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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
E então, Bruno, há boas notícias que podem ser más notícias?
Eu acho que sim, mas vamos fazer o teste. Os lucros semestrais da Galp aumentaram 44%. Fantástico, não é? Ninguém se aborrece à partida com os lucros de uma empresa cujo objetivo é dar lucro. O problema é que este resultado coincide com o aumento vertiginoso do preço dos combustíveis nas últimas semanas, o que reforça aquela impressão popular de que os consumidores andam a pagar mais do que deviam, porque afinal o dinheiro depois vai para aumentar os lucros das empresas. E é por haver essa percepção que a Galp tratou logo de separar as águas ou aqui de separar os combustíveis. A empresa explicou, pedagogicamente, que 90% dos resultados vêm da atividade fora de Portugal e fora das atividades que dizem respeito ao preço dos combustíveis. E só a necessidade da empresa se justificar já diz muito sobre a forma como uma notícia destas é interpretada neste momento. É uma boa notícia que pode ser uma má notícia ou recebida como uma má notícia.
Está explicado. É desta que a Justiça se vai interessar pelo que se passa na arbitragem do futebol, Paulo.
Trazes futebol.
É mais justiça isto. É mais caso de justiça, talvez. Vamos ver. E aqui falamos da justiça civil e não daquela que é feita pelos órgãos próprios da federação e de futebol e afins, que são sempre muito convenientes para que os assuntos acabem por morrer. Agora falamos mesmo do Ministério Público e da Polícia Judiciária. O Ministério Público já está mesmo a investigar suspeitas que foram conhecidas depois da demissão de Duarte Gomes, que era diretor técnico nacional da arbitragem. A demissão já terá sido uma reação do próprio, citamos a explicação, "a um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram preocupações institucionais muito relevantes". Seja lá o que isto for agora. É isso que as autoridades vão apurar. Fala-se de fugas de informação na nomeação de árbitros, por exemplo. De facto, há muitos anos que se contam muitas histórias no futebol e na arbitragem. Talvez seja conveniente chegar agora o tempo e tirar tudo a limpo.
Vamos a uma outra questão. Temos uma enxurrada de reapreciações.
Muito mais pedidos de reapreciação dos exames do que no ano passado. Até agora foram 15 mil, quando no ano passado, para toda a primeira fase de exames, foram 6 mil. E há uma explicação para este aumento e que não se deve propriamente à desconfiança em relação ao sistema. Como os exames agora, nesta versão digital ou nesta avaliação digital, são avaliados pergunta a pergunta por professores diferentes, já não temos um professor sozinho a avaliar o mesmo exame do princípio ao fim. O que esse professor que corrigia todo o exame fazia quando chegava ao fim e o aluno tinha um 9,4? Puxava para 9,5, normalmente. São essas diferenças de décimas que estão a motivar o aumento dos pedidos de reapreciação. E se o método de avaliação se mantiver nos próximos anos, esta avaliação digital, é muito provável que os pedidos de revisão da nota se mantenham altos, porque vai haver muitos casos em que só falta um bocadinho para ter positiva e não haverá um professor compreensivo e generoso a corrigir o teste inteiro.
Paulo, já está em vigor a lei do lobby. Vai mudar alguma coisa?
Esperemos que sim, que aumente a transparência das relações entre qualquer interesse legítimo e os poderes públicos. Foi para isso que a lei foi feita, aliás, foi para trazer luz a uma área que estava, no fundo, remetida muito para a penumbra, para a informalidade, se quisermos. Ela entrou em vigor ontem, após mais de uma década de discussão, de debate, mas como quase sempre acontece no país, também aqui há mecanismos importantes que ainda vão demorar a entrar em vigor. Aquele que é fundamental, que é o registro de transparência da representação de interesses, só vai estar operacional no início do próximo ano. E este registro é fundamental. Os poderes públicos vão ser obrigados a registrar as reuniões com grupos de interesse e os contributos que estes possam dar ao processo legislativo. Esperemos que entre em vigor rapidamente e que funcione melhor, já agora, do que, por exemplo, a Lei da Transparência de Patrimônio e Rendimentos.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.