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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma. Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Jesus.

Bruno, Lula é lapa, lapa é Lula.

Lula é lapa.

Encontrava línguas logo de manhã.

Agarradinho ao poder, novamente candidato à presidência do Brasil para um possível quarto mandato, mas não é só isso. É também continuar a ser o melhor candidato político da sua área e um dos grandes fracassos da esquerda brasileira é de não ter, nas duas últimas décadas, em que Lula esteve na presidência e na maior parte do tempo, criado figuras que rivalizem com o atual presidente na popularidade e, de alguma forma, na credibilidade eleitoral. Lula continua a ser um abono de família pra esquerda e as sondagens, que lhe dão vantagem sobre Flávio Bolsonaro, o filho do antigo presidente e que será o candidato presidencial, mostram isso mesmo. O entusiasmo pode não ser o mesmo que foi depois dos dois primeiros mandatos do Lula no início deste século. Ele diz que tem a mesma energia que tinha aos 30 anos, mas enquanto não houver uma alternativa melhor, ele vai continuar por aí como uma lapa, como o Lula, presidente Lula.

Já os países europeus, Paulo, não se entendem sobre imigração.

Este é claramente um dos fatores de maior tensão entre os países europeus e esta crise atual, a propósito da invasão migratória de Ceuta, só vem confirmar isso mesmo. O governo espanhol, que falhou ali no controle de fronteiras, acusou vários países de egoísmo, de ignorância, de desconhecimento ou até má-fé. A Dinamarca e a Itália, por exemplo, responderam numa carta aberta dizendo que não podem permitir, e aqui já citamos, que passagens em massa não controladas, a instrumentalização da migração e outras ameaças híbridas criem a percepção de que a entrada ilegal na União Europeia é possível. Bom, hoje haverá uma reunião de ministros da Administração Interna da União Europeia, precisamente para falar do tema, mas a divisão aqui é clara. O acordo de fronteiras abertas, o acordo de Schengen, pressupõe, obviamente, uma responsabilidade na gestão das entradas que a Espanha aparentemente aqui não teve. Isto é um bocadinho como viver num condomínio. Se um deixa as portas da rua escancaradas, acabam todos por ficar em risco.

Bruno, os dados podem ser mais valiosos do que as garrafas.

Hoje em dia, Carla, essa já nem é uma pergunta assim tão estranha. Pelo contrário, os dados pessoais são hoje quase mais valiosos do que qualquer outra coisa, e isso inclui garrafas. E essa é também a razão da preocupação de um grupo de cidadãos com este novo sistema, o Volta, de reciclagem de garrafas e latas, porque o valor pode ser retirado num talão ou pode ser creditado em cartões de fidelização das cadeias de distribuição. E isso pode permitir aqui cruzamentos de informação, por exemplo, para detetar padrões de consumo, histórico de compras e até mesmo o próprio ato de depositar garrafas no sistema Volta pra saber quem é que se anda a portar bem. Os dados, ninguém sabe ao certo quanto valem, mas é muito provável que valham mais do que os R$ 0,10 por embalagem devolvida.

Paulo, estou com o dedo no ar pra ver pra que lado corre hoje o vento no conflito entre os Estados Unidos e o Irão.

Está se tentar perceber pra que lado é que ele corre. Olha, neste momento parece que está a correr para o lado da suspensão dos ataques. Não sei se é esta noite, vocês estão mais em cima da atualidade.

Parece suposto ser esta noite. Sim, mas ataques pré-anunciados também têm o seu quê.

Sim, mas já haveram tiros por aí, uns mísseis. Mas lá está, nunca se sabe, a qualquer momento pode virar para o lado contrário. Os últimos meses, desde o início do conflito, é isso que nos dizem. Muitas vezes essas declarações valem meia dúzia de horas. E foi no sábado à noite que Donald Trump anunciou que os Estados Unidos não iam avançar, pelo menos para já, com novos ataques ao Irão. Claro que o presidente americano não o fez sem uma daquelas suas ameaças. Ele disse que estava preparado para atacar a República Islâmica do Irão com níveis de terror militar, força e poder nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial. É tudo huge isto. Mas como é bonzinho, o Trump, e a pedido do Irão e de outros países do Medio Oriente, parece que lá cedeu à suspensão dos ataques. Portanto, há aqui uma janela, que pode ser apenas de dias ou até de horas, em que o petróleo, por exemplo, pode voltar a cair, mas depois voltará a subir quando os mísseis regressarem.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma. Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus