Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Então e já chega de conversa, Bruno.
Já chega de debates.
Basta!
Basta.
Acabou.
Já acabou. Enough is enough. Já chega de debates a dois, bem entendido, porque ainda temos um debate com todos os candidatos na rádio.
Dia dois.
E a dois?
Dia dois.
Dia dois? Pronto.
Dia dois, não é a dois.
Mas lá está, sobrevivemos à maratona de debates, 28 ao todo, e até se notou desta vez um certo cansaço nos comentadores, que não revelaram a mesma frescura, porque isto é preciso ritmo.
Isto é uma maratona.
É uma maratona e não é das mais fáceis. É natural, porque as presidenciais não são legislativas, e chega uma altura em que por muito que se esprema, já não há mais sumo. Ainda que o debate de ontem tenha tido suminho. Teve muito suminho de limão, se calhar assim um bocadinho ácido. Bem, os candidatos falam muito, começam a sair da esfera de ação do Presidente da República, são acusados de o fazerem. Se falam pouco, dão a entender que não têm ideias ou que não querem desagradar a ninguém. Agora, ou não exatamente agora, mas depois das festas, começa então a festa na rua e quem está mais atrasado ou não saiu tão beneficiado dos debates, tem mesmo de dar corda aos sapatos e ir pra rua.
Por dar corda aos sapatos, Paulo, e se um dia destes a velocidade dos transportes públicos se aproximar do zero?
Já esteve mais longe.
Bem.
Para lá caminhamos, porque a tendência é essa. Os autocarros da Carris, a empresa que faz os transportes urbanos em Lisboa, batem este ano um novo recorde de lentidão. Andam a 13,66 km/h. É essa a média dos autocarros da Carris. O ano passado era 13,71 km/h. Nós sabemos, o trânsito está cada vez pior.
Então nesta altura.
Sim, mas o ano todo está pior em termos homólogos.
E a toda a hora.
A toda a hora. Já não há hora de ponta, agora é permanente desde as 08:00 até as 20:00.
É dia de ponta.
Exatamente.
Tirando às 05:00, é verdade.
Exatamente.
Hoje até havia. Hoje havia um bem pequeno. Não era trânsito, mas havia bastante mais.
As pessoas já estão a sair de Natal, se calhar. Mas sabemos, o trânsito está como está nas cidades, em Lisboa em particular, a selvageria no estacionamento em segunda fila não ajuda, e nas cargas e descargas. Devemos ser o único país que não consegue regular as cargas e descargas em horários fora da hora de ponta. Enfim, é o que é. A desorganização da própria empresa, pelo menos pela quantidade de queixas lá em casa de autocarro não passou, é impressionante. Às vezes penso que me estou a enganar, mas tudo bem.
Sim, mas também tenho a mesma experiência.
Também tens a mesma experiência. Portanto, há mil e uma razões.
E não é Carris.
E não é Carris. Pois, é a Metropolitana, talvez aquela empresa agora aqui da área metropolitana. Portanto, há mil e uma razões para dizer às pessoas basicamente esta mensagem: use o seu carro, senão não se safa, não vai chegar a horas nem consegue programar a sua vida.
O que também não é verdade, mas ficas pelo menos com a ideia de que é mais confortável.
Pelo menos tens algum controle sobre a hora que sais e tentas controlar a hora que chegas de alguma maneira. Isto só para compararmos estes 13,66 km/h, na maratona, pessoas a correr, os amadores fazem entre nove e 10 km/h. Portanto, vá a pé.
Faça uma maratona.
Exatamente.
Anda quase o mesmo que a Carris.
A Carris, de facto, anda um pouco mais depressa e assim a este ritmo nunca mais chegamos a lado nenhum. Até em termos de transição energética.
Sim. Bruno, então o Chega vai ter de retirar os cartazes à beira da estrada.
Eu não sei se eram três. Não eram muitos, mas não sei se eram três cartazes à beira da estrada, mas vai ter mesmo que os tirar. O Tribunal Cível de Lisboa ordenou a retirada daqueles cartazes que diziam: "Os ciganos têm de cumprir a lei". Independentemente de ter havido no passado cartazes infelizes de outras forças políticas, de mau gosto e que merecem igual repúdio, um cartaz a segregar uma parte da população pela sua etnia foi assim mais uma das inovações de André Ventura e muito naturalmente a decisão de os mandar retirar foi tomada pela Justiça, apesar dos protestos de André Ventura, a dizer que é o fim da liberdade de expressão, que é a censura, o regime está podre. A verdade é que aqueles cartazes eram inaceitáveis e a sonsice de dizer que não faziam mais do que constatar o óbvio, que os ciganos como outros cidadãos quaisquer, têm de cumprir a lei, ainda acrescentava aqui uma dose de mesquinhez ao insulto, porque o que ficava implícito dos cartazes é que, por norma, os ciganos não cumprem a lei. Os problemas que existem com a comunidade cigana, e existem problemas, alguns são graves e muitas vezes os principais prejudicados são os membros da comunidade, e estou a referir-me aos mais jovens e que perdem oportunidades por causa de certos comportamentos, certas tradições que existem dentro da comunidade, não vão ser resolvidos esses problemas com cartazes desta natureza, que têm como único objetivo acicatar os ânimos, aumentar ainda mais a discórdia. Ventura, que não é nem mais nem menos que os ciganos, tem de cumprir a lei e vai ter de retirar os cartazes.
Vamos ver. Trata-se de hoje, não é? Por falar em lei, há mais um dirigente do Chega suspeito de pedofilia.
É verdade, é o quarto caso de dirigente ou ex-dirigentes do Chega a braços com a justiça, isto por suspeitas de crimes sexuais contra menores, o que revela uma incidência pouco comum. Quarto caso em dirigentes ou ex-dirigentes. Desta vez trata-se de Rui Pedro Moreira. Ele foi detido por suspeitas de abusar sexualmente de dois jovens de 11 e 14 anos, factos ocorridos entre abril e novembro deste ano. Este suspeito tem 22 anos, foi candidato do Chega na Azambuja, concorreu à Assembleia Municipal, primeiro nas autárquicas de 2021, voltou a repetir a candidatura agora em 2025. Não foi eleito em nenhuma das ocasiões. Foi detido e está em prisão preventiva. Segundo a lógica de cartazes de Ventura, isto dava uma boa frase num cartaz: dirigentes do Chega não podem ser pedófilos.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.