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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Como é que é, Bruno? O Bloco acabou?

O que os 60 militantes que saíram agora do Bloco de Esquerda disseram foi: "O nosso Bloco acabou". Portanto, um certo Bloco acabou. É como a certa esquerda e a certa direita. A quebra eleitoral e uma certa desorientação da liderança nos últimos anos expuseram fraturas que os bons resultados eleitorais anteriores tinham vindo a esconder. Este mal-estar já existia dentro do partido. E agora a saída de nomes históricos como Mário Tomé ou Pedro Soares, que já se adivinhava desde que o Bloco aceitou o abraço de urso do PS, com a famosa geringonça, veio agora confirmar-se. Na altura, os resultados não davam margem a grande contestação. Só que aos poucos, esta decisão de apoiar um governo do PS provocou desgaste e agora o desgaste acabou em ruptura, com críticas claras às lideranças, quer de Catarina Martins, quer de Mariana Mortágua, e também, implicitamente, a Francisco Louçã, que mesmo na sombra, continua a orientar o partido. Partido que agora já não é bem um bloco, porque se fragmentou.

E o governo precisa de confiança?

O governo precisa de confiança. Miguel Relvas, o antigo braço direito de Passos Coelho, que sabemos, não morre de amores nem por este PSD, nem por este governo, veio dizer: faltam ataques mais contundentes da oposição, mas o PSD pode sempre contar com vozes dentro do partido que fazem esse trabalho da oposição. E agora Miguel Relvas diz que há mesmo vozes que defendem que o governo apresente uma moção de confiança. Parece que alguém anda a desejar muito uma crise política. Do governo, a resposta não se fez esperar. Delírio, absurdo e ideia obtusa foram algumas das reações a esta punhalada de Miguel Relvas. Não tem sido um ano fantástico para o governo da AD, as tempestades, a saída da ministra da Administração Interna, os problemas agora com os exames nacionais, também o caso de Luís Neves, e certamente dispensava esta ajudinha dos amigos, mas como dizia Churchill: "Os adversários estão na outra bancada, os inimigos estão aqui mesmo ao lado."

Há frases que sobrevivem a tudo, não é? E os partidos têm alguma dificuldade em cumprir a lei?

É difícil, Carla, compreender a dificuldade de alguns partidos em seguir os regulamentos e regulamentos internos. Agora foi a vez do PAN ver o Tribunal Constitucional considerar inválida a eleição dos órgãos nacionais do partido e, em particular, da porta-voz, Inês de Sousa Real. Para o Tribunal Constitucional, a eleição ficou inquinada porque o regulamento do congresso impediu a participação de estruturas distritais nas eleições de delegados. Na prática, o que o tribunal diz é que a eleição assentou numa assembleia composta por delegados eleitos por um conjunto restrito de estruturas, que era uma estratégia que desnivela a partida o terreno e sugere, dá a entender aqui, o pouco afeto da liderança do partido por uma verdadeira democracia interna. Portanto, neste caso, nem é uma dificuldade em cumprir a lei, como não será noutros casos de outros partidos, mas mesmo uma vontade deliberada de contornar, para garantir o resultado mais conveniente nas eleições internas.

E Bruno, dar sangue é dar vida?

Olha, vamos acabar aqui com um apelo. Eu acho que esse era o slogan de uma campanha antiga para incentivar os portugueses a dar sangue. E com as reservas de sangue do Instituto Português do Sangue e da Transplantação abaixo dos níveis desejáveis, é um apelo que volta a fazer sentido. Por essa razão, o próprio instituto apelou aos portugueses para que doem sangue neste período de férias, de modo a manter as reservas de sangue em níveis adequados que neste momento não estão. Não custa assim tanto, para quem não tem medo de agulhas, fica aqui.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.