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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Começa agora uma nova edição do Ainda Bem que Faz Essa Pergunta das manhãs de 360. No menu de hoje, a balança contra-ataca, agarrem-se senão eu candidato-me, bloco capitalista, mas começamos com tanto barulho para nada.

É verdade. Houve alguma novidade na sessão que celebrou o 25 de Novembro no Parlamento?

Olha, não me parece que tenha havido alguma coisa de especial. Os discursos foram aqueles que se esperavam, isto do posicionamento de cada partido, quer sobre o assunto, o 25 de Novembro propriamente dito, historicamente e atualmente, quer sobre aquela sessão. Marcelo Rebelo de Sousa foi didático, fez uma resenha histórica dos acontecimentos, precisamente sobre o pré, que entre o 25 de Abril e 25 de Novembro. Houve várias referências de vários oradores aos protagonistas da data, sobretudo a Ramalho Eanes, que estava ali presente nas galerias. O PS naturalmente destacou o seu papel histórico naqueles tempos e o de Mário Soares também. E o Bloco de Esquerda mostrou o desagrado com a data. Já o Chega fez um dos discursos mais radicais, populistas e extremistas, que já se ouviram naquela sala nos últimos tempos, quer no conteúdo, quer na forma. No fundo, na sessão comemorativa do 25 de Novembro, o que mais se discutiu foi a própria existência da sessão comemorativa de 25 de Novembro no Parlamento, coisa que não tinha existido até agora. Falou-se da sua existência, obviamente, e da sua pertinência e também da sua longevidade. E depois cantou-se o hino e foram todos embora.

Felizes e contentes.

Bruno, então e o que dizer das portas giratórias entre a política e a política?

São casos muito graves, Maria João, estes de políticos que saem da política e vão a correr entrar na política. Veja-se o caso de Catarina Martins, depois de ser substituída na liderança do Bloco de Esquerda por Mariana Mortágua, abandonou o lugar de deputada. Qualquer outra pessoa ficaria no desemprego, desesperada, a enviar currículos para todos os lados, talvez a ir trabalhar para um call center. Mas Catarina Martins teve sorte e um dia depois de ter saído da assembleia, entrou na sede do Bloco de Esquerda com contrato assinado e 1100 € de vencimento. De facto, a esquerda não sabe fazer estas coisas. O melhor que um antigo líder do partido arranja é um lugar no partido a ganhar 1100 € por mês. Isto ainda tem aqui uma diferença, uma pequena diferença que torna o caso um pouco maquiavélico, porque um ano antes o Bloco tinha despedido funcionários e tinha cortado custos. Assim já parecem um bocadinho capitalistas maldosos a arranjar lugares para os amiguinhos e a prejudicar os trabalhadores.

Paulo, então e Mário Centeno, está com vontade de entrar na corrida à Belém ou não?

Olha bem, pelo que vai dizendo, mas sobretudo pelo que não vai dizendo, diríamos que sim, que ele está com vontade. O governador do Banco de Portugal esteve ontem na CNN International Summit e a pergunta foi-lhe feita, em inglês e tudo, que ainda soa melhor. E o que disse Centeno? Disse que gosta da mudança, a mudança não o assusta, mas que para já está focado no que está a fazer. Bom, mas o que está a fazer acaba daqui a cerca de meio ano, quando acabar o seu mandato como governador do Banco de Portugal.

Se não for reconduzido.

Pois, não é provável, diria eu, que o governo do PSD dê o convite para um segundo mandato. O PSD na altura foi muito crítico da passagem direta de Mário Centeno das Finanças para o Banco de Portugal. Não têm as melhores relações pessoais, o ministro das Finanças e ele próprio, e portanto, será pouco provável que isso aconteça. Ora bem, tudo isto junto parece mesmo que Mário Centeno não rejeita o cenário presidencial. Se não estivesse todo de pé virado, tinha feito como Leonor Beleza. Quer dizer, nem pensar, não contem comigo, olhem lá para o outro lado que não estou disponível para isso. Portanto, vamos ter meses de conversas intensas nos bastidores, quer à direita, quer à esquerda, neste caso mais à esquerda. O PS não deverá querer cometer aquele erro de vários candidatos no seu espaço político. E António José Seguro já foi claro a assinalar a sua disponibilidade. Portanto, qual vai ser o escolhido pelo PS? Essa será a grande questão aqui.

Mas não são os partidos que escolhem.

Está bem. Depois falamos ali, depois também tinha outra coisa para te dizer sobre o Pai Natal, mas daqui a pouco.

É melhor esperar um bocadinho. Entretanto, Bruno, a banca pode contra-atacar?

Se for aprovada no Parlamento alguma medida que ponha fim às comissões que os bancos atualmente cobram pelo reembolso antecipado dos créditos, é melhor prepararem-se porque a banca não vai ficar quietinha. A Associação Portuguesa de Bancos enviou um parecer ao Parlamento em jeito de aviso. Se acabarem essas comissões, a banca pode ripostar com o fim da taxa fixa ou mista, que é prevalecente nos novos créditos. Cerca de 80% dos novos créditos têm taxa fixa ou mista, que é aquela que começa com dois anos de taxa fixa e depois ao fim de dois ou cinco anos, passa para a taxa variável. Até ao fim do ano, os bancos não podem cobrar comissões quando os clientes resolvem amortizar os empréstimos, desde que os contratos estejam associados à taxa variável. É uma medida que já vinha do anterior governo, mas a partir de 2025 volta a taxa de 0,5% sobre o valor reembolsado para os contratos com taxa variável e de 2% para os de taxa fixa. Mas o PS queria acabar com estas comissões, aparentemente terá recuado, já em resposta ou em reação à ameaça da Associação Portuguesa de Bancos, e o Chega quer estabelecer um teto máximo de 0,5% para todas. Se alguma destas medidas passar no Parlamento, vamos ter os bancos a vingar-se nos clientes.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.