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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.

Paulo Ferreira, no último Ainda Bem que faz essa pergunta da semana, vamos falar de emboscadas fiscais, falsos positivos, uma task com pouca força, mas começamos com pipocas no sofá. Parece-me bem. Vamos lá.

Isso mesmo. Vamos lá então. Está tudo a postos com cachecóis e camisolas para torcer no sofá durante o grande dérbi desta tarde.

Espera, grande dérbi. Vai haver futebol, é isso?

Não é propriamente futebol, mas é como se fosse. O Sócrates Ivo Rosa jogam contra o Ministério Público, Carlos Alexandre, e o desfecho é imprevisível. Mas há quem diga que a equipa Sócrates-Rosa tem vantagem porque agora está a jogar em casa. De qualquer forma, as claques estão alinhadas e a postos. Vamos ver é se a Justiça portuguesa resiste a esta Operação Marquês e ao debate que se segue, que, aliás, já começou. A saúde do setor já não é muita, mas como atestam estes sete anos que já passaram desde a detenção de Sócrates, vai sair ainda pior tudo isto, isso é certo.

Paulo, quem também não anda com muita saúde é a saúde.

Pois não, sobretudo o processo de vacinação. Como é possível que a task force da vacinação e as administrações regionais de saúde não se entendam sobre os autarcas que ainda não foram vacinados?

Bem dizes. Essa é uma notícia da noite de ontem d'O Observador.

É isso. E a notícia diz assim: há autarcas que nunca foram contactados e outros já vacinados. Task force desconhece falhas e responsabiliza as administrações regionais de saúde. É mais uma imensa trapalhada. O grupo de trabalho, de facto, desconhece que há autarcas que ainda não foram vacinados, mais de dois meses depois do despacho do governo que o indicava. Estava convencido que sim, a task force, o grupo de trabalho, que as ARS já tinham tratado o assunto, mas de facto há presidentes de câmara que ainda nem foram contactados para serem vacinados. Este país às vezes parece mesmo milagre.

E com a testagem COVID, parece que as coisas também não estão a correr melhor.

Será que os vários anúncios de testagem massiva que o governo tem feito são falsos positivos?

Mas por que achas que não estão a ter efeito?

Porque quando se compara internacionalmente, Portugal é dos países da União Europeia que menos testes tem feito. Isso quer dizer que se fala muito, mas que se faz muito pouco. E quando chegamos à logística e à execução, percebemos bem as nossas fragilidades e a incapacidade do Estado se organizar. Mas agora mudando de assunto para um alerta de trânsito. Maria João, pensas passar por Coimbra nos próximos tempos?

Não faço ideia, mas a tua pergunta não é inocente.

Não é de todo, porque se passares, deves ter muito cuidado. Tu e todos os automobilistas que andem por lá, de Coimbra ou não, já sabem que correm o risco de ficar sem carro à saída de uma autoestrada.

Como assim? O que se passa em Coimbra?

O que se passa é que o novo diretor de finanças de Coimbra tem vocação para montar autênticas emboscadas fiscais à saída da autoestradas. É Oliveira e Castro, que ficou nacionalmente conhecido por ter montado aquela caça à multa, ao carro e ao imposto, à saída da autoestrada em Valongo. Os contribuintes que tinham dívidas em execução fiscal e que não pagassem logo ali pelo menos uma parte da multa, ficavam com o carro apreendido e tinham que ir a pé pra casa ou chamar um táxi, um Uber ou qualquer coisa assim. Oliveira e Castro demitiu-se nessa altura da direção de finanças do Porto, mas isto do abuso da autoridade do Estado também pode ser a via verde para um outro cargo. E claro, sem pagar a multa e sem ter o carro apreendido.

E tens ainda uma última pergunta, Paulo.

Sim, já repararam que a taxa de juro a que o Estado se está a financiar este ano já é o dobro da que era praticada no ano passado.

É um sinal preocupante.

Isso mesmo. Indicia que aquela baixa de juros, aquele saldo nos juros, pode ter acabado e isso vem criar grandes dificuldades, grandes problemas ao Orçamento do Estado, com uma dívida pública como nós temos de 133% do PIB e no meio de uma crise econômica, isto vai tornar tudo ainda mais difícil. Mais dinheiro para pagar juros significa que o Estado tem menos dinheiro para as suas restantes funções. Apertem, portanto, os cintos que isto não vai ser fácil. Mas preocupem-se com isso só depois do fim de semana.

Bem dito. Ainda bem que faz essa pergunta com o Paulo Ferreira nas manhãs, presente e sempre segunda-feira, à nova edição. A de hoje, já sabe, vai ficar disponível em podcast e também no site d'O Observador.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.