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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.
E começa agora o Ainda Bem Que Faz. Essa é a pergunta das manhãs 360, Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Hoje falamos de novidades de uma tomada de posse. Perdoa-me. Ia dizer perdoa-me . Tiros para o ar, mas começamos por negociações duras, Paulo.
Muito duras mesmo. O governo pediu e o Bloco de Esquerda respondeu: então e agora, o orçamento e a economia aguentam as exigências do Bloco?
É que, Paulo, é um caderno de encargos bem pesado.
É muito pesado, mas está muito bem explicadinho aquilo tudo. O Bloco de Esquerda enviou ao governo, por escrito, todos os artigos que pretende ver inscritos na Lei do Orçamento de Estado. Lá está, por exemplo, o fim do fator de sustentabilidade na Segurança Social, a exclusividade do pessoal do Serviço Nacional de Saúde, mudanças nas leis laborais. Enfim, são nove pontos que o Bloco quer no orçamento. A bola passou agora para o lado do governo, que terá que fazer contas e aceitar ou não estas propostas, e muitas delas têm impacto, sobretudo em orçamentos futuros. Portanto, podemos dizer que já estamos a discutir o orçamento de 2032, não é?
Sem dúvida. E Paulo, a propósito dos desacatos num jogo de futebol, o que vai dar um inquérito aos agentes.
Sim, de facto, já foi aberto um inquérito à atuação dos polícias, não é?
É, pois é. Perante aqueles desacatos, onde estavam meia dúzia de agentes, os dirigentes dos dois clubes já vieram dizer que a polícia foi longe demais. Confusões normais, diz até um dos treinadores, que a carga policial foi injustificada. Como vimos, nem com os tiros para o ar as pessoas envolvidas se assustaram. E se os polícias não tivessem feito nada, meio mundo estaria aqui a responsabilizá-los de estarem a olhar para os desacatos e não se mexerem. Como sempre, agora têm em cima um inquérito disciplinar e do lado dos prevaricadores, apenas uma confusão, como diz um dos técnicos, normal nestas situações.
Tudo normal, obviamente. Marcelo diz que os portugueses não perdoariam se houvesse casos de mau uso e de fraude no PRR. Alguém pode explicar ao presidente da República que essa tem sido a história da nossa vida?
É, não temos sido especialmente felizes na aplicação dos fundos europeus.
É, e esta história dura há mais de 30 anos. A pergunta que deve ser feita é: como é que conseguimos desbaratar vários pacotes de fundos comunitários que foram investidos com pouca eficácia e com muito baixo retorno económico e social? Por isso os portugueses têm perdoado, obviamente, casos de mau uso e de fraude nas ajudas europeias. Será que vai alguma coisa ser diferente agora? Nada nos indica isso. O sinal tem sido o de continuarmos, de facto, à mesma distância da Europa, nos rendimentos médios. Isto não vai lá com discursos bonitos e bem-intencionados.
E a fechar, Paulo, a tomada de posse de Moedas, claro, que trouxe algumas curiosidades.
É, e uma delas é seguramente aquele ajuntamento, aquela reunião de ex-líderes do PSD.
É, essa é uma delas e estou certo que vai ser tema de vencedor, com toda a certeza. Mas houve mais, olha, praticamente ninguém com máscara, numa altura em que há uma nova tendência do crescimento da incidência. E Paulo, outra curiosidade: estava a ver uma das transmissões televisivas e enquanto os convidados iam sendo entrevistados antes da tomada de posse, os únicos que falaram, pois quer saber?
Diz lá, que eu não fiz essa contabilidade.
Eu fiz. Rui Rio, Paulo Rangel, Luís Montenegro e Rui Moreira. Tem graça, na tomada de posse do presidente da Câmara de Lisboa, os protagonistas eram todos do Porto. É caso para dizer: cuidado, vocês tenham cuidado.
Bem-visto.
Paulo Ferreira e em direto do Porto, o Júlio Magalhães, com as perguntas que marcam a atualidade na Rádio Observador, em podcast e sempre no nosso site.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.
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