas de PDF onde está tim-tim por tim-tim como é que deve ser feita a testagem massiva para ver se de facto conseguimos combater o vírus. Está tudo certo, e só há um pequeno detalhe que vem estragar esta festa. Devia ter sido apresentado no dia 19 de abril de 2020 e não um ano depois.

E não tarda, estamos a comemorar o 25 de Abril, Paulo.

Mas quem é que mandatou os donos do 25 de Abril para agora também serem porteiros da Avenida da Liberdade?

Espera aí, o 25 de Abril e a Liberdade não têm donos, são de todos.

Pois, isso diz-se com marismo. E bem. Por princípio, a liberdade devia ser mesmo de todos, até porque foi para isso que a conquistámos. Mas há quem se ache não só dono do 25 de Abril e agora até porteiro da Avenida da Liberdade. Que eu diga, a Iniciativa Liberal, que diz ter sido impedida de participar no desfile de domingo pela comissão organizadora. Se os donos da rua perderem a chave, é que é uma chatice. Lá ficamos de novo sem liberdade.

Mas não vamos ser alarmistas, porque há conquistas que não podem recuar.

Sem dúvida, mas ainda também há algumas conquistas por acabar. Por exemplo, por que Marcelo não ajuda a resolver a logística de voto dos imigrantes, em vez de lhes colocar o ônus da participação eleitoral?

Sim, o presidente da República apelou ontem, em Andorra, à participação eleitoral da comunidade portuguesa.

Pois, é sempre mais fácil exigir aos outros que façam o esforço que o Estado não consegue fazer. Na era da internet, muitos imigrantes ainda têm que deslocar centenas de quilómetros para ir votar, indo até ao consulado português mais próximo. São maltratados desta forma, mas o que o país tem para lhes dizer é: "Vá lá, vá lá, não se queixem e vão votar".

Por cá, as coisas também não estão a correr bem no SIRESP.

Nada bem. Há dois meses do verão, Eduardo Cabrita continua a brincar com o fogo.

Ontem a polémica sobre o sistema de comunicações teve novos desenvolvimentos.

O Ministério da Administração Interna atrasou-se a tratar de tudo e quer prolongar agora o contrato com a Altice por mais seis meses. E a Altice já veio dizer que não está disponível para isso, dada a complexidade da operação. Como é que Eduardo Cabrita anda há dois anos a tratar deste assunto sem o conseguir resolver, mesmo depois de dois grupos de trabalho, é que é um enorme mistério. Uma competência, como se vê, a toda a prova. Isso percebe-se logo.

Já no Parlamento, a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Novo Banco anda à procura de outras provas.

E o que é mais fácil: descobrir a origem dos buracos da banca ou descobrir como é que alguns documentos chegam aos jornalistas?

Por vezes, nem uma coisa nem outra.

Pois, não é que os deputados não tentem, de facto, mas não é fácil. Desta vez, a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Novo Banco abriu uma investigação sumária à divulgação do relatório secreto chamado Costa Pinto, que foi feita pelo Observador na semana passada. Por quê? Porque o dito relatório foi entregue aos deputados e eles obrigaram-se à reserva sobre o mesmo. Pode ser apenas, de facto, uma formalidade pouco convicta nos resultados desta investigação, mas ainda assim, concentrem-se no que é essencial e não em perceber como é que um relatório que devia ser público desde o início se tornou público agora. Os jornalistas só cumpriram a sua função.

E o mundo do futebol, Paulo, continua em sobressalto com a história da Superliga.

É verdade. Uma possibilidade longínqua ou até abortada agora, mas não é sempre assim quando se mexe no queijo que alguém acha que é só seu.

Mas espera aí, desta vez, quem é o queijo?

Este queijo é sobretudo-

De quem é o queijo?

De quem é o queijo, exato. Este queijo é sobretudo da UEFA e da FIFA, que querem a todo o custo manter o monopólio da organização de provas de futebol internacionais. É um clássico, quem tem monopólios não gosta nunca de os perder. E daí as fortes ameaças que foram feitas a todos, aos clubes que quiseram avançar com esta prova, aos jogadores, às seleções. Enfim, talvez a UEFA e a FIFA também devessem começar por olhar para dentro das suas casas e melhorar a transparência e combater a corrupção.

Paulo Ferreira, e o Ainda Bem Que Faz Essa Pergunta das manhãs 360. Amanhã há mais, já sabe que acontece sempre depois das 07h15 na Rádio Observador e a qualquer hora em podcast e no nosso site.

A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.

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