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Difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.
E começa agora mais um Ainda Bem que Faz Essa Pergunta. Paulo Ferreira e Júli Magalhães. Hoje falamos de instabilidade em Angola, segredos da Igreja, investigação portuguesa, mas Paulo, começamos por erros políticos.
Isso mesmo. Já se pode dizer que a ausência de Jerónimo de Sousa de quase todos os debates das televisões foi um enorme tiro no pé do PCP.
Foi uma decisão do partido, que alegou que queria apenas debater em canal aberto. Foi o critério.
O motivo invocado foi esse, de facto, mas as consequências podem não ter sido bem medidas. O que tem acontecido é que Jerónimo de Sousa tem sido o grande ausente desta fase da pré-campanha eleitoral de todos os partidos. E esta fase tem passado essencialmente pelos debates televisivos, não tem havido grandes ações. É que depois os debates, além do direto, dão direito a comentários, peças para os telejornais, notícias nos jornais e por aí fora. Enfim, chegam a muito mais pessoas do que aquelas que assistiram na televisão.
E a pergunta: a investigação portuguesa é devidamente reconhecida?
Devidamente não sei, Júli, mas ontem soubemos pelo menos que cinco cientistas receberam bolsas milionárias.
É, o público dá conta de bolsas atribuídas no valor de mais de oito milhões de euros do Centro Europeu de Investigação a cientistas portugueses. Ora, se fosse futebol, provavelmente esta seria a notícia de várias páginas em vários jornais, mas é ciência e esta é mais uma prova de que as universidades portuguesas estão a fazer, no âmbito da investigação e no apoio aos investigadores, um trabalho notável. Desde sempre uma lacuna no nosso país, desde sempre a investigação reclama apoios como um dos principais fatores de desenvolvimento de um país. O panorama terá melhorado nas últimas décadas, mas essas bolsas e muitos investigadores mostram mesmo que esta é uma área decisiva para o futuro.
E será que é desta que ficamos a saber o que escondem os armários da Igreja no que toca a abusos sexuais?
Será. Pelo menos, comissão para fazer essa investigação, já temos. Já é um passo, não é?
Já é um passo. Já temos a comissão liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Celeste. A comissão apresentou-se ontem, diz que vai analisar 72 anos de abusos cometidos pela Igreja, portanto, recuou até 1950. A comissão diz que há uma posição clara e inequívoca da Igreja para que seja apurada toda a verdade. Diz também que terá acesso aos arquivos eclesiásticos e de todas as entidades responsáveis pela proteção de menores. Portanto, resta-nos acreditar que a Igreja vai permitir mesmo que o trabalho seja feito com independência, custe-lhe o que custar. E já que chega muito tarde, pelo menos que seja bem feito.
Deixe-me só dizer, Paulo, que este é o segundo passo. O primeiro foi dizer que ia haver uma comissão, agora apresentaram a comissão.
Foi existir mesmo, de facto. Para passar à prática.
Deixa lá continuar assim, se for passo a passo, é bem bom. Angola está a viver uma nova era política ou trata-se apenas de convulsões esporádicas?
E estás a falar nisso porque ontem se repetiram alguns movimentos contra o regime do MPLA, não é Júli?
É, embora o governo tenha anunciado o controle da situação e desacatos e vandalismos. Desacatos e vandalismos, esta não é a primeira vez que parece crescer um sentimento de revolta contra o governo do MPLA. A pandemia agravou as desigualdades. Há quem diga que a fome e o aumento da pobreza podem estar a fabricar um barril de pólvora neste país onde residem muitos portugueses. Aquilo que durante muito tempo foi apenas contestação nas redes sociais, agora ampliou-se, não só nessas redes, mas está a saltar também para as ruas de Luanda. O tempo dirá se são movimentos esporádicos ou uma revolta da sociedade civil. Este ano há eleições em Angola.
Júlio Magalhães e Paulo Ferreira com as perguntas que marcam a atualidade na Rádio Observador, em podcast e claro, sempre no nosso site.
A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.
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